Encontros noturnos com a Garça-real

Garça-real

Esta fotografia registada nas proximidades de Couce, em Valongo, no Parque das Serras do Porto, foi conseguida depois de algumas tentativas. Á primeira vista pode parecer bastante simples, mas o processo para a conseguir foi algo moroso e difícil. No seguimento de um trabalho de fotografia que ando a registar para o Município de Valongo, tenho-me deslocado para aquele território, desde finais de 2020. A Garça-real (Ardea cinerea), é uma das espécies que tenho de fotografar. Fotografá-la neste local  foi complicado, pois nem sempre lá estava (a meio do Rio Ferreira), e se estava, não me deixava aproximar mais do que 50 metros. Após muitas tentativas ao final da tarde para reduzir a luz ao máximo e ocultar a vegetação que ladeia o Rio, lá consegui. Mas o que mais me surpreendeu nesta ave, foi observá-la enquanto a fotografava. E reparei que ela bebe a água do Rio, em intervalos de minutos. É do conhecimento de todos que o Rio Ferreira é um dos cursos de água bastante poluído e observar esta ave a beber da sua água é algo que me preocupa. Espero com esta fotografia, sensibilizar as entidades competentes, para esta situação.

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Porque o mundo tem todo o tempo para mim

Era Outono. A Patagónia vestia-se de cores absolutamente extraordinárias. As Lengas (Nothofagus pumilio) cobriam-se de um manto malhado, mosqueado, todo ele remendado nas diversas cores. Uma espantosa paleta de tons nas cores amarela, vermelha, branca ou verde. Achei que nem mesmo um pintor, conseguiria aqueles tons. Eu, sozinho, munido de uma mochila às costas e de uma camara fotográfica ao pescoço, caminhava há algumas horas. Partira bem cedo de “El Chaltén” (pequena povoação na Argentina), com destino ao “Fitz Roy” (Cerro Chaltén).
O nome “Fitz Roy” provém da homenagem ao capitão do navio que levou Charles Darwin na sua volta ao mundo. No seu sopé existe uma lagoa muito bonita de nome “Laguna de los Tres”. Eu queria vê-la, fotografá-la, memorizá-la. Uma forma de enriquecer, não o bolso, mas a mente.

A meio do caminho, dou por mim envolto naquele manto malhado, mosqueado. A fotografia em cima é retrato disso mesmo. Mais parece uma pintura. As árvores (que morrem de pé) adornam-se com cores de outono. Algumas, já no fim de vida, deixam transparecer os ramos secos, velhos, brancos e negros. Nus. A longevidade da sua vida, deixa marcas. Nós, Humanos, somos parecidos. Tal como a árvore, podemos tentar minimizar as marcas que a vida nos impôs, cobrindo-nos de adornos. Mas seremos incapazes de apagar as marcas da longevidade.

Eu olhei ao meu redor e registei algumas fotografias. Qual memória para mais tarde recordar, como está a acontecer com este texto.
Minutos depois, desviei o olhar destas árvores e prossegui o meu caminho. De certa maneira há que prestar atenção e valorizar aquilo ou aqueles que nos rodeiam. Mas, a vida deve continuar. O caminho faz-se caminhando, disse-o o poeta espanhol António Machado. E eu concordo.

Duas horas depois, o meu olhar já só via tudo em tons de amarelo e vermelho. Dei por mim a tentar retirar os óculos de sol. Mas para meu espanto não os tinha comigo. Estava embebecido com todo aquele colorido. Era essa a realidade.

Uns passos mais à frente, começo a ouvir o barulho ténue de uma cascata. A água a correr pelos rios e ribeiros de alta montanha, deixa marcas nos ouvidos daqueles que admiram a natureza em silêncio. Tentei não fazer muito barulho com os pés. Hoje, penso que cheguei a levitar, pois só me lembro do claro som da água a correr por entre as pedras. Tentei vislumbrar por entre as Lengas, esse som. Ouvir com os olhos. Ver primeiro e ouvir depois. Procurar a imagem da água algures por detrás dos troncos velhos das árvores. O som confirmaria depois esse vislumbre. E assim foi. Serpenteei por entre as árvores e vislumbrei o Rio de montanha. Águas límpidas e selvagens. Corri na sua direção e só voltei a sentir os pés, quando dei por mim quase a cair à água.

Estanquei. Respirei fundo, enquanto retirava a mochila das costas. Peguei na camara fotográfica, (tive de a procurar pois já não a sentia ao pescoço) e registei esta fotografia. Uma, duas, três, quatro… Talvez umas duas dúzias delas, enquanto tentava respirar mais calmamente. Passada toda aquela emoção, sentei-me ao lado da mochila. E ali fiquei a ouvir a água. A ouvir o vento. A ouvir o Condor. A ouvir o balouçar das folhas nas árvores. Ver, era quase impossível, tamanho o êxtase. E deixei-me levar pelos sentidos. Impossível adormecer ali. Sozinho, ali fiquei até me lembrar de que tinha de continuar. O “Fitz Roy” era o destino final. Depois eu teria todo o tempo do mundo. Porque o mundo tem todo o tempo para mim.

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Documentário No Silêncio dos Moinhos

O documentário No Silêncio dos Moinhos do realizador Paulo Ferreira, foi totalmente filmado num pequeno trecho do vale do Rio Sousa, nas proximidades dos Moinhos de Jancido, no território de Gondomar. As imagens que nos são apresentadas, são o culminar de dois anos de registos no terreno. É um filme de cerca de 35 minutos que narra pequenas histórias de vida natural, possíveis de ver por quem ali passa em silêncio. São as aves como a Garça-real, o Guarda-rios, a Águia-de-asa-redonda, o Pica-pau-malhado-grande ou o Pisco-de-peito-ruivo, algumas plantas típicas da região e ainda animais como o Morcego, a Salamandra-de-pintas-amarelas, a Salamandra-lusitânica, o Esquilo-vermelho ou os Pirilampos, entre outros. Todos estes seres vivos são possíveis de encontrar na região, desde que as pessoas lhes dêem espaço e não interfiram com o silêncio do local.

Documentário No Silêncio dos Moinhos

O documentário será dado a conhecer em breve, aqui: pauloferreirapt – Produtor executivo, Produtor de vídeo e Diretor de arte (vimeo.com)

Até lá, podem vislumbrar um pequeno resumo com imagens do filme, no canal do Youtube:

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A Via Láctea na Torre de Vigia de Siza Vieira

A Serra das Talhadas, um local onde já estive por várias vezes a convite do Refugio do Raposo, um espaço de turismo rural na pacata aldeia do Casalinho, recebeu recentemente uma Torre de Vigia da autoria de Siza Vieira. Se já no passado haviam motivos mais do que suficientes para visitar aquele local, agora tornou-se quase uma necessidade. A necessidade das coisas terrenas, como querer a simpatia das pessoas, querer aquele abraço, ou querer admirar o horizonte. Mas também das coisas que nos libertam, um desejo de ir mais alto, mais além. Olhar o universo. Viver um olhar eterno.

E estas fotografias são o meu olhar eterno. Desligo-me das coisas terrenas e catapultado por elas, vou ao encontro do eterno. Do passado, na ânsia de perceber o futuro. Viver. De noite e de dia. Somos demasiado breves e pequenos. Aquele abraço do tamanho da nossa Galáxia, a Via Láctea.

Via Láctea na Serra das Talhadas
Via Láctea na Serra das Talhadas
Via Láctea na Serra das Talhadas
Via Láctea na Serra das Talhadas
Via Láctea na Serra das Talhadas
Via Láctea na Serra das Talhadas

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A magia dos pirilampos

A magia dos pirilampos

Á noite, sob um céu cintilante, levado pelo silêncio da luz colorida dos pirilampos, adormeci. E o resultado final foi esta fotografia, que acumulou toda a luz dos pirilampos, durante cerca de 6 minutos.

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A Via Láctea e o efeito “airglow” na ilha das Flores

Milky Way Açores

Esta fotografia foi registada na ilha das Flores, no arquipélago dos Açores. Já tive a oportunidade de fotografar a Via Láctea em alguns lugares remotos ao redor do mundo. Poucos são aqueles onde o preto da noite impera. Este, em especial, foi uma surpresa para mim. Uma surpresa boa, pois a luz artificial quase não existia. Com o objetivo de registar um plano de timelapse, desloquei-me ao local, marcava o relógio 23H35. O caminho para esta enseada é bastante escuro e ao chegar é possível ver a olho nu o núcleo central da Via Láctea. Ali chegado, parei uns breves minutos para a observar e sentir o quão pequenos nós somos. Olhar a Via Láctea é perceber de onde vimos. Sabemos que vimos dali e pouco mais.

De salientar ainda a cor verde por cima das rochas. Este fenómeno dá pelo nome de “airglow”, (muito parecido com as auroras boreais). Na realidade são partículas excitadas eletricamente e que ao longo da noite vai perdendo a energia extra proveniente do Sol.

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Campanha Açores – Atlântico de vida

Nos últimos anos tenho estado envolvido na realização de documentários que têm como objetivo, apelar à consciência das pessoas para a realidade do momento que atravessamos. As alterações climáticas são um facto que salta à vista de todos e como tal é necessário trazer as pessoas à responsabilidade que é de todos. Os meus trabalhos que podem ser consultados em www.pauloferreira.pt mostram o lado positivo da nossa casa. Acredito que só assim será possível apelar á consciência das pessoas, dado que no passado as imagens negativas não causaram nenhuma alteração de comportamentos. Este ano e depois de um período de confinamento e de vida em pandemia, decidi realizar um novo filme, desta vez em Portugal. Face á impossibilidade de juntar o número de patrocinadores necessários para cobrir todas as despesas inerentes ao projeto, resolvi apelar à ajuda de todos aqueles que se interessam por esta causa. Assim sendo, pretendo com esta campanha angariar os fundos em falta, para a realização de um documentário natural no arquipélago dos Açores. O valor total do projeto é de 6.500,00 Euros. Até ao momento só consegui 4.000,00 Euros, vindos de patrocinadores que acreditam no meu trabalho. Esta verba destina-se a suportar os custos da viagem, estadia, alimentação, mobilidade e outras despesas diversas (taxas de acesso, guias, barcos, captura de imagens subaquáticas, etc.). Assim sendo, decidi criar este projeto de financiamento numa tentativa de angariar o valor que ainda me falta, ou seja 2.500,00 Euros.

Clica na seguinte ligação para acederes à campanha de financiamento: Açores – Atlântico de vida | PPL

Açores - Atlântico de vida

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A Terra dos Homens

A TERRA DOS HOMENS

Tem sido habitual no Dia da Terra, Paulo Ferreira publicar um vídeo que assinale esta data. Este ano e à semelhança de anteriores, realizou um vídeo com este propósito. Dado o momento que atravessamos (impossibilitado de viajar em virtude da pandemia), este ano foi buscar imagens de timelapse e vídeo ao seu arquivo. São imagens registadas nos Noruega, Patagónia, Nova Zelândia e Islândia. Imagens provenientes das suas viagens pelo mundo, com a finalidade de consciencializar as pessoas para a atual problemática ambiental.
São imagens obtidas através da técnica de timelapse que nos fazem sentir como é bela a Terra dos Homens. Elas mostram a beleza da “nossa casa”, ao mesmo tempo que a voz de Eduardo Rêgo (autor da locução) nos faz meditar sobre o nosso maior problema.
Ao longo do vídeo (de cerca de 4 minutos e meio) é possível viajar por paisagens naturais, retratadas pelo Paulo Ferreira, ao sabor da mensagem de que é importante mudarmos de rumo. Um rumo que nos leve de regresso à natureza, dado que estamos a perder o sentido da complementaridade. Do afeto, do gosto pela cooperação. Falta vivermos mais próximos, mesmo que fisicamente distantes. É urgente o regresso à natureza, pois ainda existem lugares onde a vida respira plenitude e paz.
Tal como é dito no vídeo, a felicidade é a utopia permanente da criança que há em Paulo Ferreira. Inocente, que tropeça, cai, mas vai em frente à procura do que não vê…, mas sente! É por isso ele gosta de “namorar” a natureza e mostrá-la às pessoas, para que elas reencontrem o caminho para “casa”. Um objetivo claro que nos coloque mais próximos dela, pois só assim a vida será sustentável e talvez possamos fazer regredir as alterações climáticas.

Veja o vídeo em baixo.

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Luta entre Britangos

O abutre-do-egipto é uma ave que pode ser encontrada em Portugal. Tais abutres possuem plumagem branca e pescoço emplumado. Também são conhecidos pelo nome de Britango. Nesta fotografia é possível visualizar a luta entre duas aves, com a presença e olhar atento de um Grifo.

Luta entre Britangos

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A cegonha-preta

Situado no Parque Natural do Douro Internacional, o miradouro do Penedo Durão, proporciona uma vista pouco comum. Não existem muito lugares no mundo, onde se possa observar de cima, o voo das aves.

No cimo do maciço rochoso, à beira de escarpas de cortar a respiração, rodeado por uma paisagem que realça a mão do Homem ao longo de várias eras, o mais fácil é avistar uma ave em voo. 

