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Concurso de Fotografia de Natureza – Jovens Olhares sobre Gondomar

Concurso de Fotografia de Natureza  |  Regulamento

Jovens Olhares sobre Gondomar

1  Enquadramento e organização

1.1  O concurso é promovido pela Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Júlio Dinis, Gondomar, em articulação com os grupos disciplinares 230 e 520 de Ciências Naturais, e conta com o patrocínio de Paulo Ferreira, produtor e realizador de documentários naturais para televisão e fotógrafo de natureza.

1.2  A iniciativa integra-se no tema geral do Projeto Educativo do Agrupamento, “Valorizar o presente… preparar o futuro”, e pretende incentivar a consciência ambiental e a valorização do património natural do concelho de Gondomar.

2  Objetivos

2.1  O concurso tem os seguintes objetivos:

  • sensibilizar a comunidade escolar para a preservação do ambiente;
  • promover a reflexão sobre o contributo individual para a sustentabilidade;
  • dar a conhecer e valorizar o património natural do concelho de Gondomar;
  • estimular a observação da natureza, a criatividade e a expressão artística através da fotografia.

3  Destinatários e participação

3.1  O concurso destina-se aos alunos das escolas do concelho de Gondomar.

3.2  Cada participante pode apresentar apenas uma fotografia.

3.3  A participação é individual e gratuita.

3.4  Quando o participante for menor de idade, a participação pressupõe a autorização do respetivo encarregado de educação, que poderá ser solicitada pela organização.

4  Tema

4.1  A fotografia deve retratar a natureza do concelho de Gondomar, nomeadamente elementos da fauna, da flora ou da paisagem natural, evidenciando a sua beleza, diversidade ou singularidade.

4.2  A imagem apresentada deve ter sido captada no território do concelho de Gondomar.

5  Autoria e edição da imagem

5.1  A fotografia deve ser original, inédita no âmbito deste concurso e da autoria do participante.

5.2  O ficheiro original deve conservar os dados EXIF, que poderão ser consultados pela organização para confirmação da autoria e das características técnicas da imagem.

5.3  São permitidos ajustes moderados de luminosidade, contraste, cor, nitidez e enquadramento. Não são admitidas montagens, adição ou remoção de elementos, nem manipulações que alterem de forma substancial a realidade fotografada.

5.4  Não são admitidas imagens geradas, total ou parcialmente, por ferramentas de inteligência artificial.

6  Requisitos técnicos

6.1  A fotografia deve ser entregue em formato JPG ou JPEG, ter pelo menos 3000 píxeis no lado maior e não exceder 10 MB.

6.2  São aceites as proporções 3:2, 2:3, 4:3, 3:4 e 1:1.

6.3  Caso seja solicitada uma cópia para exposição, a fotografia deverá permitir impressão com qualidade no formato 20 × 30 cm, sem prejuízo das imagens apresentadas na proporção 1:1 ou 4:3.

7  Envio da candidatura

7.1  A fotografia deve ser enviada como anexo para o seguinte endereço de email: fotografia@pauloferreira.pt.

7.2  A mensagem deve incluir:

  • título ou legenda da fotografia;
  • local onde a fotografia foi captada e respetiva data;
  • nome completo do participante, número de aluno, turma e escola.

7.3  A falta de algum dos elementos obrigatórios impedirá a admissão da candidatura.

8  Calendário

8.1  O período de participação decorre entre 24 de novembro de 2026 e 30 de abril de 2027, inclusive.

8.2  Os resultados serão divulgados em 8 de junho de 2027 no seguinte endereço na web:

8.3  A entrega dos prémios está prevista para 18 de junho de 2027, em local a anunciar.

9  Avaliação

9.1  A avaliação das fotografias fica a cargo de Paulo Ferreira, patrocinador do concurso.

9.2  As participações serão apreciadas de acordo com os seguintes critérios:

  • adequação ao tema;
  • impacto visual e emocional;
  • composição e iluminação;
  • criatividade e originalidade;
  • qualidade técnica;
  • respeito pelos limites de edição definidos no presente regulamento.

10  Prémios

10.1  Serão atribuídos os seguintes prémios:

  • 1.º lugar — 300 euros;
  • 2.º lugar — 150 euros;
  • 3.º lugar — 50 euros;
  • 4.º e 5.º lugares — menção honrosa.

