Luta entre Britangos

O abutre-do-egipto é uma ave que pode ser encontrada em Portugal. Tais abutres possuem plumagem branca e pescoço emplumado. Também são conhecidos pelo nome de Britango. Nesta fotografia é possível visualizar a luta entre duas aves, com a presença e olhar atento de um Grifo.

Luta entre Britangos

Continuar a ler

A cegonha-preta

Situado no Parque Natural do Douro Internacional, o miradouro do Penedo Durão, proporciona uma vista pouco comum. Não existem muito lugares no mundo, onde se possa observar de cima, o voo das aves.

No cimo do maciço rochoso, à beira de escarpas de cortar a respiração, rodeado por uma paisagem que realça a mão do Homem ao longo de várias eras, o mais fácil é avistar uma ave em voo. 

O sossego é ensurdecedor. Não fosse a leve brisa que se fazia sentir no momento destes registos, quase que se ouvia as penas das asas a deslizarem sobe a camada de ar quente que se eleva neste local, ao final da tarde.

O objetivo era fotografar os “Grifos”, mas a surpresa é sempre bem vinda. E como nestas coisas da vida selvagem e da imprevista natureza, não há garantias de nada, eu até fiquei algum tempo a duvidar do que os meus olhos me queriam transmitir. Lá ao longe, bem por cima do Douro, uma cegonha-preta (Ciconia nigra) planava com as asas bem abertas. O bico e as patas de tons vermelhos realçavam ainda mais o majestoso voo.

Depois de uma troca rápida de objetivas (200 por 600mm) ainda fui a tempo de realizar esta fotografia:

Cegonha Preta

O Rio Sousa lá do alto

São incontáveis os locais quer em Portugal, quer lá fora, onde já tive a oportunidade de fotografar. Fosse na paisagem mais plana ou mais montanhosa, ao nível do solo, ou num plano mais elevado. Na sua maioria acabam sempre por me surpreender. A vista lá do alto é sempre diferente. Pois a nossa existência restringe-se à nossa capacidade de locomoção. Mas contam-se pelos dedos, os sítios que realmente me fascinaram verdadeiramente, no que toca à vista aérea. Este é um deles. Mas não é obra do acaso. É o resultado da nossa capacidade de imaginar, de ver mais longe, se sonhar e concretizar. Aqui fica o resultado de uma miragem. O Rio Sousa, numa das suas curvas que só ele tem.

Que esta fotografia consciencialize as pessoas (principalmente aqueles que detêm a capacidade de mudar, arriscar, ir mais longe), para a necessidade de se preservar um local único.

HOPE

Uma nuvem desceu sobre o mundo.
Pela primeira vez, na nossa atarefada civilização global, todos nós parámos.
Embora isto continue a ser incrivelmente desafiante para todos nós, há uma certa beleza nesta quietude.
E, enquanto partes do nosso mundo ardem nas chamas de um tempo passado, aos que ficam é-lhes dado a escolher.
Uma oportunidade, não de voltar ao passado, mas de sonhar e agir, e criar o que será.
Como todas as tempestades, também estas nuvens passarão.
Do outro lado destas nuvens, há um sol que irradia esperança para o nosso mundo.
Há uma oportunidade para todos nós vermos além da mera sobrevivência e abraçarmos o futuro, no qual nós e o nosso planeta podemos prosperar como um só.
Prepara-te. O mundo como o conhecemos, mudou para sempre.
O laço que nos liga a todos é a esperança.
Esperança de voltar às coisas que todos nós amamos.
E, contudo, a esperança de que não regressemos ao modo como fazíamos as coisas anteriormente. Esta viagem começa… com ESPERANÇA.

Clique na imagem em baixo para visualizar o vídeo.

A Lontra Europeia ou Lontra Euroasiática

Vale do Rio Sousa, nas proximidades dos “Moinhos de Jancido”. O relógio marcava 08H30 e a temperatura rondava os 4 ºC. Ao descer a serra, por entre as árvores e a caminho de um local isolado para fotografar aves, reparei que havia alguma ondulação nas margens do Rio. Cautelosamente, procurei descer ainda mais na ânsia de encontrar um sitio mais aberto, de onde pudesse clarificar o motivo para tal ondulação. Por momentos não vislumbrei absolutamente nada. A ondulação havia desaparecido.