O sossego é ensurdecedor. Não fosse a leve brisa que se fazia sentir no momento destes registos, quase que se ouvia as penas das asas a deslizarem sobe a camada de ar quente que se eleva neste local, ao final da tarde.

O objetivo era fotografar os “Grifos”, mas a surpresa é sempre bem vinda. E como nestas coisas da vida selvagem e da imprevista natureza, não há garantias de nada, eu até fiquei algum tempo a duvidar do que os meus olhos me queriam transmitir. Lá ao longe, bem por cima do Douro, uma cegonha-preta (Ciconia nigra) planava com as asas bem abertas. O bico e as patas de tons vermelhos realçavam ainda mais o majestoso voo.

Depois de uma troca rápida de objetivas (200 por 600mm) ainda fui a tempo de realizar esta fotografia:

Cegonha Preta

O Rio Sousa lá do alto

São incontáveis os locais quer em Portugal, quer lá fora, onde já tive a oportunidade de fotografar. Fosse na paisagem mais plana ou mais montanhosa, ao nível do solo, ou num plano mais elevado. Na sua maioria acabam sempre por me surpreender. A vista lá do alto é sempre diferente. Pois a nossa existência restringe-se à nossa capacidade de locomoção. Mas contam-se pelos dedos, os sítios que realmente me fascinaram verdadeiramente, no que toca à vista aérea. Este é um deles. Mas não é obra do acaso. É o resultado da nossa capacidade de imaginar, de ver mais longe, se sonhar e concretizar. Aqui fica o resultado de uma miragem. O Rio Sousa, numa das suas curvas que só ele tem.

Que esta fotografia consciencialize as pessoas (principalmente aqueles que detêm a capacidade de mudar, arriscar, ir mais longe), para a necessidade de se preservar um local único.

HOPE

Uma nuvem desceu sobre o mundo.
Pela primeira vez, na nossa atarefada civilização global, todos nós parámos.
Embora isto continue a ser incrivelmente desafiante para todos nós, há uma certa beleza nesta quietude.
E, enquanto partes do nosso mundo ardem nas chamas de um tempo passado, aos que ficam é-lhes dado a escolher.
Uma oportunidade, não de voltar ao passado, mas de sonhar e agir, e criar o que será.
Como todas as tempestades, também estas nuvens passarão.
Do outro lado destas nuvens, há um sol que irradia esperança para o nosso mundo.
Há uma oportunidade para todos nós vermos além da mera sobrevivência e abraçarmos o futuro, no qual nós e o nosso planeta podemos prosperar como um só.
Prepara-te. O mundo como o conhecemos, mudou para sempre.
O laço que nos liga a todos é a esperança.
Esperança de voltar às coisas que todos nós amamos.
E, contudo, a esperança de que não regressemos ao modo como fazíamos as coisas anteriormente. Esta viagem começa… com ESPERANÇA.

Clique na imagem em baixo para visualizar o vídeo.

A Lontra Europeia ou Lontra Euroasiática

Vale do Rio Sousa, nas proximidades dos “Moinhos de Jancido”. O relógio marcava 08H30 e a temperatura rondava os 4 ºC. Ao descer a serra, por entre as árvores e a caminho de um local isolado para fotografar aves, reparei que havia alguma ondulação nas margens do Rio. Cautelosamente, procurei descer ainda mais na ânsia de encontrar um sitio mais aberto, de onde pudesse clarificar o motivo para tal ondulação. Por momentos não vislumbrei absolutamente nada. A ondulação havia desaparecido.

Desanimado, comecei a caminhar ao longo da margem do Rio. Rio acima, alguns minutos depois, como por magia, os meus olhos fixaram-se nos olhos de uma Lontra. Inacreditável! Tentei não fechar os olhos. Não queria acreditar que diante de mim, talvez a uns 50 metros, a cabeça de uma Lontra deslizava sobre a água fria, naquela manhã de Janeiro. Inconscientemente, levei a câmera fotográfica aos olhos e comecei a fotografar. Incrédulo, duas fotografias depois, ela mergulhou e não mais a voltei a ver. Por sorte, a objetiva que estava a utilizar no momento, era de 600mm.

O seu gosto pela água (se for preciso, aguenta-se mais de cinco minutos submersa), aliada ao facto de ter uma dieta maioritariamente carnívora, tornam-na um animal de hábitos especiais. A começar pela sua performance enquanto predadora: com olhos que vêem mais no breu da noite, com olfato que chega longe (têm um dispositivo ao nível do nariz que deteta vibrações abaixo da linha de água), e com uma audição superior à de muitas outras espécies, a Lontra espera pelo pôr do sol para utilizar as suas armas. As presas são sobretudo peixes ou crustáceos, em menor escala outros mamíferos, e eventualmente répteis à falta de melhor.

Aqui fica a fotografia.

A neblina da manhã ao redor do Monte Crasto

Numa manhã fria dos primeiros dias de Janeiro de 2021, acordei pelas 06H30 com o objetivo de fotografar e filmar alguma fauna e flora nas proximidades dos Moinhos de Jancido. Quando me dirigia para o local, circulando nas proximidades do Monte Crasto, verifiquei que a neblina estava muito densa. Logo imaginei como é que seria a vista lá do alto. Será que conseguiria ver algum pormenor do Monte Crasto, destacado no meio do manto branco que o envolvia?
Não havia outra forma de o saber e como tal decidi fazer uma paragem e levantar o drone.
Para espanto meu, tudo ao redor estava envolto numa neblina branca que refletia a luz do sol da manhã e no meio, surgiu o Monte Crasto. Primeiro estava quase completamente tapado, mas dois minutos depois abriu mais um pouco. Foi quando pude registar esta fotografia. Um minuto depois e estava novamente tapado pela neblina. Fiquei ali uns 20 minutos a fotografar e a filmar, sempre que a neblina destapava o monte.
Ver assim o Monte Crasto é uma experiência única. E como nem toda a gente tem a possibilidade de voar, aqui fica esta fotografia. Espero que vos motive e inspire para a vida que todos temos que enfrentar. Bom 2021.

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Pela manhã nos Moinhos de Jancido

Moinhos de Jancido

O Outono é para mim, uma das estações do ano, mais produtivas ao nível da fotografia. Normalmente quando faço viagens escolho sempre entre o Outono e a Primavera. São as duas fantásticas para quem gosta de fotografia. Esta fotografia que divulgo agora no meu site, tem um significado especial para mim. Ela foi obtida há alguns dias atrás, quando no seguimento de um trabalho que estava a realizar, fiquei motivado para outro. E quase todos os fins de semana tenho levantado bem cedo e percorro os caminhos dos Moinhos de Jancido. Foi numa dessas manhãs, que registei este momento. Seriam cerca das 07Hoo quando este cenário se proporcionou diante de mim, Esta fotografia foi obtida pelo método de HDR. Esta é uma técnica que procura alargar o alcance dinâmico de uma determinada fotografia. Basicamente é representar o melhor possível, quer as áreas mais escuras, quer as mais claras, criando vários pontos de ajuste numa única fotografia. Esta em especial, dedico-a aos “Rapazes de Jancido”.

Viagens e Memórias – Museu Mineiro de São Pedro da Cova

Viagens e Memórias – Museu Mineiro de São Pedro da Cova

Em Maio de 2020 recebi um convite da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, para realizar um vídeo. Esse vídeo seria para dar a conhecer o Museu Mineiro de São Pedro da Cova, dado que face à pandemia as pessoas não visitavam o espaço. Era pois necessário utilizar as redes sociais e levar um video ás escolas, nomeadamente aos mais novos para assim colmatar este problema. Aceitei o desafio e iniciei o trabalho em Julho de 2020.

Um trabalho diferente dos que tenho realizado (a sua maioria sobre a consciência ambiental). No entanto revelou-se motivador e o mais difícil foi criar uma história que narrasse uma visita ao interior do Museu e por outro lado contasse histórias de gente que viveram “os tempos da mina”. Tudo isto se tornou mais fácil quando a Micaela Santos se envolveu no trabalho e deu voz á narrativa.

São Pedro da Cova foi moldada pelas minas de carvão existentes nesta freguesia do concelho de Gondomar, durante cerca de 140 anos. A sua atividade encerrou há cerca de 60 anos. Atualmente, tudo o que resta é história, um legado e uma identidade única em Portugal.

Quase 6 meses depois, chegou a altura de dar a conhecer esse vídeo. Face á pandemia que atravessamos, é impossível agendar um evento com publico para divulgar este vídeo. Assim e porque a vida não pode parar, aqui fica o video agora publicado pela página da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova. 

Veja o vídeo (disponível apenas a partir do dia 20 de Dezembro pelas 16H00), clicando na imagem seguinte:

Nova Zelândia – A aventura do drone

Nova Zelândia, 07 de Maio de 2018. Acordei bem cedo, depois de uma noite onde pernoitei em Taupo. O meu objetivo para esse dia era percorrer um trilho de cerca de 16 Km que me levaria a visitar os lagos “Blue Lake” e “Nga Puna a Tama” no Parque Nacional Tongariro na ilha Norte. Estava também prevista uma passagem pelo cume do vulcão se fosse possível.

Depois de um pequeno almoço à pressa, que a luz do dia não tardava a surgir, desloquei-me até ao Parque Nacional. A distância que separa Taupo de Tongariro é de cerca de 100 Km. A viagem foi rápida pois a ânsia de iniciar o trilho era enorme. No entanto antes de chegar ao Parque, decidi colocar no ar o meu drone, o Inspire 1, dado que a paisagem era avassaladora e não quis perder aquele enquadramento. Foi um erro enorme, é a minha convicção ainda hoje. Fascinado com o local, não me apercebi da distância que o drone tinha percorrido, pois queria que ele fosse até muito perto do cone do vulcão. Já se tinha afastado talvez uns 4 ou 5 Km quando dei por mim a olhar para os dados no controlador. Motivo mais do que suficiente, para perder a ligação entre o drone e o controlador. Não fosse isso suficiente, o facto de haver atividade vulcânica na zona, ajudou a que as coisas se complicassem ainda mais, dada a interferência rádio.

Sei agora (pois tive acesso mais tarde ás imagens do drone), que o equipamento esteve parado na mesma posição, durante cerca de 2o minutos e depois aterrou sozinho. Só que pousou no topo de uma árvore, pois o local é repleto de vegetação muito densa.

Na imagem anexa é possível ver os pontos 1, 2 e 3. O ponto 1 era o local onde eu estava a controlar o drone. O ponto 2 era o único acesso possível (de carro) ao interior da floresta e não foi mais do que 500 metros a partir da estrada principal. O ponto 3 foi o local onde o drone pouso sozinho. A linha amarela, era o rilho que eu pretendia fazer nesse dia.

Nesse dia tentei entrar na floresta, com o o objetivo de encontrar o drone, mas após percorrer 100 metros, olhei para trás e já não sabia para onde ficava o local de onde parti. Isto porque a vegetação era muito densa e não permitia olhar as referências. Desolado, deixei o local e regressei a Taupo. Acabei por não fazer o trilho.

Passei a 2ª noite em Taupo e na manhã seguinte, ao pequeno almoço, comecei a pensar que não iria deixar o drone no Parque Nacional, pois era um objeto estranho. Dei por mim a pensar de que forma o iria recuperar. Eu sabia a ultima localização conhecida do drone, mas também não tinha a certeza que assim fosse. Nunca havia experienciado uma coisa assim. Uns minutos depois, já no fim do pequeno almoço, ocorreu-me uma ideia. Taupo é uma cidade pequena mas com muitas lojas de artigos para os pescadores. E se eu comprasse um rolo de fio de pesca? Isso poderia ajudar–me a encontrar o drone. Sempre seria mais seguro para mim, enveredar pela floresta dentro.

E assim foi. Comprei um rolo de fio com 350 metros. Não seria suficiente mas era o maior que havia. Regressei ao Parque Nacional nessa manhã, decidido a encontrar o drone.

Pelo caminho ainda tentei ajuda junto de um posto da policia do parque, mas o “Crocodilo Dundee” (vestido a rigor), não estava disposto a ajudar, dado que eu havia infringido uma regra do Parque. Por muito que eu explicasse que estava fora do Parque, ele não quis saber e a única coisa que fez foi dar-me um contacto telefónico de uma pessoa que conhecia muito bem a região e que poderia ajudar na localização. Azar o meu, liguei para esse contacto e naquele dia estava na Ilha Sul.

Parecia que estava tudo contra mim. Mas não desisti. Regressei ao local e avancei pela floresta dentro. Percorri os 100 metros do dia anterior pois as minhas pisadas ainda estavam marcadas no terreno e só depois é que amarrei o fio de pesca a uma árvore. Fui desenrolando o fio e olhando para o controlador que me orientava no sentido da localização do drone. Se eu pretendia seguir a direito, quando olhava para trás, era tudo curvo. Pelo meio tinha de descer aos regatos e subir de novo por entre as árvores densas da floresta. As folhas das plantas agarravam-se à roupa e tudo parecia colar ao corpo.