10.2  Todos os participantes admitidos a concurso receberão um certificado digital de participação.

11  Divulgação e utilização das fotografias

11.1  A participação no concurso implica a autorização, a título gratuito e não exclusivo, para a divulgação das fotografias pela organização e pelo patrocinador, exclusivamente no âmbito da promoção do concurso, da apresentação dos resultados e de iniciativas educativas ou culturais relacionadas.

11.2  Sempre que uma fotografia seja divulgada, será identificado o respetivo autor, salvo quando existam razões de proteção de dados ou instruções em contrário do participante ou do seu encarregado de educação.

11.3  Os direitos de autor permanecem pertencentes ao participante.

12  Proteção de dados

12.1  Os dados pessoais recolhidos destinam-se à gestão das candidaturas, à comunicação dos resultados, à atribuição dos prémios e à emissão dos certificados de participação.

12.2  Os dados serão tratados apenas pelas entidades envolvidas na organização do concurso e durante o período necessário à realização destas finalidades, sem prejuízo das obrigações legais aplicáveis.

13  Exclusão de participações

13.1  Podem ser excluídas as candidaturas que não cumpram o tema, os prazos, os requisitos técnicos ou as regras de autoria e edição previstos neste regulamento.

13.2  Serão igualmente excluídas as fotografias cuja obtenção tenha colocado em risco pessoas, animais, habitats ou bens, ou que violem direitos de terceiros.

14  Disposições finais

14.1  A participação no concurso pressupõe o conhecimento e a aceitação integral do presente regulamento.

14.2  As situações não previstas serão analisadas e decididas pela organização.

Coordenadora do Departamento de Ciências Exatas: M.ª José Tavares

Coordenadora das Bibliotecas Escolares do Agrupamento: Rita Cordeiro

Patrocinador: Paulo Ferreira

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Quando a História tocou o Sol

Quando a História tocou o Sol

Quando a História tocou o Sol

No final da tarde de 7 de setembro, no Parque de Natureza de Noudar, em Barrancos, o Sol alinhou-se com a torre do Castelo de Noudar, criando um encontro raro entre a paisagem, o céu e a História.

Na superfície luminosa do astro distinguem-se várias manchas solares, testemunhos visíveis da sua intensa atividade. Ao centro, recortada contra a luz, surge a silhueta de António Gonçalves — uma pequena presença humana perante a imensidão do Sol, mas essencial para dar sentido e dimensão a este instante.

A sua figura parece estabelecer uma ponte entre dois tempos e duas distâncias: a memória secular do castelo, erguido por mãos humanas, e a luz de um astro situado a cerca de 150 milhões de quilómetros da Terra. Tão distante e, ainda assim, naquele breve alinhamento, aparentemente ao alcance de um gesto.

Por alguns instantes, o tempo pareceu suspender-se e todas as distâncias desapareceram.

Um encontro fugaz entre o Homem, a História e o Sol.

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Astronomy Picture of the Day

Astronomy Picture of the Day

A NASA acaba de escolher a minha fotografia do eclipse lunar como Astronomy Picture of the Day (APOD)
A imagem foi registada na madrugada do dia 28, às 06h18. Enquanto captava uma sequência de fotografias para criar um timelapse, um avião que acabara de descolar do Aeroporto do Porto cruzou a Lua no momento exato.
A meteorologia não facilitou: o céu manteve-se muito enevoado durante toda a madrugada. Ainda assim, acabei recompensado por ter saído da cama às quatro da manhã com o objetivo de fotografar o eclipse.
Imagino que os passageiros sentados do lado direito do avião estivessem a observar o fenómeno. Mas, tendo em conta a sua longa duração, quero acreditar que também os passageiros do lado esquerdo se levantaram para o contemplar.
Perante um acontecimento destes, não faltam razões para nos levantarmos — dentro ou fora de um avião — mesmo que seja a horas “indecentes”. Devemos reconhecer cada oportunidade e agarrá-la com entusiasmo. Caso contrário, corremos o risco de ficar para sempre sentados no sofá, à espera de que alguma coisa nos caia do céu.

