Veado - fêmeaNo passado dia 5 de Outubro visitei uma vez mais, aquele que na minha opinião, é um dos últimos refúgios naturais em Portugal.
Trata-se de Noudar (Parque de Natureza de Noudar) e o nome diz tudo. É na realidade um lugar natural, pejado de fauna e flora selvagem e dócil, onde ainda é possível avistar morcegos, osgas, lacraus, coelhos, fuinhas, cigarras, javalis, abutres, cegonhas, garças, veados, raposas, linces, etc. Delimitado a Norte pelo rio Ardila (que define a fronteira entre Portugal e Espanha) e a Sul pela ribeira de Múrtega, este parque tem todas as condições para quem gosta de fotografia de natureza.

Desta vez, alguns amigos e suas famílias, fizeram questão de me acompanhar. Queriam ver com os seus olhos, esse lugar mágico de que lhes falava, já há algum tempo.
Nesta altura do ano, o parque tem como principal motivo de visita, a observação dos veados e a sua brama. Para os mais distraídos, esta é pois uma altura do ano em que estes animais andam na fase do cio, tendo por finalidade a reprodução. Momento singular, onde podemos fotografar estes seres vivos magníficos, bem como ouvir a brama.
Para o conseguir é preciso caminhar, percorrer a pé alguns dos trilhos do parque e acima de tudo estar em silêncio. São animais esquivos, que ao mais pequeno ruído, desatam a correr por entre arbustos do montado e rapidamente desaparecem por detrás de uma azinheira.

Veado - machoExausto e sob um calor abrasador, na companhia de alguns amigos e familiares e já quase no final de uma caminhada de cerca de duas horas, avistei um veado (fêmea) a alimentar-se na encosta do outro lado do vale. Eu sabia o que procurava e os meus olhos fixaram-se naquele animal e não mais o larguei até que todos aqueles que estavam comigo, o conseguissem ver através do seu olhar ou com recurso a binóculos.
Pouco depois esta fêmea desapareceu por entre os arbustos numa correria desenfreada e logo atrás surgiu o macho, impávido, calmo e sereno, caminhando montado acima, parando aqui ou ali para observar ao seu redor.

A natureza nunca tem hora marcada. Não é como ir ao jardim zoológico.

Estes momentos, naturais, fazem-nos sentir que não somos os únicos a necessitar de espaço. Nós queremos ocupar o território, queremos que todo o meio que nos rodeia seja conhecido e esquecendo-nos que os outros seres vivos também precisam de espaço.

Coexistir é a palavra de ordem em Noudar, pese embora o facto de nos últimos anos eu ter verificado que cada vez mais estes animais no seu estado selvagem começam a ficar numa espécie de jaula, proveniente das inúmeras cercas que estão a construir.
Não quero antever um parque, cujo foco principal seja a componente económica proveniente da cultura do porco preto.

Este lugar é mágico. De dia e de noite. À luz da Lua ou das estrelas. A pé, de bicicleta, de “noucar” ou simplesmente sentado, rodeado de familiares ou amigos. Estar numa das suas esplanadas num final de tarde, é quase certo sermos brindados pela beleza de um pôr do sol por detrás da muralha do castelo de Noudar. Logo seguido de um lusco-fusco que rapidamente define os contornos dos montes na linha do horizonte, outrora local de gentes, agora um sitio singular, mágico.

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