Uma meia hora depois, estava muito perto da localização do drone dada pelo controlador e o rolo do fio também chegava ao fim. Comecei a olhar para a copa das árvores, pois era natural que estivesse lá, uma vez que eram muito densas. Mas por muito que olhasse não via nada branco (a cor do drone).

Uns minutos depois, já quase a desistir, os meus olhos fixaram-se no drone. Estava no chão. Vi um conjunto de peça de cor branca e avancei da sua direção. A alegria era imensa. Tinha encontrado o drone, não queria acreditar. Era como se tivesse encontrado uma agulha num palheiro. Só que assim como fiquei feliz, rapidamente esmoreci, pois reparei que o drone estava partido em muitos locais. E a parte mais importante para o meu trabalho, a câmera, estava partida uns metros mais ao lado.

Peguei no drone e disse para mim mesmo que pelo menos o tinha recuperado e não iria ficar com a sensação de que um dos meus equipamentos tinha ficado num local tão natural como aquele. 

Regressei ao ponto de partida, enrolando novamente o rolo de fio e a pensar como é que iria resolver o problema de ficar impossibilitado de registar imagens aéreas para o filme que ali tinha ido fazer (AOTEAROA – We Are All Made Of Stars).

Os dias seguintes foram difíceis pois não tinha comigo todas as ferramentas que havia levado de Portugal até à Nova Zelândia. No entanto quando me desloquei para a ilha Sul, percebi que não valia a pena ficar agarrado a esse problema e dediquei-me fortemente ao registo de timelapse e video. A ilha Sul é mais montanhosa do que a ilha Norte e favorece imenso a captura de imagem, quando nos deslocamos para pontos elevados.

Esta foi apenas uma das histórias que vivi na Nova Zelândia.


Islândia – depois da tempestade

Durante a minha passagem por Vík í Mýrdal, na Islândia, local onde estive durante 3 dias com o objetivo de recolher imagens para o filme “This Is Our Time“, poucos foram os períodos de tempo em que me foi possível filmar ou fotografar (timelapse). Isto porque durante todos esses dias, choveu intensamente. No entanto no final do ultimo dia e já a caminho de um outro local mais a Oeste, deparei-me com este final de tarde maravilhoso. Poucos minutos, no entanto memoráveis e que não deixei de registar. Este local designa-se por Reynisdrangar, e aqui é possível ver os enormes rochedos vulcânicos que se erguem do mar, nas proximidades da montanha Reynisfjall.

20 Anos da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia

20 anos depois da proclamação solene (aconteceu no dia 7 de dezembro de 2000), pelo Parlamento Europeu, Conselho da União Europeia e Comissão Europeia da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, fui convidado a realizar um vídeo que assinalasse este momento.
Claro está que aceitei este desafio, mesmo sendo eu uma pessoa mais ligada aos vídeos e filmes sobre o ambiente. Isto porque muito para lá do desafio, estava o facto de se tratar de um vídeo sobre um documento tão importante para Portugal e para a Europa. Não nos devemos esquecer que este documento veio a ganhar natureza jurídica vinculativa sete anos mais tarde, num momento de grande significado político, com a aprovação do Tratado de Lisboa.

Segundo a Dra. Isabel Santos, deputada ao Parlamento Europeu:
[…]Este é também um momento em que se revela muito importante recordar e valorizar os fundamentos em que devem assentar as nossas sociedades: Democracia e Liberdade. É preciso reafirmar que, apesar das dificuldades provocadas pela pandemia de Covid19, os direitos não estão – não podem estar – suspensos. Existem e são uma garantia para todos os cidadãos europeus.[…]

Fundamentalmente trata-se de um vídeo para assinalar o vigésimo aniversário da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, um passo fundamental na construção da cidadania europeia. É importante que os cidadãos conheçam os seus direitos e os exerçam.
Espero que este vídeo e o e-book que o acompanha, sejam motivos suficientes para que os mais jovens se interessem mais por este assunto.

Veja o vídeo, clicando na seguinte imagem:

Dias de neve são dias de magia

Dias de neve são dias de magia no Parque Natural do Alvão. Aproveitando um desses dias, decidi realizar uma caminhada pelos locais mais naturais e recônditos do parque, com o objetivo de produzir conteúdos para atuais e futuros trabalhos. Aqui ficam algumas fotografias e o vídeo com imagens da neve e planos de timelapse do Parque Natural do Alvão. Imagens de 2019 e 2020.

Vê o vídeo no meu canal do Youtube, clicando na imagem seguinte:

Documentário sobre os “Rapazes de Jancido”

Fotografia com os

Documentário sobre os “Rapazes de Jancido”

Há alguns meses atrás, a convite do António Gonçalves, um dos “Rapazes de Jancido”, fui conhecer melhor o local a que chamam “Os moinhos de Jancido”. Surpreendentemente fiquei pasmado com o que na altura vi com os meus olhos. Uma área imensa, onde é possível ver os moinhos de água envoltos pela natureza. E tudo isto foi possível graças ao trabalho árduo de 5 pessoas que sábado após sábado marcam presença nos vales ao redor do Rio Sousa, por onde os ribeiros correm naturalmente e a fauna e flora existem como em poucos lugares do concelho de Gondomar.

Na altura, o António Gonçalves fez questão de me mostrar tudo o que havia para ver, ouvir e saber. Confesso que saí de lá, quase de noite e com a sensação de que não tinha visto tudo. Como tal, decidi regressar mais tarde. Alguns dias depois, tive a possibilidade de conhecer os restantes membros, o Albino Sousa, o Fernando Sousa, o Manuel Sousa e o Paulo Campos. “Rapazes” de uma humildade natural, de um saber e experiência única e de uma paixão pelos “Moinhos”, como nunca vi. Encontrei-os várias vezes a trabalhar arduamente no local. Umas vezes a reconstruir as paredes de pedra dos moinhos, outras a limpar terrenos na envolvente.

Sempre me questionei porque razão se dedicavam tanto a um sitio, sem qualquer interesse como contrapartida. A resposta foi chegando aos poucos, à medida que fui falando com eles. Fundamentalmente era a paixão que os unia em torno da reconstrução dos moinhos. Gente que não perde o tempo em vícios supérfluos, muito comuns nos dias de hoje. Gente que contagia quem por lá passa. Gente com alma e coração. Simplesmente…Gente. 

Meses mais tarde, estava eu a trabalhar num vídeo promocional, quando percebi que tinha de realizar um documentário sobre o trabalho que estes “Rapazes” fizeram e continuam a fazer nos Moinhos de Jancido.

Finalmente, hoje é possível visualizar esse documentário. São cerca de 16 minutos de conversa com estes 5 amigos. Os “Rapazes de Jancido” contam histórias de vida. Aqui fica o filme na plataforma do Youtube.

Os Rapazes de Jancido

Islândia – O degelo dos glaciares

Islândia - O degelo dos glaciares

Islândia – O degelo dos glaciares

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Em 2019 aventurei-me por terras da Islândia. Fui à procura de locais para filmar o documentário curto “This Is Our Time”. Foram poucos os locais totalmente naturais que me me surpreenderam. No entanto relembro este em especial, o glaciar Jokulsarón. Pela sua dimensão e infelizmente porque está a recuar, ou seja, grande parte deste gelo está a desaparecer. No fim desta enorme muralha rugosa, está a surgir um lago por onde os pedaços de gelo passam, a caminho do oceano Atlântico. Fruto do aquecimento global, esta enorme quantidade de água doce, irá desaparecer certamente ainda este século. É triste assistir a algo tão violento. Não porque o possamos sentir no momento, mas porque nada fazemos para fazer regredir as alterações climáticas.

A Humanidade esquece-se que a natureza irá encarregar-se de ordenar o que não está certo. Com seres humanos, ou sem eles, a natureza segue em frente. Por isso, se queremos salvar a nossa existência, temos de reverter o estado atual das coisas. Apostar mais nas energias renováveis em detrimento das fosseis. E principalmente deixar que existam espaços naturais, para que haja diversidade e equilíbrio, de forma a que as florestas possam ajudar-nos a controlar o dióxido de carbono.

O problema é demasiado sério. Não podemos perder tempo.

Veja algumas imagens do degelo:

Estreia do vídeo Wild Is Life no canal do Youtube

Estreia do vídeo Wild Is Life

Estreia do vídeo Wild Is Life

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Realizei este vídeo (com uma seleção de imagens de alguns dos meus filmes realizados na Noruega, Chile, Argentina, Nova Zelândia e Islândia), com o objetivo de motivar as pessoas a cuidar da nossa casa, o Planeta Terra. Sintam cada maravilha do nosso Planeta e procurem a consciência necessária para em cada gesto, ter atenção aos danos que lhe causamos.

Não será demasiado tarde para mudar o atual estado das coisas. Pelo menos deveremos melhorá-las. A ciência e a tecnologia existe, pelo que só falta a vontade
política. A grande dificuldade (tal como diz David Attenborough), será fazer com que as pessoas se importem. Este será o primeiro passo.

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Veja o vídeo no canal do Youtube

Green Fest 2017 – 3 anos depois

Paulo Ferreira no festival Green Fest em Belgrado

Faz precisamente hoje 3 anos que viajei para Belgrado na Sérvia. A convite dos organizadores do festival de cinema “The International Festival of Green Culture”, normalmente designado por “Green Fest”, participei como orador sobre a problemática ambiental. O motivo do convite foi o facto  do filme “Nordlys” ter sido premiado na categoria de melhor filme curto. Foi um momento muito enriquecedor na minha vida, uma vez que me possibilitou conhecer outras pessoas e outras culturas. Tive a possibilidade de conhecer o Exmo. Sr. Augusto José Pestana Saraiva Peixoto, Embaixador de Portugal na Sérvia, a quem entreguei uma edição diária de um jornal português (a seu pedido) e também o meu livro “Patagónia – A Ponta do Mundo”.

Paulo Ferreira entrega um exemplar do seu livro “Patagónia – A Ponta do Mundo” ao Exmo. Sr. Augusto José Pestana Saraiva Peixoto na embaixada de Portugal em Belgrado.

Algumas fotografias que registam a sua presença em Belgrado. Mais informação na página web do festival Green Fest.

Patagónia – O maciço rochoso que se ergue da terra

Era incrível como as montanhas estáticas se destacavam da linha plana do horizonte. Sim, estava a chegar ao Parque Nacional Torres Del Paine.
A viagem de Puerto Natales até ao Parque Nacional decorreu numa ambiência de filme de autor, daqueles filmes tão herméticos na sua essência que apenas o próprio autor o compreende. A viatura avançava velozmente pela estrada e eu tinha a sensação de estar a ver sempre a mesma cena. A escala e dimensão do cenário alargam o horizonte a uma perspetiva difícil de apreender para quem não é habitual destas paragens. A Patagónia é imensa!

Uma noite de Verão em Noudar

O Parque de Natureza de Noudar, tem sido para mim nos últimos anos, uma espécie de refúgio. Sempre que possível, reservo um período de tempo das minhas férias, para ir até lá. Junto o melhor do mundo: O sossego, as paisagens, a natureza e a gastronomia. Tudo isto disponível numa herdade de cerca de 1000 ha, rodeada por azinheiras, pela ribeira de Múrtega e pelo rio Ardila. É aqui, que passo longas noites a fotografar a Lua ou a Via Láctea. Existem vários locais, uns mais remotos e isolados que outros. O desafio é irresistível, pois o céu do parque é único em Portugal.

É também aqui, que se ouvem os sons naturais de uma noite de Verão. Os animais que habitam o parque, como por exemplo o Veado, o Javali, o Lince, a Raposa, o Sacarrabos, o Texugo, o Toirão, o Fuinha, ou o Morcego, fazem com que não consigamos estar indiferentes aos seus sons. Mesmo debaixo de um céu estrelado como o que é visível na fotografia, por entre as azinheiras, em perfeita escuridão, munido de uma pequena lanterna, a noite torna-se arrepiante. O silêncio é absoluto no parque e nem mesmo o “click” da fotografia, ou do registo de um plano de timelapse, fazem com que se perca a noção do local onde estamos. Á luz da nossa galáxia e inseridos no território de outros seres vivos, surge um sentimento de fragilidade aliado a um estado de alerta que nos desperta para a verdadeira essência do mundo natural. É este contacto com a natureza que nos torna mais Humanos, mais sóbrios, longe das televisões e da profecia do apocalipse.

São as noites de Verão, no Parque de Natureza de Noudar.

A vida é feita de pequenos momentos

A vida é feita de pequenos momentos. Pequenas coisas. Pequenos grandes amigos. Amigos que sabem estar. Amigos que sabem receber. E foi apenas isto que me levou a registar esta fotografia. Estávamos em 2018 e tive a oportunidade de conhecer o filho de dois professores, de nome Miguel e que me convidou a passar uns dias de férias numa pequena aldeia, de nome Casalinho lá para as bandas de Proença-a-Nova. Quando lá cheguei, nomearam-me fotógrafo residente (se bem que isso quase ou nunca se tenha aplicado, muito por minha culpa).

