Documentário sobre os “Rapazes de Jancido”

Fotografia com os

Documentário sobre os “Rapazes de Jancido”

Há alguns meses atrás, a convite do António Gonçalves, um dos “Rapazes de Jancido”, fui conhecer melhor o local a que chamam “Os moinhos de Jancido”. Surpreendentemente fiquei pasmado com o que na altura vi com os meus olhos. Uma área imensa, onde é possível ver os moinhos de água envoltos pela natureza. E tudo isto foi possível graças ao trabalho árduo de 5 pessoas que sábado após sábado marcam presença nos vales ao redor do Rio Sousa, por onde os ribeiros correm naturalmente e a fauna e flora existem como em poucos lugares do concelho de Gondomar.

Na altura, o António Gonçalves fez questão de me mostrar tudo o que havia para ver, ouvir e saber. Confesso que saí de lá, quase de noite e com a sensação de que não tinha visto tudo. Como tal, decidi regressar mais tarde. Alguns dias depois, tive a possibilidade de conhecer os restantes membros, o Albino Sousa, o Fernando Sousa, o Manuel Sousa e o Paulo Campos. “Rapazes” de uma humildade natural, de um saber e experiência única e de uma paixão pelos “Moinhos”, como nunca vi. Encontrei-os várias vezes a trabalhar arduamente no local. Umas vezes a reconstruir as paredes de pedra dos moinhos, outras a limpar terrenos na envolvente.

Sempre me questionei porque razão se dedicavam tanto a um sitio, sem qualquer interesse como contrapartida. A resposta foi chegando aos poucos, à medida que fui falando com eles. Fundamentalmente era a paixão que os unia em torno da reconstrução dos moinhos. Gente que não perde o tempo em vícios supérfluos, muito comuns nos dias de hoje. Gente que contagia quem por lá passa. Gente com alma e coração. Simplesmente…Gente. 

Meses mais tarde, estava eu a trabalhar num vídeo promocional, quando percebi que tinha de realizar um documentário sobre o trabalho que estes “Rapazes” fizeram e continuam a fazer nos Moinhos de Jancido.

Finalmente, hoje é possível visualizar esse documentário. São cerca de 16 minutos de conversa com estes 5 amigos. Os “Rapazes de Jancido” contam histórias de vida. Aqui fica o filme na plataforma do Youtube.

Os Rapazes de Jancido

Islândia – O degelo dos glaciares

Islândia - O degelo dos glaciares

Islândia – O degelo dos glaciares

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Em 2019 aventurei-me por terras da Islândia. Fui à procura de locais para filmar o documentário curto “This Is Our Time”. Foram poucos os locais totalmente naturais que me me surpreenderam. No entanto relembro este em especial, o glaciar Jokulsarón. Pela sua dimensão e infelizmente porque está a recuar, ou seja, grande parte deste gelo está a desaparecer. No fim desta enorme muralha rugosa, está a surgir um lago por onde os pedaços de gelo passam, a caminho do oceano Atlântico. Fruto do aquecimento global, esta enorme quantidade de água doce, irá desaparecer certamente ainda este século. É triste assistir a algo tão violento. Não porque o possamos sentir no momento, mas porque nada fazemos para fazer regredir as alterações climáticas.

A Humanidade esquece-se que a natureza irá encarregar-se de ordenar o que não está certo. Com seres humanos, ou sem eles, a natureza segue em frente. Por isso, se queremos salvar a nossa existência, temos de reverter o estado atual das coisas. Apostar mais nas energias renováveis em detrimento das fosseis. E principalmente deixar que existam espaços naturais, para que haja diversidade e equilíbrio, de forma a que as florestas possam ajudar-nos a controlar o dióxido de carbono.

O problema é demasiado sério. Não podemos perder tempo.

Veja algumas imagens do degelo:

Estreia do vídeo Wild Is Life no canal do Youtube

Estreia do vídeo Wild Is Life

Estreia do vídeo Wild Is Life

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Realizei este vídeo (com uma seleção de imagens de alguns dos meus filmes realizados na Noruega, Chile, Argentina, Nova Zelândia e Islândia), com o objetivo de motivar as pessoas a cuidar da nossa casa, o Planeta Terra. Sintam cada maravilha do nosso Planeta e procurem a consciência necessária para em cada gesto, ter atenção aos danos que lhe causamos.

Não será demasiado tarde para mudar o atual estado das coisas. Pelo menos deveremos melhorá-las. A ciência e a tecnologia existe, pelo que só falta a vontade
política. A grande dificuldade (tal como diz David Attenborough), será fazer com que as pessoas se importem. Este será o primeiro passo.