Mais informação nos seguintes links:

APOD: 2026 September 1 – A Plane Lunar Eclipse

https://www.facebook.com/APOD.Sky/posts/pfbid0PWLv92ZXERp3BHPUQTPJdsPFyF5BYSuxWfgkY2ma37KxCbPU91pqe3BC3mRW6YpWl

https://asterisk.apod.com/viewtopic.php?t=45034https://www.facebook.com/photo/?fbid=1064077302987513&set=a.1063776469684263

Fotografia de Paulo Ferreira captada em Gondomar escolhida para o Astronomy Picture of the Day da NASA

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Fotografia do eclipse da lua divulgada pela NASA

Avião Lua Eclipse

Uma fotografia minha divulgada pela NASA

O Sky, página de ciência associada ao *Astronomy Picture of the Day* da NASA (APOD), acaba de divulgar nas suas redes sociais uma fotografia que registei ontem, durante o eclipse da Lua.
A imagem capta um instante verdadeiramente único: o momento exato em que um avião, pouco depois de ter descolado do Aeroporto do Porto, atravessa o disco lunar, já na fase descendente do eclipse.
A bordo seguiam dezenas de pessoas que, muito provavelmente, observavam o eclipse sem imaginarem que, naquele preciso instante, também elas passavam a fazer parte desta fotografia.
É uma enorme alegria ver este momento raro partilhado por uma página ligada à NASA e poder levar um pouco do céu visto a partir de Gondomar até pessoas de todo o mundo.
A publicação pode ser vista aqui:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1064077302987513

Fotografia registada em Gondomar, Portugal.

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VI Cinema nos Moinhos: um encontro com a natureza e a nossa casa comum

Os Moinhos de Jancido voltaram a ser, no passado dia 1 de agosto, palco de mais uma noite especial com a realização da VI edição do Cinema nos Moinhos. Num cenário onde natureza, património e comunidade se encontram, a iniciativa proporcionou mais um momento de partilha e de sensibilização para a beleza e a preservação do mundo natural. Entre os momentos da noite, destaco a intervenção do Padre Tony Neves, que, partindo da literatura e das experiências vividas nas suas viagens por vários continentes, deixou uma reflexão particularmente feliz sobre a forma como aprendemos a “ver com olhos de ver” a natureza que nos rodeia e sobre a responsabilidade coletiva de cuidar da nossa “casa comum”. Partilho aqui as palavras que Tony Neves dirigiu a todos os presentes nesta VI edição do Cinema nos Moinhos:

Boa noite a todas e a todos. Ando a ler a ‘Misericórdia’ de Lídia Jorge, o mais recente Prémio Camões. A determinada altura, a Dª Maria Alberti, utente da luxuosa Residência Sénior ‘Hotel Paraíso’, está a falar com uns vizinhos que a visitavam, falam de campos, florestas e jardins e ela conclui: ‘Se Deus quiser, apesar da natureza estar desorientada, a vida vai melhorar. O futuro vai ser um esplendor’.
Esta visão tão otimista é hoje contracorrente. Mas o trabalho ecológico dos Rapazes de Jancido aqui nesta área dos Moinhos e do Rio Sousa é também contracorrente, quando vemos como destruímos florestas, poluímos mares e rios, enchemos o mundo de lixo e de plásticos… Também o trabalho do Paulo Ferreira e sua equipa pode e deve ser visto com este rasgo, numa permanente luta contra os terríveis efeitos das alterações climáticas. Mostrar as belezas destes lugares, bem como doutros lugares por esse mundo além, é colaborar com Deus na preservação de uma Terra que é a nossa casa comum. E – como tantas vezes repetiu o Papa Francisco – estamos todos no mesmo mar, a enfrentar a mesma tempestade e ou nos salvamos juntos ou nos afogamos todos’. Cabe a nós decidir o que queremos fazer e os compromissos do Paulo falam alto e calam fundo a este propósito. A nossa presença aqui é um obrigado coletivo a estes dois compromissos, protagonizados pelo Paulo e sua equipa e pelos Rapazes dos Moinhos de Jancido.
Desde a última sessão do Cinema dos Moinhos, estive em Itália e Portugal (como habitualmente), mas tive ainda o privilégio de estar na RCA, Camarões, França, México. Angola e Moçambique. Os filmes documentários do Paulo e sua equipa têm-me reforçado a sensibilidade às belezas e originalidades da natureza. Vejo com olhos de ver pássaros nas árvores, pegadas no chão, reflexos nas águas, estética nas folhas e ramos de árvores a dançar ao ritmo dos ventos…
Por isso, apreciei de forma diferente o chilreio de periquitos de várias cores que comem as cerejas, framboesas e ameixas do nosso Parque do Seminário de Chevilly, mesmo ao lado do aeroporto de Orly, em Paris. Nos Camarões, apreciei a brancura dos campos de algodão prontos para a colheita, no extremo norte deste país. Na RCA, fiquei extasiado com a beleza das mangueiras que oferecem doçura aos viajantes nas estradas esburacadas do país. No México, deixei-me espantar pela mancha roxa dos jacarandás de San Luis de Potosi e pela elegância das manadas de vacas perdidas nas imensidões das pradarias. Angola marca-me sempre pela força incontrolável das águas nas Quedas de Kalandula, em Malanje. Em Moçambique, são belas as plantações de lichias nas áreas do Chimoio… e, em Roma, encanta-me, ano a pós ano, a mancha dourada das ruas habitadas pelas gingko biloba, a bela nogueira do Japão, símbolo de resiliência e de paz, pois foram as únicas plantas que resistiram às bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagazaki.
Faço um convite: deixemo-nos envolver e possuir pela beleza da mãe natureza, a nossa casa comum. Deixemos que o Paulo e sua equipa nos fale ao coração. Obrigado e boa noite.
Tony Neves