Depois de uma longa conversa á mesa, onde todos tivemos oportunidade de expor as opiniões acerca do meu trabalho, das minhas viagens em prol da consciência ambiental, das galáxias e até mesmo de quem sabe verdadeiramente de apicultura, foi-me lançado o desafio de visitar um local ali próximo, com o objetivo de o fotografar. Um local que poucos conhecem, perdido no meio das serranias, lá para as bandas de um tal “Fernando”. Pasmado com o que vi durante o dia, rapidamente imaginei fotografá-lo de noite. E tão depressa imaginei, como depressa chegou a noite prevista. Depois de quase 30 minutos aos saltos dentro de uma Peugeot do século passado, agarrando firmemente a câmera fotográfica, lá chegamos. Essa noite foi para testar o local, no que toca ao melhor enquadramento.

Cerca de um mês depois, numa noite de Verão regressei ao mesmo sitio. Agora em noite de Lua Nova, a pé e sem os solavancos da Peugeot, pois ao que parece “o motor não quis pegar”. Ok. Tudo bem. Quando se procura o que se quer, nada nos impede. E a vida deve ter destas coisas, destes condimentos para nos motivar e para nos motivarmos a nós próprios e aos que nos rodeiam. Por essa razão fui com dois amigos. A verdadeira razão porque os levei (os amigos), foi porque assim os mosquitos que habitam aquele lugar, tinham maior área de pele para picar. Bem tentei que o Miguel também fosse, pois como não tem cabelo, está mais exposto aos mosquitos e talvez isso evitasse que eu ficasse picado. Não tive sucesso. Saí de lá a contar os buracos na pele. Talvez tantos quanto o ruído existente nesta fotografia panorâmica, em virtude do elevado valor de ISO que tive de colocar nos parâmetros manuais da câmera. O sitio era escuro. Tão escuro que os morcegos aparentavam ser de cor branca.

Deixo aqui esse momento, resultante de uma composição de 14 fotografias verticais, obtidas com uma Sony α7R IV e uma objetiva 16-35mm f2.8. 10 segundos de exposição e ISO 6400. Clique na miniatura ao lado, para visualizar a fotografia em tamanho maior.

Cometa Neowise C/2020 F3

Startrail Cometa Neowise
Startrail Cometa Neowise

Quando se tem a oportunidade de observar um cometa que muito provavelmente só será novamente visível daqui a cerca de 7000 anos, não queremos saber do conforto a que normalmente nos habituamos ao longo de gerações. Neste caso nem a chuva, nem o vento ou mesmo a trovoada, o frio, os incêndios que poluem o horizonte, a poluição luminosa, foram impeditivos de me deslocar para o Parque Natural do Alvão, com o objectivo de fotografar o cometa Neowise. Num dos dias em particular, houve uma mudança brusca do estado do tempo, mas ainda assim sempre acreditei que as condições meteorológicas iriam mudar. Depois de muitas horas à espera em lugares isolados, na procura do minúsculo ponto nas imediações da Ursa Maior, fui bem sucedido umas vezes e outras nem por isso.

Quando o vi pela primeira vez, não queria crer no que os meus olhos viam (nunca utilizei qualquer meio para ajudar a identificar o cometa).  Lembro-me da primeira fotografia em particular, pois por volta das 4H45 da madrugada, ele surgiu na linha do horizonte já bem acima das nuvens que existiam na zona. Foi a primeira fotografia que fiz ao cometa. Seguiram-se planos de timelapse que também estão aqui na página. Alguns dias depois decidi começar a observá-lo na tentativa de o fotografar depois do pôr-do-sol (podem ver algumas fotografias na galeria em baixo). A fotografia ao lado é resultante da composição de 330 frames (provenientes de um registo de timelapse que demorou cerca de 60 minutos a obter) e que deu origem a este “Startrail” onde é possível ver a deslocação do cometa e das estrelas. Acreditem que é fantástico observar um objecto desta natureza. Um antepassado de regresso à Terra. Todas as fotografias foram obtidas em dois locais do Parque Natural do Alvão. Aqui ficam algumas fotografias do cometa, para quem não tem a possibilidade de o observar:

Enquanto fazia algumas fotografias, coloquei um segundo tripé cuja camera fotográfica registou alguns planos de timelapse. Deixo aqui um desses planos de timelapse de cerca de 6 segundos e que podem ser visualizado na minha plataforma do vímeo.

Via Láctea – A nossa galáxia

Via Láctea
Via Láctea

A Via Láctea é uma galáxia em espiral da qual faz parte o nosso sistema Solar. Quase todos os objectos que avistamos à noite, fazem parte dela. Visível a olho nu, nem sempre é possível a observarmos. Isto porque a poluição luminosa é o maior entrave à sua observação. Por esta razão, é necessário que se façam alterações profundas em muitas áreas para que no futuro seja possível continuar a observá-la.

Esta panorâmica é resultante da composição de 14 fotografias verticais e foi obtida na zona do Parque Natural do Douro Internacional, nas proximidades de Miranda do Douro. Nem sempre é fácil obter uma fotografia como se quer e quando se quer. No entanto, este fim de semana a Lua estava “ausente” e as condições climatéricas previam bom tempo (pese embora o facto de durante a noite terem surgido algumas nuvens altas), razões mais do que suficientes para me colocar a caminho e passar algumas horas longe da cidade e longe da luz, mas perto das estrelas. Foi um privilégio observar as searas do planalto de Miranda, iluminadas pela luz das estrelas e de alguns planetas como por exemplo o alinhamento de Saturno e Marte, visíveis no canto inferior direito da fotografia.

Como é possível ver nesta fotografia panorâmica, existem pontos de grande luminosidade, provenientes das aldeias dispersas pelo planalto Mirandês. E a luz dessas aldeias é projectada para a atmosfera, iluminando neste caso em particular, as nuvens de altitude que se faziam sentir nessa noite.

Apesar da luz artificial incutir alguma beleza à fotografia, não é nada agradável para quem gosta de fotografar a Via Láctea, seja ele um fotografo profissional ou amador.

Clique aqui para visualizar a fotografia com maior definição.

Patagónia – El Charpitero Gigante

El Charpitero Gigante
El Charpitero Gigante
A viagem de Puerto Natales até ao Parque Nacional decorreu numa ambiência de filme de autor, daqueles filmes tão herméticos na sua essência que apenas o próprio autor o compreende: a viatura avançava velozmente pela estrada e eu tinha a sensação de estar a ver sempre a mesma cena. A escala e dimensão do cenário alargam o horizonte a uma perspetiva difícil de apreender para quem não é habitual destas paragens. De início o trilho mostrava-se intratável, muito difícil e lento, por entre pedras soltas que a cada passo para a frente me faziam deslizar dois atrás. Com meia-hora de caminho necessária para alcançar a meia-encosta, o trilho seguia as curvas do vale que me levaria à base das torres num passo, agora, mais firme e seguro pois o desnível era pouco acentuado. Aqui ou ali salpicado por Lengas acompanhava a margem direita do rio Ascencio, visível no seu correr por entre as pedras e as Lengas de cores douradas que polvilhavam as margens. Apesar de algum vento forte, o dia estava bom para caminhar. Neste mister de calcorrear os caminhos por onde já ninguém anda, sobra-nos tempo para arrumar ideias dentro da cabeça, planear projetos ou, simplesmente, sentir o pulsar da vida na sua plenitude tornando-nos em recetáculo geral de todas as sensações. Do milhão de memórias que carregava comigo, o cérebro insistia em relembrar-me constantemente que eu estava a caminho de Las Torres Del Paine, do que iria ver diante de mim quando lá chegasse. Essa dúvida, incerteza, desconfiança, crença… alimentava-me de coragem e força para vencer a etapa. Ver com os meus olhos, primeiro; primeiro, o olhar. Sempre.
Por uma antiga e rudimentar ponte de madeira saltei o rio Ascencio que há alguns quilómetros me vinha a acompanhar para entrar num bosque fechado de Lengas, a árvore mais característica da Patagónia. Em sintonia, tudo se complementava, forma e conteúdo no seu esplendor. Sentado para descansar alguns minutos e hidratar-me, ergui-me de sopetão ao surpreender-me com o inesperado: a cerca de 20 metros de distância, por entre os ramos das árvores, duas aves de médio porte a saltar de tronco em tronco. Não cria nos meus olhos, mentiam seguramente.
Trocada a grande angular até aí usada, por uma outra de “400 mm”, lancei-me em perseguição desabrida daqueles “pica-paus” até perder a noção do local em que havia deixado a mochila. Sei agora que era um pica-pau preto de nome El Charpitero Gigante, cuja principal característica distintiva entre géneros é a cabeça vermelha do macho, fácil de observar sempre que este percorre o tronco de uma árvore em busca de alimento. De novo a caminho, estava maravilhado com o constante deslumbramento provocado por todos estes encontros, casuais ou não. O avistamento dos pica-paus não me saía da cabeça, tão surpreendente quanto mágico havia sido.

As cores de Inverno no Alvão

O Parque Natural do Alvão, tem sido para mim, um lugar mágico que me permite fotografar ao longo de todas as estações do ano. Todos os anos regresso ao parque e todos os anos fico surpreendido com o que ele me oferece. Quase sempre o faço para caminhar, fotografar, filmar e registar planos de timelapse. Procuro os detalhes do parque. Os pormenores. Aqueles recantos, que só quem caminha, descobre. É minha opinião de que não tem sido devidamente acompanhado pelas entidades que a ele estão ligadas. Deveriam cuidar dele de uma forma mais assídua, com aplicações práticas ao nível da reflorestação e ordenamento. Apesar disso, continuo a fazer o meu trabalho, a titulo individual e isento de forças externas. Deixo aqui algumas fotografias que registei há relativamente pouco tempo, de alguns recantos do parque e que são o exemplo das cores e tonalidades que se verificam nesta época do ano. O fim do Inverno e o inicio da Primavera. Tons de verde e amarelo que afastam as cores frias do Inverno e que são sinónimo da chegada da Primavera. Já se vêem as pessoas a conversar junto aos ribeiros que atravessam estes terrenos de cultivo. Os animais pastam ali mesmo ao lado, procurando os suculentos rebentos verdes da erva e dos arbustos. Longe da aldeia global, esta gente “da aldeia” que teima em não se ligar ao mudo, vive o seu dia a dia. Devagar. Como deveria ser vivido. O problema será quando desaparecerem. A pequena aldeia perde a ligação à aldeia global e tudo termina. No esquecimento. Perde-se assim mais um dos elos que nos ligam à natureza.

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As cores de Inverno no Alvão

Para visualizar a fotografia em tamanho maior, clicar em cima da imagem.

Fin De Sendero Del Glaciar

Sendero Del Glaciar
Sendero Del Glaciar

Ao longe, o canal de Beagle e a ilha de Navarino, no Chile. Que visão extraordinária, um quadro natural a merecer contemplação.

À saída de Ushuaia a tarde estava amena, mas a aproximação ao glaciar fazia-se notar amiúde no arrefecimento do ar. A chegado ao topo da subida havia terminado. Podia agora respirar bem fundo e aliviar a pressão causada pelo esforço feito. A primeira etapa estava ultrapassada. Depois de atravessar uma pequena ponte de madeira que levava ao lado contrário do riacho que resulta do degelo da neve na montanha, o trilho era agora bem mais suave embora bastante lamacento. Foi aí que acelerei o passo, sempre com os olhos postos no cume da montanha que estava bem na minha frente e de onde já era possível ver o glaciar.

O caminho serpenteava ao longo do riacho e aqui ou ali eu ia fazendo fotografias, para alguns quilómetros à frente a planície dar lugar à subida cujo trilho estava bem delineado na encosta da montanha. Havia um contraste muito grande entre a rocha cinzenta e o trilho definido pela constante presença do Homem. Fiquei com a perfeita noção da distância que ainda faltava percorrer. A subida era demasiado dura e eu carregava todo o equipamento às costas, mas lá diz o ditado: quem corre por gosto não cansa.

O deslumbre da paisagem era motivador. Duas horas após o início estava no fim do trilho: Fin De Sendero Del Glaciar, inscrevia-se numa placa informativa. Bem por cima de mim estava o enorme glaciar. Imponente, anunciando-se ao Mundo de maneira imperial pelo som aterrador surgido do atrito causado pelo seu movimento.

Posicionei o tripé ao nível do solo, pois o vento era bastante forte e derrubava-o sempre que o levantava à altura máxima; ajustada a câmera, agarrei-me a ele e ali fiquei durante longos cinco minutos, aninhado.

Patagónia – Subida ao Fitz Roy

No trilho para o Fitz Roy
Patagónia – No trilho para o Fitz Roy

O rio corria sem sossego por entre as pedras do vale. Em redor, árvores vestidas com os tons de outono cobriam todo o vale até meia encosta, onde já surgia a neve e, de súbito, imponente, o maciço rochoso do Fitz Roy. O pico, fantasmagórico no seu incessante jogo de escondidas com as névoas.
Nada substitui a experiência pessoal, cunho marcado da vivência in loco. O registo mecânico permite a guarda, para memória futura, de cada detalhe, elemento, pormenor. É um resgate feito ao passado, transmitido em herança às gerações vindouras. Mas a memória visual, mesmo que falível, mesmo que roída pelo tempo, é feita da vivência pessoal, intransmissível, incorruptível na essência – eu vi o Fitz Roy!