Desanimado, comecei a caminhar ao longo da margem do Rio. Rio acima, alguns minutos depois, como por magia, os meus olhos fixaram-se nos olhos de uma Lontra. Inacreditável! Tentei não fechar os olhos. Não queria acreditar que diante de mim, talvez a uns 50 metros, a cabeça de uma Lontra deslizava sobre a água fria, naquela manhã de Janeiro. Inconscientemente, levei a câmera fotográfica aos olhos e comecei a fotografar. Incrédulo, duas fotografias depois, ela mergulhou e não mais a voltei a ver. Por sorte, a objetiva que estava a utilizar no momento, era de 600mm.

O seu gosto pela água (se for preciso, aguenta-se mais de cinco minutos submersa), aliada ao facto de ter uma dieta maioritariamente carnívora, tornam-na um animal de hábitos especiais. A começar pela sua performance enquanto predadora: com olhos que vêem mais no breu da noite, com olfato que chega longe (têm um dispositivo ao nível do nariz que deteta vibrações abaixo da linha de água), e com uma audição superior à de muitas outras espécies, a Lontra espera pelo pôr do sol para utilizar as suas armas. As presas são sobretudo peixes ou crustáceos, em menor escala outros mamíferos, e eventualmente répteis à falta de melhor.

Aqui fica a fotografia.

A neblina da manhã ao redor do Monte Crasto

Numa manhã fria dos primeiros dias de Janeiro de 2021, acordei pelas 06H30 com o objetivo de fotografar e filmar alguma fauna e flora nas proximidades dos Moinhos de Jancido. Quando me dirigia para o local, circulando nas proximidades do Monte Crasto, verifiquei que a neblina estava muito densa. Logo imaginei como é que seria a vista lá do alto. Será que conseguiria ver algum pormenor do Monte Crasto, destacado no meio do manto branco que o envolvia?
Não havia outra forma de o saber e como tal decidi fazer uma paragem e levantar o drone.
Para espanto meu, tudo ao redor estava envolto numa neblina branca que refletia a luz do sol da manhã e no meio, surgiu o Monte Crasto. Primeiro estava quase completamente tapado, mas dois minutos depois abriu mais um pouco. Foi quando pude registar esta fotografia. Um minuto depois e estava novamente tapado pela neblina. Fiquei ali uns 20 minutos a fotografar e a filmar, sempre que a neblina destapava o monte.
Ver assim o Monte Crasto é uma experiência única. E como nem toda a gente tem a possibilidade de voar, aqui fica esta fotografia. Espero que vos motive e inspire para a vida que todos temos que enfrentar. Bom 2021.

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Moinhos de Jancido

O Outono é para mim, uma das estações do ano, mais produtivas ao nível da fotografia. Normalmente quando faço viagens escolho sempre entre o Outono e a Primavera. São as duas fantásticas para quem gosta de fotografia. Esta fotografia que divulgo agora no meu site, tem um significado especial para mim. Ela foi obtida há alguns dias atrás, quando no seguimento de um trabalho que estava a realizar, fiquei motivado para outro. E quase todos os fins de semana tenho levantado bem cedo e percorro os caminhos dos Moinhos de Jancido. Foi numa dessas manhãs, que registei este momento. Seriam cerca das 07Hoo quando este cenário se proporcionou diante de mim, Esta fotografia foi obtida pelo método de HDR. Esta é uma técnica que procura alargar o alcance dinâmico de uma determinada fotografia. Basicamente é representar o melhor possível, quer as áreas mais escuras, quer as mais claras, criando vários pontos de ajuste numa única fotografia. Esta em especial, dedico-a aos “Rapazes de Jancido”.

Viagens e Memórias – Museu Mineiro de São Pedro da Cova

Viagens e Memórias – Museu Mineiro de São Pedro da Cova

Em Maio de 2020 recebi um convite da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, para realizar um vídeo. Esse vídeo seria para dar a conhecer o Museu Mineiro de São Pedro da Cova, dado que face à pandemia as pessoas não visitavam o espaço. Era pois necessário utilizar as redes sociais e levar um video ás escolas, nomeadamente aos mais novos para assim colmatar este problema. Aceitei o desafio e iniciei o trabalho em Julho de 2020.