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Pirilampos: as luzes que se apagam das noites portuguesas

Pirilampos

O pirilampo-lusitânico é um pequeno inseto fascinante, conhecido pela luz que emite durante a noite. Embora seja um parente próximo dos escaravelhos, distingue-se pela capacidade de produzir luz, um fenómeno designado por bioluminescência.

Na fase larvar, alimenta-se sobretudo de caracóis e lesmas, desempenhando um papel importante no controlo natural destas populações.

Quando atinge a idade adulta, os machos voam à procura de uma companheira. As fêmeas, apesar de possuírem asas, permanecem no solo. Em vez de voarem, acendem as suas pequenas “lanternas”, permitindo que os machos as encontrem e que a reprodução aconteça.

Contudo, esta estratégia torna os pirilampos muito vulneráveis à iluminação artificial. As luzes das cidades e das estradas dificultam o encontro entre machos e fêmeas, contribuindo para o desaparecimento das suas populações em algumas regiões. Ainda assim, a principal ameaça à sua sobrevivência continua a ser a destruição do habitat natural.

Além do seu espetáculo luminoso, os pirilampos são excelentes bioindicadores da qualidade ambiental: a sua presença revela ecossistemas saudáveis e bem preservados.

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No reino dos pirilampos

Pirilampos

No Reino dos Pirilampos

Nas noites silenciosas dos Moinhos de Jancido, quando a escuridão toma conta da paisagem e os sons da natureza se tornam mais presentes, pequenos pontos de luz começam a surgir entre a vegetação. Foram esses instantes mágicos que procurei captar nesta série de seis fotografias, realizadas com recurso a técnicas de longa exposição e a equipamento fotográfico de última geração, incluindo objetivas de elevada luminosidade, fundamentais para registar um fenómeno tão delicado.

A concretização destas imagens exigiu longas horas no terreno, numa espera paciente e atenta aos ritmos da natureza. Tive a felicidade de partilhar esta experiência com António Gonçalves, cuja curiosidade e entusiasmo por tudo o que envolve o mundo natural tornaram a jornada ainda mais enriquecedora e agradável.

Para mim, foi profundamente gratificante poder fotografar os pirilampos neste cenário singular. Entre os antigos moinhos, a vegetação densa e a penumbra da noite, criou-se uma atmosfera de mistério e beleza difícil de descrever. Cada rasto luminoso registado nestas fotografias representa não apenas a presença destes fascinantes insetos, mas também a magia efémera de um património natural que merece ser valorizado e preservado.





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Numa noite gélida de inverno

Numa noite gélida de inverno, o silêncio do Parque Natural do Alvão parece suspender o tempo. O frio cristaliza o ar e, acima, o céu escreve a sua própria caligrafia luminosa: longos arcos de estrelas e planetas, com centro na Polar, denunciam, com elegância lenta, a rotação incessante da Terra. Não é o céu que se move. Somos nós, passageiros de um planeta em viagem.
Em primeiro plano, as árvores. Algumas iluminadas, outras quase despidas erguem-se como sentinelas antigas. Os ramos nus, desenhados a carvão contra a abóbada noturna, emolduram a dança cósmica e acrescentam profundidade à paisagem. Há beleza na escassez: folhas ausentes que revelam a estrutura, o essencial, a nudez do inverno.
A fotografia guarda esse instante raro em que o humano toca o infinito. Um encontro entre a quietude da serra e o movimento do universo, onde o frio não afasta, antes aproxima, e a noite ilumina aquilo que o dia não ousa mostrar.
É este, o nosso mundo!