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Veja o vídeo no canal do Youtube

Green Fest 2017 – 3 anos depois

Paulo Ferreira no festival Green Fest em Belgrado

Faz precisamente hoje 3 anos que viajei para Belgrado na Sérvia. A convite dos organizadores do festival de cinema “The International Festival of Green Culture”, normalmente designado por “Green Fest”, participei como orador sobre a problemática ambiental. O motivo do convite foi o facto  do filme “Nordlys” ter sido premiado na categoria de melhor filme curto. Foi um momento muito enriquecedor na minha vida, uma vez que me possibilitou conhecer outras pessoas e outras culturas. Tive a possibilidade de conhecer o Exmo. Sr. Augusto José Pestana Saraiva Peixoto, Embaixador de Portugal na Sérvia, a quem entreguei uma edição diária de um jornal português (a seu pedido) e também o meu livro “Patagónia – A Ponta do Mundo”.

Paulo Ferreira entrega um exemplar do seu livro “Patagónia – A Ponta do Mundo” ao Exmo. Sr. Augusto José Pestana Saraiva Peixoto na embaixada de Portugal em Belgrado.

Algumas fotografias que registam a sua presença em Belgrado. Mais informação na página web do festival Green Fest.

Patagónia – O maciço rochoso que se ergue da terra

Era incrível como as montanhas estáticas se destacavam da linha plana do horizonte. Sim, estava a chegar ao Parque Nacional Torres Del Paine.
A viagem de Puerto Natales até ao Parque Nacional decorreu numa ambiência de filme de autor, daqueles filmes tão herméticos na sua essência que apenas o próprio autor o compreende. A viatura avançava velozmente pela estrada e eu tinha a sensação de estar a ver sempre a mesma cena. A escala e dimensão do cenário alargam o horizonte a uma perspetiva difícil de apreender para quem não é habitual destas paragens. A Patagónia é imensa!

Uma noite de Verão em Noudar

O Parque de Natureza de Noudar, tem sido para mim nos últimos anos, uma espécie de refúgio. Sempre que possível, reservo um período de tempo das minhas férias, para ir até lá. Junto o melhor do mundo: O sossego, as paisagens, a natureza e a gastronomia. Tudo isto disponível numa herdade de cerca de 1000 ha, rodeada por azinheiras, pela ribeira de Múrtega e pelo rio Ardila. É aqui, que passo longas noites a fotografar a Lua ou a Via Láctea. Existem vários locais, uns mais remotos e isolados que outros. O desafio é irresistível, pois o céu do parque é único em Portugal.

É também aqui, que se ouvem os sons naturais de uma noite de Verão. Os animais que habitam o parque, como por exemplo o Veado, o Javali, o Lince, a Raposa, o Sacarrabos, o Texugo, o Toirão, o Fuinha, ou o Morcego, fazem com que não consigamos estar indiferentes aos seus sons. Mesmo debaixo de um céu estrelado como o que é visível na fotografia, por entre as azinheiras, em perfeita escuridão, munido de uma pequena lanterna, a noite torna-se arrepiante. O silêncio é absoluto no parque e nem mesmo o “click” da fotografia, ou do registo de um plano de timelapse, fazem com que se perca a noção do local onde estamos. Á luz da nossa galáxia e inseridos no território de outros seres vivos, surge um sentimento de fragilidade aliado a um estado de alerta que nos desperta para a verdadeira essência do mundo natural. É este contacto com a natureza que nos torna mais Humanos, mais sóbrios, longe das televisões e da profecia do apocalipse.

São as noites de Verão, no Parque de Natureza de Noudar.

A vida é feita de pequenos momentos

A vida é feita de pequenos momentos. Pequenas coisas. Pequenos grandes amigos. Amigos que sabem estar. Amigos que sabem receber. E foi apenas isto que me levou a registar esta fotografia. Estávamos em 2018 e tive a oportunidade de conhecer o filho de dois professores, de nome Miguel e que me convidou a passar uns dias de férias numa pequena aldeia, de nome Casalinho lá para as bandas de Proença-a-Nova. Quando lá cheguei, nomearam-me fotógrafo residente (se bem que isso quase ou nunca se tenha aplicado, muito por minha culpa).