Posto a caminho, atravessei rio Blanco para chegar ao último acampamento antes de atingir a base do Fitz Roy: Camping Rio Blanco.

O sol ia alto e o calor inclemente era um braseiro que trazia sob a roupa; estava a ser tomado pelo cansaço. Obriguei-me a parar, descansar e a beber água, a hidratação é fundamental e eu não me esqueci dela durante os dias anteriores.

Um painel de madeira ali perto informava um quilómetro para chegar ao fim do trilho e sugeria ao leitor que verificasse o seu estado físico. Agora??? Depois de 11 quilómetros percorridos é que sou alertado para isto? Vim eu do outro lado do mundo para me atirarem este desaforo à cara? Se tinha chegado até ali, iria certamente percorrer o último quilómetro tal como havia feito os anteriores. Qual é a dificuldade?, atirei, altivo, em modo desafiador aos deuses da fortuna. Por um mísero quilómetro… Por quem me tomam?

Patagónia - Fitz Roy
Patagónia – Chegada ao Fitz Roy

Resoluto, a mastigar quezília, fiz-me à vida que não me atenho a pormenores. De súbito… estanquei. As árvores tinham desaparecido e o que se plantava diante dos meus olhos exauriu-me todas as forças: o trilho seguia montanha acima numa inclinação que de acentuada não tinha nada – tinha tudo!

Como uma cobra, serpenteava a encosta. Ah!, pois… admiti a custo: o tal quilómetro em falta!

Degelo do glaciar Tasman

Tasman Lake
Tasman Lake

Esta fotografia tem um significado especial para mim, embora por maus motivos. Foi registada aquando da minha aventura pela Nova Zelândia, para realizar o documentário curto “Aotearoa-We Are All Made Of Stars“.
Nela é visível o Lago Tasman. Este Lago só começou a surgir há relativamente pouco tempo (1990), fruto do degelo do glaciar Tasman no parque nacional “Aoraki/Mount Cook National Park”. Prevê-se que daqui a 20-30 anos, o glaciar Tasman (visível ao centro, próximo das montanhas), desapareça por completo. É perfeitamente notória a erosão nas margens do lago. Dá para perceber que outrora, o glaciar cobria toda esta área e cujo degelo deu lugar ao lago. Há gente que acredita que tudo isto é uma invenção. Infelizmente tenho tido a oportunidade de comprovar que estão errados.

Ser Humano é ser inteligente

Perito Moreno - Degelo
Perito Moreno – Degelo

António Mota – Autor do prefácio do meu livro “Patagónia – A Ponta do Mundo“, escrevia assim:

Neste livro “Patagónia A Ponta Do Mundo” a narrativa luta com a imagem pela supremacia na entrega da mensagem. Cabe ao leitor avaliar qual cumpre melhor o objectivo, mas, acima de tudo, devemos assumir que ambas contribuem para a consciencialização da humanidade na necessidade da manutenção saudável do nosso suporte de vida, a Terra (“Our Home”, na locução do filme homónimo do mesmo autor).

Se a força da prosa está na sua simplicidade já para imagem está no pormenor onde se percebem provas da degradação do ecossistema, habitat de muitas espécies. Se todos aceitamos provas da extinção de algumas, ou melhor, muitas espécies, porque não o há de acontecer com a nossa? Einstein disse, ”Deus não joga aos dados”, noutro contexto, mas com o mesmo sentido, eu direi “a natureza não toma partidos”, porque nos haveria de poupar? A continuarmos a tratar este planeta, “a Nossa Casa”, como até aqui esse será também o nosso destino.

A nossa agressão ao meio ambiente pode ser melhor compreendida através de um modelo aproximado, fazendo um paralelo com o nosso corpo. De entre as muitas bactérias que nos habitam, as que prejudicarem o organismo serão combatidas pelo nosso sistema de defesa, o nosso organismo dá-nos sinais desse conflito através de um mal-estar generalizado. Como insistimos na cegueira de ignorarmos os fenómenos atípicos (sintomas) que a natureza nos tem enviado, senão, uma reacção de defesa do organismo vivo que nós também habitamos e agredimos, “a TERRA”.

Esta ideia é base da teoria GAIA (divindade que representava a terra na mitologia Grega) que vê a terra como um complexo sistema autor regulador, característica de qualquer ser vivo, e propõe que a biosfera (todos os seres vivos) e toda a parte física da terra; atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera se comportem como órgãos de um só corpo a trabalharem para o mesmo objectivo: a manutenção das condições climáticas e bioquímicas necessárias à vida. Uns ainda não aceitam como um facto, as alterações climáticas, muitos já, mas, a maioria, não mudou uma palhinha nos seus comportamentos. Temos a toda a hora exemplos disso, quem nunca viu o automobilista da frente a lançar pela janela fora, lugar que é de todos, um qualquer objecto de que já não necessita?

Ser “Humano” é ser inteligente, crescemos física e intelectualmente e devemos adaptar, através da inteligência, constantemente, os nossos comportamentos à luz dos novos conhecimentos, comportamento em concordância com conhecimento. Não vejo há muito tempo uma mudança positiva nos hábitos quotidianos que não fosse obrigatória, veja-se os sacos plásticos de compras.

A mudança só será efectiva e rápida se for livre e colaborativa, se partir de cada um, com convicção, será permanente, já a obrigatoriedade implica uma supervisão e que por natureza humana parece feita para ser ludibriada, corrompida, uma tentação.

Livro – Patagónia a ponta do mundo

O trilho da vida

Parque Natural do Alvão
Parque Natural do Alvão

Existem dias na vida, que nos levam a meditar sobre o que andamos nós (Humanidade), realmente a fazer. Cada um de nós vai desenhando um caminho em função de muitas variáveis, que nos guiam ao longo da vida e nos fazem mudar ou não de trajectória. Todos percorremos o trilho da vida.

Esta fotografia foi registada no Parque Natural do Alvão, naquela que é para mim, umas das melhores épocas para a fotografia, o Outono. Clique  na imagem para a ver em tamanho maior, ou então clique neste link.

Nela está bem patente cada recanto, cada bocado de terra, fruto da mão do Homem ao longo de muitas gerações e que são um encanto para a vista Humana.

Terra que produz, que não foi desenhada com régua e esquadro, no entanto é um caos que me fascina. Nem tudo tem de ser rigor. O tempo, por exemplo, não pode ser dominado pelo Homem. A meteorologia, por exemplo, não tem de ser o resultado de a+b em função do que pretendemos para dado momento. E enquanto estas variáveis não forem dominadas pelo Homem, ainda há algo a que nos possamos agarrar. Ainda há a possibilidade do caos se pronunciar. Ainda há a possibilidade de viver, percorrendo o trilho da vida.

E para isso é preciso fazer alguns sacrifícios, nomeadamente:

Levantar bem cedo da cama, caminhar durante largos quilómetros, ter alguma capacidade de ultrapassar dificuldades e acima de tudo, vontade de estar em contacto com a natureza. Fugir do stress das cidades, fugir da falta de tempo, aproveitar os fracos raios de sol desta época do ano, ouvir o vento nos ramos despidos das árvores, interrompidos aqui ou ali pelo “click” da câmera fotográfica. A isto, chama-se viver.

Porque a vida não é este corropio de viagens entre a nossa casa, o local de trabalho e ao fim de semana, o shopping, polvilhadas ao longo da semana de notícias de que afinal os animais e as plantas sofrem, o oxigénio na Índia pode custar 6 Euros, ou enquanto alguns respiram o suor dos ginásios.

Quando olho para esta fotografia, vejo um passado de dificuldades, de trabalhos árduos, de sofrimento quer do Homem quer dos animais e já agora, das plantas. Mas nunca nos devemos esquecer, de que afinal somos resultado do passado. Da evolução. Evolução que porventura poderá não estar certa, mas certamente estará nas mãos de cada um de nós.

Portanto, hajam! Não façam da vida, um mero usufruto do que o passado vos deu. Criem o vosso próprio trilho.

Esta é a nossa única casa, a Terra.

Nunca o mensageiro pode ser mais importante do que a mensagem

Islândia – Paulo Ferreira

Sempre fui uma pessoa que não enveredou por alarmismos, tento manter a calma mesmo nos momentos onde ela não deveria entrar. Se assim não fosse, nunca teria enveredado pela técnica de timelapse, certo?
Nunca segui as massas e faz-me um bocado de confusão, ver todos os dias nos meios de comunicação social, uma espécie de histerismo colectivo, vindo não se sabe muito bem de onde, mas que tem colocado a sociedade numa polarização nunca antes vista.
É sabido que nós Humanos, temos de mudar muita coisa, numa tentativa de reduzir gastos com recursos naturais, que não fazem sentido continuar a desperdiçar.
Optar por outras formas de energia, menos destruidoras dos ecossistemas. Mudar de hábitos, de politicas, alterar costumes e acertar problemas culturais e sociais. Certo!

A Humanidade chegou até aos dias de hoje, pois é a forma como evoluímos. Estão a querer insinuar que evoluímos de forma errada? Há uma geração que roubou a infância da mais actual? Que histeria é esta? A actual interrogação deve-se à evolução. Não estará a inteligência directamente relacionada com a evolução? Já diziam os meus avós: – Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. A vida é assim.
Cair no radicalismo é impedir que a mudança aconteça. E isso ajuda tanta gente! Na minha opinião, nunca um mensageiro pode ser mais importante do que a mensagem que pretende passar. E calmamente tenho tentado que as consciências se formem na cabeça de cada um.
https://pauloferreira.pt/portefolio-de-filmes/

Islândia – Monólogo com uma foca

Foca
Clicar na imagem para ver a fotografia em tamanho maior
A minha aventura por terras da Islândia, realizada em maio de 2019 teve um momento que nunca mais esquecerei. A dada altura, nas proximidades de Ísafjörður nos fiordes ocidentais, deparei-me com uma colónia de focas. Já andava há alguns dias a tentar descobri-las e eis que numa altura em que já estava a ficar desanimado, elas surgiram diante de mim.
Depois de ter percorrido quase uma centena de quilómetros por uma estrada de “terra batida” fui dar a uma pequena enseada, onde estavam essas focas. Logo que as descobri, iniciei o registo fotográfico e aqui ou ali aproveitei para gravar alguns planos de vídeo que serão utilizados no meu próximo documentário curto.
De entre as inúmeras fotografias que tive oportunidade de registar, saliento esta.
Trata-se de um momento vivido intensamente entre mim e a foca. Eu estava tão ansioso e surpreendido com a presença da foca que a dada altura percebi que estava a falar com ela. Encontrei-a a uns 50 metros de mim e aos poucos fui-me aproximando. Pé ante pé, fui deslizando por entre as rochas cheias de algas, escorregando aqui ou ali, mas sempre com os olhos postos na camera fotográfica. Lembro-me que cheguei muito próximo da foca e a objectiva que usava naquele momento (400 mm), favoreceu imenso o trabalho.
A dada altura, de tão próximo que estava (a uns 20 metros), parecia que a ouvia respirar.
Foi aí que o monólogo começou. Eu fazia as perguntas e respondia logo de seguida. Suavemente, para não a assustar. Lembro-me de lhe dizer para ficar quieta, caso contrário ficaria “desfocada”.
Era a primeira vez que estava diante de uma foca, em ambiente completamente natural. Não sabia como iria reagir, nem sabia como deveria agir. Acho que já todos passamos por esta situação, uma vez na vida.
Apesar de toda a incerteza, o monólogo manteve-se e acreditem que a foca também. Penso que gostou de ser fotografada, pois esta fotografia é retrato disso mesmo.
Infelizmente, 5 minutos depois, em virtude do ruído que fiz ao escorregar numa rocha, na tentativa de me aproximar ainda mais, deslizou para dentro de água e desapareceu no oceano. Lentas em terra, mas muito esquivas na água.
No entanto ficou para a história, esse momento em que sem dar conta, estabeleci um monólogo com uma foca.

Noudar de uma magia natural

Veado - fêmeaNo passado dia 5 de Outubro visitei uma vez mais, aquele que na minha opinião, é um dos últimos refúgios naturais em Portugal.
Trata-se de Noudar (Parque de Natureza de Noudar) e o nome diz tudo. É na realidade um lugar natural, pejado de fauna e flora selvagem e dócil, onde ainda é possível avistar morcegos, osgas, lacraus, coelhos, fuinhas, cigarras, javalis, abutres, cegonhas, garças, veados, raposas, linces, etc. Delimitado a Norte pelo rio Ardila (que define a fronteira entre Portugal e Espanha) e a Sul pela ribeira de Múrtega, este parque tem todas as condições para quem gosta de fotografia de natureza.