Um trabalho diferente dos que tenho realizado (a sua maioria sobre a consciência ambiental). No entanto revelou-se motivador e o mais difícil foi criar uma história que narrasse uma visita ao interior do Museu e por outro lado contasse histórias de gente que viveram “os tempos da mina”. Tudo isto se tornou mais fácil quando a Micaela Santos se envolveu no trabalho e deu voz á narrativa.

São Pedro da Cova foi moldada pelas minas de carvão existentes nesta freguesia do concelho de Gondomar, durante cerca de 140 anos. A sua atividade encerrou há cerca de 60 anos. Atualmente, tudo o que resta é história, um legado e uma identidade única em Portugal.

Quase 6 meses depois, chegou a altura de dar a conhecer esse vídeo. Face á pandemia que atravessamos, é impossível agendar um evento com publico para divulgar este vídeo. Assim e porque a vida não pode parar, aqui fica o video agora publicado pela página da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova. 

Veja o vídeo (disponível apenas a partir do dia 20 de Dezembro pelas 16H00), clicando na imagem seguinte:

Nova Zelândia – A aventura do drone

Nova Zelândia, 07 de Maio de 2018. Acordei bem cedo, depois de uma noite onde pernoitei em Taupo. O meu objetivo para esse dia era percorrer um trilho de cerca de 16 Km que me levaria a visitar os lagos “Blue Lake” e “Nga Puna a Tama” no Parque Nacional Tongariro na ilha Norte. Estava também prevista uma passagem pelo cume do vulcão se fosse possível.

Depois de um pequeno almoço à pressa, que a luz do dia não tardava a surgir, desloquei-me até ao Parque Nacional. A distância que separa Taupo de Tongariro é de cerca de 100 Km. A viagem foi rápida pois a ânsia de iniciar o trilho era enorme. No entanto antes de chegar ao Parque, decidi colocar no ar o meu drone, o Inspire 1, dado que a paisagem era avassaladora e não quis perder aquele enquadramento. Foi um erro enorme, é a minha convicção ainda hoje. Fascinado com o local, não me apercebi da distância que o drone tinha percorrido, pois queria que ele fosse até muito perto do cone do vulcão. Já se tinha afastado talvez uns 4 ou 5 Km quando dei por mim a olhar para os dados no controlador. Motivo mais do que suficiente, para perder a ligação entre o drone e o controlador. Não fosse isso suficiente, o facto de haver atividade vulcânica na zona, ajudou a que as coisas se complicassem ainda mais, dada a interferência rádio.

Sei agora (pois tive acesso mais tarde ás imagens do drone), que o equipamento esteve parado na mesma posição, durante cerca de 2o minutos e depois aterrou sozinho. Só que pousou no topo de uma árvore, pois o local é repleto de vegetação muito densa.

Na imagem anexa é possível ver os pontos 1, 2 e 3. O ponto 1 era o local onde eu estava a controlar o drone. O ponto 2 era o único acesso possível (de carro) ao interior da floresta e não foi mais do que 500 metros a partir da estrada principal. O ponto 3 foi o local onde o drone pouso sozinho. A linha amarela, era o rilho que eu pretendia fazer nesse dia.

Nesse dia tentei entrar na floresta, com o o objetivo de encontrar o drone, mas após percorrer 100 metros, olhei para trás e já não sabia para onde ficava o local de onde parti. Isto porque a vegetação era muito densa e não permitia olhar as referências. Desolado, deixei o local e regressei a Taupo. Acabei por não fazer o trilho.