Depois de uma longa conversa á mesa, onde todos tivemos oportunidade de expor as opiniões acerca do meu trabalho, das minhas viagens em prol da consciência ambiental, das galáxias e até mesmo de quem sabe verdadeiramente de apicultura, foi-me lançado o desafio de visitar um local ali próximo, com o objetivo de o fotografar. Um local que poucos conhecem, perdido no meio das serranias, lá para as bandas de um tal “Fernando”. Pasmado com o que vi durante o dia, rapidamente imaginei fotografá-lo de noite. E tão depressa imaginei, como depressa chegou a noite prevista. Depois de quase 30 minutos aos saltos dentro de uma Peugeot do século passado, agarrando firmemente a câmera fotográfica, lá chegamos. Essa noite foi para testar o local, no que toca ao melhor enquadramento.

Cerca de um mês depois, numa noite de Verão regressei ao mesmo sitio. Agora em noite de Lua Nova, a pé e sem os solavancos da Peugeot, pois ao que parece “o motor não quis pegar”. Ok. Tudo bem. Quando se procura o que se quer, nada nos impede. E a vida deve ter destas coisas, destes condimentos para nos motivar e para nos motivarmos a nós próprios e aos que nos rodeiam. Por essa razão fui com dois amigos. A verdadeira razão porque os levei (os amigos), foi porque assim os mosquitos que habitam aquele lugar, tinham maior área de pele para picar. Bem tentei que o Miguel também fosse, pois como não tem cabelo, está mais exposto aos mosquitos e talvez isso evitasse que eu ficasse picado. Não tive sucesso. Saí de lá a contar os buracos na pele. Talvez tantos quanto o ruído existente nesta fotografia panorâmica, em virtude do elevado valor de ISO que tive de colocar nos parâmetros manuais da câmera. O sitio era escuro. Tão escuro que os morcegos aparentavam ser de cor branca.

Deixo aqui esse momento, resultante de uma composição de 14 fotografias verticais, obtidas com uma Sony α7R IV e uma objetiva 16-35mm f2.8. 10 segundos de exposição e ISO 6400. Clique na miniatura ao lado, para visualizar a fotografia em tamanho maior.

Cometa Neowise C/2020 F3

Startrail Cometa Neowise
Startrail Cometa Neowise

Quando se tem a oportunidade de observar um cometa que muito provavelmente só será novamente visível daqui a cerca de 7000 anos, não queremos saber do conforto a que normalmente nos habituamos ao longo de gerações. Neste caso nem a chuva, nem o vento ou mesmo a trovoada, o frio, os incêndios que poluem o horizonte, a poluição luminosa, foram impeditivos de me deslocar para o Parque Natural do Alvão, com o objectivo de fotografar o cometa Neowise. Num dos dias em particular, houve uma mudança brusca do estado do tempo, mas ainda assim sempre acreditei que as condições meteorológicas iriam mudar. Depois de muitas horas à espera em lugares isolados, na procura do minúsculo ponto nas imediações da Ursa Maior, fui bem sucedido umas vezes e outras nem por isso.

Quando o vi pela primeira vez, não queria crer no que os meus olhos viam (nunca utilizei qualquer meio para ajudar a identificar o cometa).  Lembro-me da primeira fotografia em particular, pois por volta das 4H45 da madrugada, ele surgiu na linha do horizonte já bem acima das nuvens que existiam na zona. Foi a primeira fotografia que fiz ao cometa. Seguiram-se planos de timelapse que também estão aqui na página. Alguns dias depois decidi começar a observá-lo na tentativa de o fotografar depois do pôr-do-sol (podem ver algumas fotografias na galeria em baixo). A fotografia ao lado é resultante da composição de 330 frames (provenientes de um registo de timelapse que demorou cerca de 60 minutos a obter) e que deu origem a este “Startrail” onde é possível ver a deslocação do cometa e das estrelas. Acreditem que é fantástico observar um objecto desta natureza. Um antepassado de regresso à Terra. Todas as fotografias foram obtidas em dois locais do Parque Natural do Alvão. Aqui ficam algumas fotografias do cometa, para quem não tem a possibilidade de o observar:

Enquanto fazia algumas fotografias, coloquei um segundo tripé cuja camera fotográfica registou alguns planos de timelapse. Deixo aqui um desses planos de timelapse de cerca de 6 segundos e que podem ser visualizado na minha plataforma do vímeo.