Desta vez, alguns amigos e suas famílias, fizeram questão de me acompanhar. Queriam ver com os seus olhos, esse lugar mágico de que lhes falava, já há algum tempo.
Nesta altura do ano, o parque tem como principal motivo de visita, a observação dos veados e a sua brama. Para os mais distraídos, esta é pois uma altura do ano em que estes animais andam na fase do cio, tendo por finalidade a reprodução. Momento singular, onde podemos fotografar estes seres vivos magníficos, bem como ouvir a brama.
Para o conseguir é preciso caminhar, percorrer a pé alguns dos trilhos do parque e acima de tudo estar em silêncio. São animais esquivos, que ao mais pequeno ruído, desatam a correr por entre arbustos do montado e rapidamente desaparecem por detrás de uma azinheira.

Veado - machoExausto e sob um calor abrasador, na companhia de alguns amigos e familiares e já quase no final de uma caminhada de cerca de duas horas, avistei um veado (fêmea) a alimentar-se na encosta do outro lado do vale. Eu sabia o que procurava e os meus olhos fixaram-se naquele animal e não mais o larguei até que todos aqueles que estavam comigo, o conseguissem ver através do seu olhar ou com recurso a binóculos.
Pouco depois esta fêmea desapareceu por entre os arbustos numa correria desenfreada e logo atrás surgiu o macho, impávido, calmo e sereno, caminhando montado acima, parando aqui ou ali para observar ao seu redor.

A natureza nunca tem hora marcada. Não é como ir ao jardim zoológico.

Estes momentos, naturais, fazem-nos sentir que não somos os únicos a necessitar de espaço. Nós queremos ocupar o território, queremos que todo o meio que nos rodeia seja conhecido e esquecendo-nos que os outros seres vivos também precisam de espaço.

Coexistir é a palavra de ordem em Noudar, pese embora o facto de nos últimos anos eu ter verificado que cada vez mais estes animais no seu estado selvagem começam a ficar numa espécie de jaula, proveniente das inúmeras cercas que estão a construir.
Não quero antever um parque, cujo foco principal seja a componente económica proveniente da cultura do porco preto.

Este lugar é mágico. De dia e de noite. À luz da Lua ou das estrelas. A pé, de bicicleta, de “noucar” ou simplesmente sentado, rodeado de familiares ou amigos. Estar numa das suas esplanadas num final de tarde, é quase certo sermos brindados pela beleza de um pôr do sol por detrás da muralha do castelo de Noudar. Logo seguido de um lusco-fusco que rapidamente define os contornos dos montes na linha do horizonte, outrora local de gentes, agora um sitio singular, mágico.

Islândia – O meu próximo documentário curto

Paulo Ferreira na IslândiaEste ano, à semelhança de anos anteriores, enveredei por uma aventura, em busca de paisagens arrebatadoras e lugares únicos, onde a natureza prevalece e se mostra aos olhos daqueles que a querem ver. Desta vez, foi a Islândia. Terra insular no meio do Atlântico Norte. Um país que tem uma população de quase 350 mil habitantes, cobrindo uma área de cerca de 103 mil quilómetros quadrados. Grande parte dos seus habitantes, estão na capital, Reiquiavique. Fora da cidade, é um imenso lugar cheio de magia, pronto a ser descoberto.

O desafio era enorme. Percorrer a ilha em menos de 15 dias, não seria fácil.
Nos primeiros dias, as condições meteorológicas não foram as melhores, no entanto sempre fui buscar forças onde já não acreditava que ainda existissem. O documentário curto tinha de ser realizado. Sinto necessidade de apelar ás pessoas para a necessidade de preservação do nosso planeta, a nossa única casa. Nunca desisti e o documentário está quase pronto.

Que estes lugares únicos, estas paisagens, a fauna e a flora da Islândia, sejam fonte de inspiração para continuar a preservar o pouco que ainda nos resta. Mesmo que para isso, eu tenha de ir a sitios inóspitos, subir a vulcões, atravessar paisagens lunares e percorrer dezenas de quilómetros por entre rios e vales de lugares desconhecidos. Não tenho medo do desconhecido.

Quantas vezes dei por mim a falar com focas, a pensar em baleias, a escalar um glaciar, a imaginar a explosão do cone de um vulcão onde estive sentado por várias vezes. Tudo isto estará no próximo documentário curto. Um filme com cerca de 15 minutos, que apela à consciência. Que apela a que tenhamos consciência. Consciência! Sapiência! Pensamento! No limite, teremos a capacidade de perceber a relação que existe entre nós, seres Humanos e o meio que nos rodeia (o ambiente onde estamos inseridos).

Numa época em que tanto se fala da necessidade de travar as alterações climáticas, com o objectivo de salvar o planeta, na verdade, quem está em perigo somos nós. A Terra continuará a existir, quer cá estejamos, ou não.

E o filme…em breve!

Uma amizade para lá da fotografia

Paulo FerreiraHá algum tempo atrás fui convidado para um projecto fotográfico que viria a ser um dos meus maiores desafios até à data.
Estávamos em pleno Outono, um domingo chuvoso e eu sentado junto ao computador a editar um vídeo (na altura o documentário curto Patagónia – The Tip Of The World”). Tocou o telemóvel. Do outro lado da linha, uma voz calma e serena, desculpava-se por me estar a ligar num domingo. Certificou-se de que estava a falar comigo e prosseguiu com uma pergunta:
Estás interessado em ceder algumas fotografias, para colocar nas paredes de um espaço de turismo rural em Gondomar?
Confesso que fiquei boquiaberto. Colocar fotografias nas paredes? Rapidamente comecei a perceber que essas fotografias não seriam 20×30, nem tão pouco alguns números mais acima.
Ainda não refeito da surpresa da ideia, do outro lado do telemóvel, nova pergunta:
Quanto é que isso custará?
Calma, disse eu. Deixe-me lá ver se percebi o que pretende.
A chuva era cada vez mais forte, o domingo estava muito cinzento, frio e eu perdido no meio do desafio, perguntei:
Qual o tamanho das fotografias? Pretende colocar telas de grande dimensão?
Novamente do outro lado, uma resposta:
São grandes. Para colocar nas paredes. Talvez algumas tenham 2, 3, 4, 5, ou mesmo 6 metros.
Se eu estava pasmado, mais pasmado fiquei. 6 metros?
Respondi:
Tenho de ver o local e perceber qual o material que será usado como suporte.
Combinamos um dia e hora e 3 ou 4 meses mais tarde, as fotografias estavam nas paredes desse espaço.

Esta imagem em anexo, serve apenas para ilustrar um dos locais que foram fotografados com vista à obtenção de uma panorâmica que tivesse a qualidade suficiente para uma impressão de 6 metros de largura.
Os clientes, fizeram questão de ir a esse mesmo local, para verem com os seus olhos, o espaço retratado na fotografia que têm no seu estabelecimento de turismo rural. E foram eles que me fizeram esta fotografia.
Há momentos que ficam para a eternidade. Muito mais importante do que a fotografia, são as relações que as pessoas estabelecem. Neste caso em particular, aquilo que era inicialmente um negócio deu lugar a uma amizade. E a vida é feita disto. De momentos que nos dão cor à vida.
Obrigado Paula e Norberto.

Grifo – O todo poderoso

Grifo
Grifo

A minha paixão pela fotografia de natureza, levou-me estes dias ao Penedo Durão em Freixo de Espada À Cinta, no Parque Natural do Douro Internacional. O objectivo era fotografar aves, mais concretamente o Grifo, o Britango e a Águia Perdigueira. Confesso que fiquei surpreendido pela quantidade de aves que habitam aquela zona de Portugal. De entre algumas centenas de fotografias que realizei, decidi publicar esta em especial, pois recordo perfeitamente o momento em que a registei. O momento foi vivido apenas entre mim e o Grifo. Lembro-me de o olhar nos olhos, através da objectiva da minha câmera e de ele não gostar. Olhou em frente revoltado pelo facto de o ter fotografado e destemido desapareceu no penedo rochoso que o aguardava. A imponência destas aves, o lugar que ocupam na natureza e a sua dimensão, são aspectos que me fascinam. Apesar da importância de cada um destes seres vivos, temos vindo a observar um crescente aumento na destruição da biodiversidade. As causas poderão ser as mais variadas, contudo na maioria das vezes, somos nós que aceleramos este processo. Clique na imagem para visualizar a fotografia em tamanho maior.

Panorâmica da Via Láctea

Panorâmica da Via Láctea. Clicar na imagem para ver a fotografia num tamanho superior.

No passado dia 31 de Agosto, estive no Parque Natural do Douro Internacional, nas proximidades da Aldeia de Pena Branca, a realizar um workshop de fotografia nocturna. Na noite anterior à do evento, fui para o terreno na expectativa de conseguir realizar uma fotografia que há já algum tempo idealizava. Eu queria imenso uma fotografia panorâmica, com a finalidade de mostrar à Via Láctea, que circunda o Planalto Mirandês, localizado no Nordeste Transmontano ao longo do Douro Internacional.

Apesar de ter chegado muito tarde ao local onde iria ficar alojado (Cimo da Quinta), ainda consegui tempo para registar este momento. A ânsia de “congelar” a galáxia em espiral onde vivemos era imensa. E essa ânsia acontece, não pelo facto de querer um troféu, antes sim porque os dias que temos disponíveis para o conseguir, não são assim tantos. Isto porque os meses do ano favoráveis à fotografia da Via Láctea, são apenas 2 (na minha opinião). Por outro lado temos de eliminar os dias de Lua Cheia e as condições climatéricas desfavoráveis, como chuva, nevoeiro, neblinas, nuvens, etc. E ainda há que contar com a vontade de cada um de nós, de ir para o terreno à noite, deixando para trás algumas coisas importantes.

Com todos estes impedimentos, é fácil de deduzir que as noites para fotografar a Via Láctea, não são assim tantas como parece. É pois necessária uma boa dose de coragem, dedicação, persistência e trabalho. Tudo isto justificado pela simples razão de que é preciso mostrar o local onde vivemos. Uma pequeníssima bola azul nesta imensa Galáxia. Que quer aceitem quer não, é indiferente se essa bola azul, lá está ou não. A Via Láctea será sempre Via Láctea, com ou sem Terra, com ou sem racionalidade.  Disso não haja a mais pequena dúvida.

No entanto, sabendo eu (e tu e todos nós) a dimensão da nossa “única casa”, será mais fácil percebermos a nossa dimensão e o quão insignificante somos para a vida no Universo. Ter noção da escala da Terra em relação a esta imensa Galáxia, é ter noção do nosso lugar. Percebemos assim que todos os conflitos pessoais e da Humanidade em geral, não têm qualquer razão de ser.

Por isso, não liguem muitas luzes, não iluminem o que não é preciso, pois todos nós necessitamos da luz das estrelas, para iluminar a nossa existência.

Aproveito o momento para agradecer aos participantes no workshop de fotografia nocturna em Miranda do Douro, (Diana Pinto, Alcides Meirinhos, João Miranda de Azevedo, Manuel Marques, Ricardo Leal e Luís Almeida), pela presença. Espero que tenham vivido uma experiência única e que tenham percebido que mais importante do que fazer fotografia, é viver e registar os momentos, num negativo, num ficheiro, ou na nossa memória.

Patagónia – O degelo do Perito Moreno

Numa das minhas aventuras ao redor do mundo, tive a oportunidade de registar em fotografia, o degelo de um enorme glaciar. O Perito Moreno. E este foi o momento:
Na imensidão da solidão, subitamente, ecoa um som estrondoso, arrebatador. Ávido, procuro com o olhar movimento, ação conforme à dimensão do ruído, certamente uma massa de gelo a desmoronar-se de encontro à água, poderosa no seu fluir.
O som, propagado a uma velocidade inferior à da luz, apanha-me distraído e incapaz de reagir a tempo de fazer um registo fotográfico de toda a ação. Talvez numa próxima oportunidade… mas com a atenção redobrada!
Meia dúzia de planos em timelapse e 900 fotografias depois continuava sem despegar o olhar do glaciar na esperança de assistir a novo desabamento. Estranhamente, fiquei dependente dessa visão: porque o ambiente me preocupa, ou simples curiosidade, ou talvez porque sou como S. Tomé – ver para crer que o aquecimento global é uma realidade.
A minha obstinação deu frutos e eu pude recolher o resultado numa fantástica sequência de fotografias feitas no momento dramático da queda de uma enorme massa de gelo na água e à colossal onda gerada pela força do impacto. Sorte. Teimosia. Paciência. Resiliência. Trabalho.
Para se ter a noção da dimensão, este glaciar tem cerca de 60 metros de altura e as fotografias foram obtidas com uma distancia focal de 35mm:

Glaciar Perito Moreno
Um dos maiores glaciares do mundo, o Perito Moreno. Momento onde se verifica o desprendimento.

 

Queda de bloco de gelo
Momento em que o bloco de gelo com cerca de 30 metros de altura, rebenta na água.