Passei a 2ª noite em Taupo e na manhã seguinte, ao pequeno almoço, comecei a pensar que não iria deixar o drone no Parque Nacional, pois era um objeto estranho. Dei por mim a pensar de que forma o iria recuperar. Eu sabia a ultima localização conhecida do drone, mas também não tinha a certeza que assim fosse. Nunca havia experienciado uma coisa assim. Uns minutos depois, já no fim do pequeno almoço, ocorreu-me uma ideia. Taupo é uma cidade pequena mas com muitas lojas de artigos para os pescadores. E se eu comprasse um rolo de fio de pesca? Isso poderia ajudar–me a encontrar o drone. Sempre seria mais seguro para mim, enveredar pela floresta dentro.

E assim foi. Comprei um rolo de fio com 350 metros. Não seria suficiente mas era o maior que havia. Regressei ao Parque Nacional nessa manhã, decidido a encontrar o drone.

Pelo caminho ainda tentei ajuda junto de um posto da policia do parque, mas o “Crocodilo Dundee” (vestido a rigor), não estava disposto a ajudar, dado que eu havia infringido uma regra do Parque. Por muito que eu explicasse que estava fora do Parque, ele não quis saber e a única coisa que fez foi dar-me um contacto telefónico de uma pessoa que conhecia muito bem a região e que poderia ajudar na localização. Azar o meu, liguei para esse contacto e naquele dia estava na Ilha Sul.

Parecia que estava tudo contra mim. Mas não desisti. Regressei ao local e avancei pela floresta dentro. Percorri os 100 metros do dia anterior pois as minhas pisadas ainda estavam marcadas no terreno e só depois é que amarrei o fio de pesca a uma árvore. Fui desenrolando o fio e olhando para o controlador que me orientava no sentido da localização do drone. Se eu pretendia seguir a direito, quando olhava para trás, era tudo curvo. Pelo meio tinha de descer aos regatos e subir de novo por entre as árvores densas da floresta. As folhas das plantas agarravam-se à roupa e tudo parecia colar ao corpo.

Uma meia hora depois, estava muito perto da localização do drone dada pelo controlador e o rolo do fio também chegava ao fim. Comecei a olhar para a copa das árvores, pois era natural que estivesse lá, uma vez que eram muito densas. Mas por muito que olhasse não via nada branco (a cor do drone).

Uns minutos depois, já quase a desistir, os meus olhos fixaram-se no drone. Estava no chão. Vi um conjunto de peça de cor branca e avancei da sua direção. A alegria era imensa. Tinha encontrado o drone, não queria acreditar. Era como se tivesse encontrado uma agulha num palheiro. Só que assim como fiquei feliz, rapidamente esmoreci, pois reparei que o drone estava partido em muitos locais. E a parte mais importante para o meu trabalho, a câmera, estava partida uns metros mais ao lado.

Peguei no drone e disse para mim mesmo que pelo menos o tinha recuperado e não iria ficar com a sensação de que um dos meus equipamentos tinha ficado num local tão natural como aquele. 

Regressei ao ponto de partida, enrolando novamente o rolo de fio e a pensar como é que iria resolver o problema de ficar impossibilitado de registar imagens aéreas para o filme que ali tinha ido fazer (AOTEAROA – We Are All Made Of Stars).

Os dias seguintes foram difíceis pois não tinha comigo todas as ferramentas que havia levado de Portugal até à Nova Zelândia. No entanto quando me desloquei para a ilha Sul, percebi que não valia a pena ficar agarrado a esse problema e dediquei-me fortemente ao registo de timelapse e video. A ilha Sul é mais montanhosa do que a ilha Norte e favorece imenso a captura de imagem, quando nos deslocamos para pontos elevados.

Esta foi apenas uma das histórias que vivi na Nova Zelândia.


Islândia – depois da tempestade

Durante a minha passagem por Vík í Mýrdal, na Islândia, local onde estive durante 3 dias com o objetivo de recolher imagens para o filme “This Is Our Time“, poucos foram os períodos de tempo em que me foi possível filmar ou fotografar (timelapse). Isto porque durante todos esses dias, choveu intensamente. No entanto no final do ultimo dia e já a caminho de um outro local mais a Oeste, deparei-me com este final de tarde maravilhoso. Poucos minutos, no entanto memoráveis e que não deixei de registar. Este local designa-se por Reynisdrangar, e aqui é possível ver os enormes rochedos vulcânicos que se erguem do mar, nas proximidades da montanha Reynisfjall.