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Almourão Selvagem – A Wildlife Sanctuary

Almourão Selvagem

2025 foi um ano extraordinário. Um ano de histórias contadas com tempo, silêncio e respeito pela natureza — muitas delas nascidas no coração da Região Autónoma dos Açores. Um ano de aprendizagem, de encontros improváveis e de imagens que ficaram gravadas para lá das minhas objetivas.
Mas 2026 já se anuncia maior. Mais exigente. Mais desafiador.
E com isso vem também um peso bonito: o da responsabilidade. A responsabilidade de fazer melhor. De ir mais longe. De honrar cada projeto com ainda mais dedicação.
Mais paixão. Mais entusiasmo. Mesmo nos dias em que regressamos a casa de mãos vazias, sem imagens, sem ideias. Porque a vida (tal como a natureza), não se revela sempre de imediato. Nem tudo é fácil. Nem tudo vem sem esforço. E quase nada acontece sem trabalho.
A vida é feita de contrastes: alegrias e silêncios, conquistas e frustrações. E o caminho, esse, faz-se sempre para a frente, com os olhos erguidos, coração atento e a certeza de que cada passo conta.
Este é um dos desafios de 2026. Almourão Selvagem – A Wildlife Sanctuary

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Descobrindo Orion

Há um trabalho silencioso e paciente por trás de cada imagem da Nebulosa de Órion. Um trabalho que começa muito antes do clique final — começa nas noites frias e límpidas, quando o ar corta a pele e o céu parece mais próximo, mais honesto. São nessas horas, longe do ruído do mundo, que a câmara aponta para aquilo que, a olho nu, insistimos em chamar de estrela.

Montar o equipamento é um ritual: tripé firme, câmara preparada, objetiva alinhada, ferramentas de tracking a compensar a rotação da Terra com uma precisão quase humilde. Não há tecnologia de outro mundo, não há telescópios espaciais nem instrumentos milionários. Há apenas fotografia, persistência e a vontade de ir mais além do que os nossos olhos permitem.

Cada imagem individual é frágil. O sinal é ténue, quase tímido, afogado no ruído eletrónico e nas imperfeições inevitáveis do equipamento simples. Mas é aqui que entra a segunda parte da viagem — invisível, silenciosa, mas absolutamente transformadora: o stacking. Centenas de exposições curtas, captadas ao longo de horas, são alinhadas e somadas com rigor matemático. O ruído dilui-se. O sinal emerge. Aquilo que parecia impossível começa, lentamente, a revelar-se.

É neste ponto que a fotografia se encontra com o conhecimento informático. Algoritmos, processamento de imagem, calibração, paciência. No meu caso, um passado profissional ligado à informática torna-se uma extensão natural do olhar. O computador deixa de ser apenas uma ferramenta; passa a ser um laboratório onde a luz é decifrada, camada após camada.

E tudo começa, curiosamente, com um engano. Olhamos para o céu e vemos uma estrela. Um ponto branco, aparentemente simples. Mas a curiosidade muda tudo. Quando nos interessamos pela descoberta, procuramos conhecimento — e com ele, ganhamos profundidade. Aquilo que era uma estrela revela-se uma nebulosa. Ou talvez uma galáxia distante. Uma cidade de gás, poeira e nascimento estelar, suspensa no vazio.

Nesse momento, algo muda. É como se os nossos olhos vissem a luz pela primeira vez. Não uma luz qualquer, mas uma luz antiga. No caso da Nebulosa de Órion, uma luz que partiu dali há cerca de 1400 anos, quando a história humana era outra, quando o mundo era outro. E, ainda assim, essa luz chega agora, silenciosa, paciente, à minha modesta câmara.

A astrofotografia é isso: um diálogo entre tecnologia simples e conhecimento profundo, entre frio e espera, entre erro e revelação. Um exercício de humildade cósmica. Porque quando por fim vemos a imagem final, já não estamos apenas a observar o céu — estamos a testemunhar o tempo.

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