A aventura na Islândia em fotografias

Em abril de 2019 viajei para a Islândia com o objetivo de realizar um novo filme sobre a consciência ambiental. Foram vários dias de perfeita correria contra o tempo e contra o cansaço. Apesar de todos os constrangimentos, considero que a aventura foi um sucesso. Um dos momentos altos da viagem, foi o facto de ter encontrado Sir David Attenborough, quando no final de um dia extremamente cansativo, reparo que estava no mesmo restaurante, na mesa mesmo ao lado. Foram vários minutos de conversa que ficarão para sempre na minha memória. Ficam aqui algumas fotografias da autoria de Marco Ribeiro, que retratam um pouco dessa viagem. O making of pode ser visualizado aqui. O filme pode ser visualizado aqui.

Cortinarius Porphyroideus – um cogumelo raro

Cortinarius Porphyroideus

A minha aventura pela Nova Zelândia previa um dia para subir ao glaciar Rob Roy para realizar algumas fotografias,  planos de timelapse e vídeo. A ideia era sair de Wanaka bem cedo e conduzir por uma estrada de terra, durante cerca de uma hora. Era o tempo previsto para percorrer os quase 50 quilómetros que ligam Wanaka ao início do trilho para o Rob Roy. Um trilho de alta montanha com cerca de 12 quilómetros.

Rapidamente verifiquei que era um percurso em muito mau estado e cujo fim poderia não ser atingido, pois haviam muitos cursos de água provenientes das montanhas que atravessavam a estrada de terra. A sinalização, essa, estava lá constantemente em todas as travessias e informava que, caso a chuva fosse intensa, deveria regressar a Wanaka. Com calma e atento às mudanças de tempo, avancei. Pensava para mim: E se, depois de caminhar durante duas horas para chegar ao Rob Roy, começar a chover?, terei tempo para regressar? Olhei o horizonte e percebi que talvez o tempo não mudasse. Confiante e esperançado, avancei.

Depois de chegar ao fim da estrada era altura de colocar a mochila às costas. Aparentemente pesada, pois todo o equipamento de fotografia estava no seu interior, rapidamente esqueci-me disso e comecei a percorrer o trilho que ia pelo vale fora. O Rob Roy chamava-me.

A manhã estava fria e havia gelo no trilho que serpenteava ao longo do rio proveniente do glaciar Rob Roy.

Depois de caminhar durante cerca de 30 minutos, cheguei a uma ponte pedonal que permitia a passagem para a outra margem. Uma vez na margem oposta, subi a bom ritmo e rapidamente dei por mim a tirar alguma roupa. A cada passo que dava a subida parecia cada vez mais íngreme. Parei várias vezes para descansar um pouco debaixo de uma das árvores da imensa floresta de faias que polvilha todo o vale em direção ao glaciar. Lá no alto, um Kea (um papagaio muito inteligente) voa sob a copa das árvores, abrindo as suas asas coloridas, assinalando a sua presença.

Foi numa dessas paragens que retirei a câmara fotográfica e tentei enganar-me a mim próprio. – Não, não estava cansado. Havia parado para fotografar a natureza ao meu redor! Encostei a mochila a uma árvore e enveredei pelo interior do bosque na ânsia de ver qualquer coisa que fosse surpreendente e que me fizesse esquecer que estava a apenas meio caminho para o glaciar.

Depois de caminhar alguns metros para dentro da floresta de faias, aninhei-me para fotografar uma aranha muito colorida que por ali tecia a sua teia e comecei a fotografá-la. Confesso que estava completamente concentrado na procura da melhor perspetiva para enquadrar aquele aracnídeo. Por isso, decidi deitar-me no solo repleto de musgo e foi aí que os meus olhos se fixaram num pequeno cogumelo de uma cor estranha. Perguntei a mim próprio: Agora?, agora que ia descansar um pouco? Nunca tinha visto nada igual. Enquanto procurava acertar os parâmetros corretos para o registo daquele momento dei comigo a imaginar-me num dos filmes do Harry Potter.

As minhas mãos tremiam e eu, surpreendido com aquele cogumelo, não conseguia registar o momento. Todos os meus sentidos estavam ativos e inundavam-me de sensações e de emoções que só consegui controlar ao fim de dois ou três minutos. O próprio silêncio daquele lugar já era audível!

Eu queria continuar a subir para o Rob Roy, mas aquele cogumelo não me deixava! Acho que fiquei ainda mais cansado, tal era a adrenalina do momento. Acho que no total devo ter feito mais do 20 fotografias. Eu próprio tive de colocar um fim ao registo fotográfico, ou não fosse eu que ali estava.

Sozinho, no meio da floresta de faias, a caminho do glaciar Rob Roy, eu havia encontrado um cogumelo raro (só mais tarde soube através de uma procura na internet). O seu nome: Cortinarius Porphyroideus. Confesso que tentei encontrá-lo noutras regiões da Nova Zelândia, mas nunca mais o vi. No entanto, foi um momento marcante na minha aventura para produzir o filme “Aotearoa”. Tal como a vida, o  mundo é feito de pequenas coisas. Surpreendentes.

O Pacífico Sul ali tão perto

Nova Zelândia – Costa do Pacífico

Em quase todas as minhas aventuras, (como foi o caso da viagem à Nova Zelândia para realizar o filme “Aotearoa- We Are All Made Of Stars”), dificilmente perco a concentração no trabalho que estou a desenvolver ou que planeio vir a realizar, quer sejam planos de timelapse, vídeo ou simplesmente fotografia.

Foi o caso deste local, aqui retratado por uma fotografia da autoria de Marco Ribeiro. A concentração era tal que só depois de realizado o filme e visto o plano de timelapse que dali proveio, é que dei por mim a pensar que estive muito próximo de uma das zonas do Pacífico Sul com imensa atividade sísmica.

Pese embora o facto de em cada local e em cada momento, colocar todo o meu empenho no que estou a fazer, não obstante isso, uso as minhas capacidades de memória fotográfica para mais tarde relembrar tudo aquilo que me rodeava. E de facto, olhando para esta fotografia, vejo que estou bastante absorvido pelo momento que pretendia registar, tentando desesperadamente congelar aquele local e aquela cor de final de tarde. As marcas do sismo estavam ali mesmo ao meu redor, mas eu não queria saber disso, naquele instante.

Olhando agora, conscientemente percebo que toda esta região costeira havia sido alvo de um grande sismo em 2016. Eram ainda visíveis os desmoronamentos da principal via rodoviária que liga Christchurch ao Estreito de Cook. Por aqui circulei por duas vezes numa travessia memorável ao longo de uma costa retalhada, aqui ou ali salpicada por praias de areia negra que pareciam ligar a terra ao universo, quando o luar fazia brilhar os grãos de areia mais finos, cintilando como as estrelas. Apesar de tudo, ali estava eu, equilibrado numa rocha, junto ao Pacífico Sul tentando ajustar a câmera fotográfica, para realizar um plano de timelapse.

Milford Sound

A minha aventura pela Nova Zelândia, com o objectivo de produzir um documentário curto que fosse capaz de prender a atenção das pessoas para que possam perceber que a nossa única casa (a Terra) está a viver alterações profundas, previa uma viagem de cerca de 15 dias. Quatro deles eram para a viagem entre Portugal e aquela região do globo. Por isso só me restavam apenas 11 dias para concretizar o que havia planeado com a devida antecedência. Contudo, previa a possibilidade das condições climatéricas serem adversas e impossibilitarem o meu trabalho, nos diversos locais que pretendia visitar.

Não demorou muito tempo para ser confrontado com esta adversidade. A estação do ano que havia escolhido, era propicia a estas condições climatéricas. Milford Sound revelou-se um deles.

Milford Sound fica bem no coração do Parque Nacional de Fiordland, na Nova Zelândia. Para lá chegar é preciso percorrer uma estrada nacional de várias centenas de quilómetros. Cumprindo o meu plano, saí de Invercargill bem cedo e o destino era esse lugar que eu almejava conhecer e registar em timelapse. No final da estrada e depois de atravessar uma zona muito montanhosa, enveredar por túneis e desfiladeiros muito apertados, ficar cara-a-cara com um Kea (um papagaio muito inteligente que habita aquela região), surge diante de mim a imensidão das montanhas de Milford Sound. Um lugar mágico, onde o céu e a Terra se unem num só. O problema era que eu não via o céu. O dia estava muito cinzento e chovia intensamente. A água jorrava das montanhas e eu ali, impossibilitado de fazer o meu trabalho, limitei-me a contemplar o que os meus olhos não viam. Mas não desisti.

Comecei de imediato a preparar uma segunda oportunidade e para isso era necessário alterar o plano. Rapidamente defini um plano B. A ideia era regressar a Invercargill. Na manhã seguinte e cumprindo o plano definido, que me levaria a Wanaka, teria obrigatoriamente de passar novamente por Milford Sound. E assim foi.

Cansado, com poucas horas de sono, na manhã seguinte regressei a Milford Sound. Até parecia que já conhecia a estrada e nenhum Kea ousou interferir no meu ojectivo, a não ser um controlo de velocidade que me fez perder algum tempo, pois havia que prestar atenção à forma educativa com que as autoridades locais me abordaram. Era 100 e não 120! Aceitei e pedi desculpa.

Voltei ao lado esquerdo da estrada e uns quilómetros mais à frente, tudo estava muito diferente! Eu já via o céu, aqui ou ali pintado por algumas nuvens. Até apetecia subir ao Mitre Peak (cerca de 1.700 m de altitude) para tocar o céu. Um pico assombroso, ali bem diante de mim. Rapidamente me muni da dolly “Stage One” e iniciei o plano de timelapse tão desejado, tentando com que nenhum mosquito ousasse pousar na objectiva.

Apesar de todas as adversidades, a persistência e a perseverança haviam dado frutos. Fruto esse que poderá ser visto quando divulgar o meu próximo filme sobre a Nova Zelândia.

Cape Reinga

Recentemente estive na Nova Zelândia com o objectivo de produzir um documentário curto, à semelhança de “Nordlys” e “Patagónia – A Ponta Do Mundo“. Confesso que fiquei fascinado pela região.

Para quem, tal como eu, gosta de contacto com a natureza, encontra naquela região do globo, um lugar para fotografar, caminhar, ler um livro, escrever, viajar, ver coisas novas, mas, acima de tudo, viver a vida a “baixa velocidade” ou seja, a possibilidade de sentir-se vivo.

Na fotografia, o farol de “Cape Reinga” foi o primeiro sitio onde fotografei e consequentemente registei planos de timelapse. Este foi o local escolhido por mim, para dar inicio a uma aventura que me levaria a percorrer as duas ilhas da Nova Zelândia.
O farol foi a minha âncora para encontrar a coragem e vencer os desafios e, ao mesmo tempo, o guia que me apontou o caminho que iria percorrer nos dias seguintes.

Eu sabia que “Cape Reinga” era um local sagrado, de grande importância espiritual para o povo maori. É dali que os espíritos partem para o paraíso. Sente-se o chamamento das ondas do mar nas arribas. Apesar de tudo, ali fiquei, firme, na encosta da arriba, de “mãos nos bolsos” a imaginar o passado de um povo que usava a “Haka” como uma espécie de “grito de guerra” e dança ensaiada para afugentar o inimigo, mostrando assim que não estavam com medo dele.

E, de facto eu não tive medo, antes pelo contrário, encontrei ali forças para vencer todos os desafios que viriam a surgir nos dias seguintes.

Rio de Janeiro

Em 2017, realizei uma viagem á Patagónia (Chile e Argentina), com o objetivo de realizar um documentário. Pretendia chegar à consciência das pessoas (no que toca à preservação da nossa casa), mostrando-lhes o quão maravilhoso é o nosso planeta. A viagem é bastante morosa e como tal fiz escala no Rio de Janeiro, aproveitando para visitar os meus familiares que lá residem.
Entre matar saudades e uma noite de boémia, foi ainda possível subir ao monumento natural que é o “Pão de Açúcar” e descer por um trilho que nos proporciona algum contacto com a vida selvagem. Aqui ficam algumas fotografias desse local.

Veja algumas fotografias do Rio de Janeiro (usando o slide show em baixo), ou então vá até á galeria.

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Regressei a El Chaltén ao final da tarde

De regresso do Fitz Roy, cheguei a El Chaltén ao final da tarde, com 25 quilómetros de trilhos percorridos e vários quilos ás costas. Estava exausto, mas feliz.

As experiências mais enriquecedoras são dotadas de uma intensidade arrebatadora que galga o tempo, salta horas e derruba espaços transportando-nos numa viagem acelerada que comprime o tempo. Parece matéria de ficção científica, mas eu havia chegado no dia anterior à Patagónia e preparava-me para partir no dia seguinte; no intervalo, haviam decorrido 15 dias. Confuso? Não! Tudo havia sido grandioso, extasiante, fora de medida. Um caldo de emoções a necessitar de ser coado, filtrado e assimilado, tal era a sua densidade. E nessa espessura de sentimentos os dias foram tragados, diluídos, esquecidos.

Fiz a viagem de regresso a El Calafate pela mesma estrada que me havia levado a El Chaltén. O caminho foi todo ele feito de olho no espelho retrovisor; não é que não levasse os olhos postos na estrada, em condução segura, mas as memórias recentes já faziam adivinhar saudades futuras. Abandonava El Chaltén com a certeza de que haviam sido os melhores e mais produtivos dias que havia passado durante toda a estadia na região. Que trilhos memoráveis; a experiência marcante de me pôr à prova, física e mentalmente, e a superação conseguida.
Regressava mais forte, era uma certeza.