Via Láctea – A nossa galáxia

Via Láctea
Via Láctea

A Via Láctea é uma galáxia em espiral da qual faz parte o nosso sistema Solar. Quase todos os objectos que avistamos à noite, fazem parte dela. Visível a olho nu, nem sempre é possível a observarmos. Isto porque a poluição luminosa é o maior entrave à sua observação. Por esta razão, é necessário que se façam alterações profundas em muitas áreas para que no futuro seja possível continuar a observá-la.

Esta panorâmica é resultante da composição de 14 fotografias verticais e foi obtida na zona do Parque Natural do Douro Internacional, nas proximidades de Miranda do Douro. Nem sempre é fácil obter uma fotografia como se quer e quando se quer. No entanto, este fim de semana a Lua estava “ausente” e as condições climatéricas previam bom tempo (pese embora o facto de durante a noite terem surgido algumas nuvens altas), razões mais do que suficientes para me colocar a caminho e passar algumas horas longe da cidade e longe da luz, mas perto das estrelas. Foi um privilégio observar as searas do planalto de Miranda, iluminadas pela luz das estrelas e de alguns planetas como por exemplo o alinhamento de Saturno e Marte, visíveis no canto inferior direito da fotografia.

Como é possível ver nesta fotografia panorâmica, existem pontos de grande luminosidade, provenientes das aldeias dispersas pelo planalto Mirandês. E a luz dessas aldeias é projectada para a atmosfera, iluminando neste caso em particular, as nuvens de altitude que se faziam sentir nessa noite.

Apesar da luz artificial incutir alguma beleza à fotografia, não é nada agradável para quem gosta de fotografar a Via Láctea, seja ele um fotografo profissional ou amador.

Clique aqui para visualizar a fotografia com maior definição.

Patagónia – El Charpitero Gigante

El Charpitero Gigante
El Charpitero Gigante
A viagem de Puerto Natales até ao Parque Nacional decorreu numa ambiência de filme de autor, daqueles filmes tão herméticos na sua essência que apenas o próprio autor o compreende: a viatura avançava velozmente pela estrada e eu tinha a sensação de estar a ver sempre a mesma cena. A escala e dimensão do cenário alargam o horizonte a uma perspetiva difícil de apreender para quem não é habitual destas paragens. De início o trilho mostrava-se intratável, muito difícil e lento, por entre pedras soltas que a cada passo para a frente me faziam deslizar dois atrás. Com meia-hora de caminho necessária para alcançar a meia-encosta, o trilho seguia as curvas do vale que me levaria à base das torres num passo, agora, mais firme e seguro pois o desnível era pouco acentuado. Aqui ou ali salpicado por Lengas acompanhava a margem direita do rio Ascencio, visível no seu correr por entre as pedras e as Lengas de cores douradas que polvilhavam as margens. Apesar de algum vento forte, o dia estava bom para caminhar. Neste mister de calcorrear os caminhos por onde já ninguém anda, sobra-nos tempo para arrumar ideias dentro da cabeça, planear projetos ou, simplesmente, sentir o pulsar da vida na sua plenitude tornando-nos em recetáculo geral de todas as sensações. Do milhão de memórias que carregava comigo, o cérebro insistia em relembrar-me constantemente que eu estava a caminho de Las Torres Del Paine, do que iria ver diante de mim quando lá chegasse. Essa dúvida, incerteza, desconfiança, crença… alimentava-me de coragem e força para vencer a etapa. Ver com os meus olhos, primeiro; primeiro, o olhar. Sempre.
Por uma antiga e rudimentar ponte de madeira saltei o rio Ascencio que há alguns quilómetros me vinha a acompanhar para entrar num bosque fechado de Lengas, a árvore mais característica da Patagónia. Em sintonia, tudo se complementava, forma e conteúdo no seu esplendor. Sentado para descansar alguns minutos e hidratar-me, ergui-me de sopetão ao surpreender-me com o inesperado: a cerca de 20 metros de distância, por entre os ramos das árvores, duas aves de médio porte a saltar de tronco em tronco. Não cria nos meus olhos, mentiam seguramente.
Trocada a grande angular até aí usada, por uma outra de “400 mm”, lancei-me em perseguição desabrida daqueles “pica-paus” até perder a noção do local em que havia deixado a mochila. Sei agora que era um pica-pau preto de nome El Charpitero Gigante, cuja principal característica distintiva entre géneros é a cabeça vermelha do macho, fácil de observar sempre que este percorre o tronco de uma árvore em busca de alimento. De novo a caminho, estava maravilhado com o constante deslumbramento provocado por todos estes encontros, casuais ou não. O avistamento dos pica-paus não me saía da cabeça, tão surpreendente quanto mágico havia sido.