Porto da Laje

Existem momentos nas nossas vidas, que ficam para a posteridade. Este foi um deles. Uma caminhada há alguns anos atrás, bem no coração do Parque Nacional da Peneda Gerês, que nos levou a Porto da Laje. Um dia extenuante, mas muito agradável do ponto de vista do contacto com a natureza, bem como do convívio entre amigos de longa data. 

Esta fotografia revela bem esse momento. Aquele momento em que se chega ao “cimo da montanha” e nos esquecemos das dificuldades que passamos para lá chegar. Neste caso, foi uma “chegada ao vale”, mas o trilho foi bem árduo. E esta imagem comprova-o.

Patagónia – Alguns momentos

A aventura na Patagónia (Chile e Argentina) foi uma experiência muito interessante sobre o ponto de vista das inúmeras dificuldades com que me deparei ao percorrer a enorme região. Durante as curtas estadias nos mais variados locais, foi possível, aqui ou ali registar alguns desses momentos. Aqui ficam alguns deles, registados em smartphone.

El Chaltén – Fitz Roy

Patagónia – The Tip Of The World – Levantei-me num ápice e engoli o pequeno almoço ainda mais rápido. Lancei-me desenfreadamente para o Monte Fitz Roy ou, como lhe chamam na região, Cerro Chaltén, tal como à povoação. É tão só uma das maiores montanhas localizadas na fronteira do Chile com a Argentina. Apesar da sua altitude relativamente baixa, cerca de 3.375 metros, é considerado por muitos alpinistas profissionais um desafio quase impossível de escalar. Percorri o centro da povoação a pé. O esforço acumulado dos dias anteriores ia cobrando os seus efeitos no aparente aumento de peso da mochila que carregava às costas. De mapa na mão, identifiquei o ponto de partida perfeitamente visível, pois tratava-se de um pórtico em madeira de cores vivas e garridas vistas a grande distância. Na manhã soalheira algumas nuvens bailavam ao sabor da leve brisa que soprava continuamente. O local, solene, mereceu fotografia de recordação. Desfiz-me de uma camisola, que o calor já se fazia sentir, acondicionei correctamente a mochila às minhas costas e avancei confiante para a encosta rochosa mesmo por cima de mim. Por se revelar mais seguro, optei por realizar um trajecto linear de aproximadamente 24 quilómetros, apesar de haver dois caminhos alternativos com base em pontos de partida diferentes, mas que se unem num só já muito perto do acampamento Poicenot. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém…
Ao longo de todo o percurso estão identificados alguns miradouros de carácter oficial, simplifiquemos; no entanto, decidi aventurar-me fora do trilho em busca de pontos altos rochosos, aqui e ali surgidos por cima da copa das árvores. O objectivo era conseguir fotografias e planos em timelapse que retratassem o ondular das neblinas matinais junto aos picos das montanhas. Passado o acampamento, desço ao vale para chegar ao rio. Um breve relance de olhar e a percepção das óptimas condições de luz daquela manhã. As neblinas dançavam em redor dos picos mais altos, a água corria límpida e gélida o bastante para me despertar os sentidos quando refresquei a cara. A brisa fresca da manhã na pele e o regresso ao contacto com os elementos – não há nada mais “retemperador”. Fiz o registo de dois planos em timelapse, um vertical e outro horizontal, com o objectivo de os conjugar mais tarde. O rio corria sem sossego por entre as pedras do vale. Em redor, árvores vestidas com os tons de outono cobriam todo o vale até meia encosta, onde já surgia a neve e, de súbito, imponente, o maciço rochoso do Fitz Roy. O pico, fantasmagórico no seu incessante jogo de escondidas com as névoas. Nada substitui a experiência pessoal, cunho marcado da vivência in loco. O registo mecânico permite a guarda, para memória futura, de cada detalhe, elemento, pormenor. É um resgate feito ao passado, transmitido em herança às gerações vindouras. Mas a memória visual, mesmo que falível, mesmo que roída pelo tempo, é feita da vivência pessoal, intransmissível, incorruptível na essência – eu vi o Fitz Roy!

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Baía Ensenada

A primeira paragem foi na Bahía Ensenada junto ao canal de Beagle, marcava o meu relógio as 11h00m. A pequena enseada abriga o posto dos correios, uma construção muito rudimentar em madeira com uma pequena chaminé de onde saía algum fumo, repleta de bandeiras e sinalética argentina como que a marcar a sua posição no território e de onde é possível ver do outro lado do canal, o Chile.

Atrevi-me a ir vê-lo mais de perto e percorri o pequeno pontão de madeira que suporta o posto dos correios e se prolonga até bem dentro da enseada. Reparei numa inscrição que dizia “Unidad Postal Fin del Mundo”. Perguntei a mim próprio por que razão estaria ali um posto dos correios: não havia ninguém nas redondezas e o local parecia saído de um conto de fadas.

Admirei o canal, as montanhas do lado do Chile e encantei-me com as inscrições em vários idiomas que se podiam ler um pouco por toda a parte exterior da pequena casa. Afinal, ali não era partida, mas chegada dos sete cantos do Mundo.

Não muito longe dali, no lado direito da enseada, um pequeno miradouro por debaixo do arvoredo de Lengas que se curvava para cima da água pareceu-me o cenário ideal para registar um timelapse. Um pequeno trilho ladeando a água do canal conduzia até ao miradouro.

O vento estava forte e a água bastante agitada, o que causava uma gélida sensação de frio; no entanto, os cerca de 100 metros foram percorridos rapidamente, mesmo carregando a mochila e o tripé que pesavam uns bons 15 quilos.

No local, percebi que estava bem acima do nível da água e havia uma pequena ravina em pedra bem na minha frente. A água talvez distasse uns seis metros de mim. Por um lado, era bom, pois as gotículas provenientes das ondas e que eram elevadas pelo vento não molhariam a objectiva; por outro, sentiria mais o vento.

Ushuaia

Depois de quase um ano de planeamento e preparação eis que chega o mês de Abril e com ele a possibilidade de conhecer mais de perto uma região que remete para o imaginário do contacto com a natureza e a vida selvagem, a Patagónia, a ponta do Mundo.

Associamos a Patagónia a imagens de enormes planícies, típicas da região meridional da América do Sul, ricas em pastagens polvilhadas por tufos dourados, a que em cada curva da estrada surgem animais selvagens por entre cercas que o Homem fez questão de erguer, como demarcações definitivas obrigadas por uma vizinhança conflituosa.

É esta mesma região, separada entre si por muitos quilómetros de trilhos e estradas, planícies varridas pelo vento, que acolhe montanhas íngremes, lagos gelados, enormes glaciares e a Lenga, árvore representativa do bosque andino patagónico que pelo tom da sua folhagem na incidência da luz solar faz acreditar que aquela é, de facto, a Terra do Fogo.

Aqui, estão presentes todos os elementos da natureza – terra, água, ar e fogo. É esta terra, dividida pela enorme cordilheira andina, que apresenta as duas faces da ponta do Mundo: inóspito e ao mesmo tempo completamente irresistível.

Saído de Portugal fiz escala no Rio de Janeiro, Brasil, para visitar parte da minha família que há décadas lá vive. Cada reencontro é, sempre, uma descoberta.

Dois dias depois, rumei a latitudes mais a sul: uma escala técnica em Buenos Aires, Argentina, e rapidamente estava a caminho de Ushuaia, a terra do fogo, dos pinguins e do canal de Beagle. Não resisti a imaginar-me a bordo de um qualquer casco à deriva no Atlântico e varrido pelos ventos alísios.

Ushuaia foi o primeiro pedaço de terra que pisei na Patagónia. O seu nome provém do idioma indígena yagan (ushu + aia) que significa baía profunda. Assaltou-me a sensação de que, afinal de contas, eu não passava de um simples colono, mas agora munido de uma câmera fotográfica e que, tal como os antepassados que a habitaram, chegava à cidade mais austral do planeta.

Seria aqui em Ushuaia que viveria intensamente os dias seguintes.

Noruega

Na procura de lugares com fraca poluição luminosa, dei por mim a viajar para a Noruega, com o objectivo de realizar um filme que de certa forma chamasse a atenção de todos nós, para este problema que cresce de dia para dia em todo o planeta. A luz artificial. Quase todas as cidades estão repletas de luz artificial que impossibilita a visualização nocturna das estrelas e planetas que pintam o céu à noite. Um dos fenómenos naturais mais extraordinários visíveis no hemisfério Norte, são as Auroras Boreais (as luzes do Norte) e foram a referência para todo o filme que eu pretendia produzir. Por essa razão, era necessário ir a sítios remotos registar planos de timelapse a estas partículas carregadas provenientes do Sol e que quando tocam os campos magnéticos dos pólos, brilham numa paleta de cores fantástica.
Tal como é visível nesta fotografia que completa este texto, a melhor forma de percorrer grandes distâncias nas paisagens brancas da Noruega, é utilizar trenós puxados por cães. Neste caso em particular foi apenas uma viagem orientada por uma guia, para descobrir novas paisagens, que pudessem ser locais de excelência para o registo de timelapse nocturno. Lembro-me que sensivelmente a meio da expedição, os cães já não tinham capacidade física e eu próprio tive de saltar para a neve e empurrar o trenó até ao ponto de partida.
Quando cheguei á base, quase todos os cães deitaram-se na neve tal era o cansaço. Tive de ir buscar forças e coragem para lhes dar um “mimo” e agradecer todo o seu esforço. Uma memória que recordarei para sempre.

Nordlys

Terra, o nosso planeta.
É o único planeta no nosso sistema solar, conhecido por albergar vida.
Todas as coisas que precisamos para sobreviver são-nos fornecidas sob uma fina camada de atmosfera que nos separa do vazio inabitável do espaço.
A Terra é composta por sistemas complexos e interactivos que são muitas vezes imprevisíveis.
Ar, água, terra e vida, incluindo os seres humanos, unem forças para criar um mundo em constante mudança e que nos esforçamos por entender.
Consegues imaginar a nossa Terra sem os seres humanos? Olha para estas paisagens!
Contempla a sua beleza! Contempla-a com paixão.
Esta é a Terra, a nossa casa, o nosso lugar… Por favor, mantém-na viva! Olha para ela com paixão, com a paixão de quem ama e preserva-a!
O nosso planeta está numa rápida rotação e o núcleo de níquel-ferro fundido dá origem a um campo magnético, que o vento solar distorce em forma de lágrima.
O vento solar é uma corrente de partículas carregadas, continuamente ejectadas do sol.
O campo magnético não se desvanece para o espaço, mas tem fronteiras bem definidas.
Quando as partículas carregadas do vento solar são capturadas pelo campo magnético da Terra, colidem com as moléculas de ar acima dos polos magnéticos do nosso planeta.
Estas moléculas de ar, em seguida, começam a brilhar e são conhecidas como as auroras, ou as luzes do Norte e do Sul.
Esta é a Terra, a nossa casa, o nosso lugar… Por favor, mantém-na viva! Olha para ela com paixão.
Com a paixão de quem ama… e preserva-a!
Desliga as luzes e desfruta de um fenómeno único na Terra, com a paixão daqueles que amam.
E a Terra é a nossa nave espacial, o nosso globo bonito, delicado, dançando elegantemente em torno do sol para uma eternidade finita. É a nossa linda bola de água e ar. É tudo o que temos e tudo o que poderemos ter. Compete-nos a nós preservá-la e protegê-la. Porque esta é a nossa única casa. Nosso planeta… Nossa Mãe… Nossa… Terra.
Bem-vindo a casa.

Picos de Europa

 

Disseste que não seria capaz, que a montanha escolhe os seus na vida e na morte.
Disseste:
“Apenas os eleitos aspiram a conhecer a montanha”.
“Apenas eles são ungidos pelo óleo da sabedoria” – disseste – e eu, sorri.
Falei-te das manhãs claras e dos frios glaciais, das estrelas e das flores, dos rios e das pedras, dos animais.
Falei-te do silêncio que é a voz da montanha e do sussurro eterno do bosque – inquieto rumor, queixume das árvores, lamento do vento.
Ouves este som? Tão terno, etéreo.
No entanto, capaz de furar o mais duro rochedo, subir ao ninho da águia beijar a toca do coelho.
Guiar rios da nascente à foz.
Abrir rombos de espanto na alma contemplativa quando alvoradas mansas se espalham, lentamente, pela erva fresca de orvalho e os pássaros iniciam um bailado majestático “trinando” delírios.
Todos os dias!
Todos os dias, sem falhar um, o encantamento se repete: o abeto, a truta, o esquilo, o colosso da montanha.
E todos os dias se renova o espanto, húmus da minha alma, parceiro da condição que é a nossa, viajantes improváveis.
Sorris.
E a crença que és em mim ilumina a certeza do caminho na crista, tocando o céu, furando nuvens de algodão, na vontade resoluta do invisível, que o mais apertado dos abraços celebra.
Morra eu neste instante, e o caminho está feito.