Entre Moinhos e Natureza Selvagem chegou à televisão



Estreia do documentário natural “Entre Moinhos e Natureza Selvagem”, foi um sucesso no Auditório Municipal de Gondomar.




E passados que foram 5 anos, eis o novo documentário natural sobre a zona dos Moinhos de Jancido. Por agora fiquem com o teaser – Entre Moinhos e Natureza Selvagem.
Num recanto da margem esquerda do rio Sousa, escondidos entre socalcos verdes e memórias do passado, repousam silenciosos os Moinhos de Jancido. Esquecidos durante décadas, estavam quase submersos no tempo. Mas algo extraordinário aconteceu… Uma história de resiliência, de comunidade e de renascimento da natureza começou a ser escrita — não com palavras, mas com ações.
Este documentário é uma viagem pela beleza bruta e frágil da vida selvagem que hoje floresce aqui — graças ao esforço de um grupo que ousou sonhar. Os Rapazes de Jancido. Através da sua dedicação, devolveram aos moinhos o seu espírito… e à paisagem, o seu equilíbrio. Tudo o resto veio depois…
Brevemente! Em Gondomar e mais além!


Hoje tive o privilégio de realizar a palestra “O papel da fotografia e do vídeo na sensibilização ambiental” no Agrupamento de Escolas Júlio Dinis, em Gondomar. Durante duas sessões, de manhã e à tarde, partilhei com os alunos as minhas vivências na realização de documentários de natureza e vida selvagem pelo mundo. Fui surpreendido com uma homenagem especial: no auditório, estavam expostas fotografias da minha antiga exposição nos Moinhos de Jancido, acompanhadas por um quadro com desenhos e pinturas dos alunos inspirados nelas. Agradeço à professora Rita Cordeiro pelo convite. Espero que este dia tenha ficado na memória dos alunos e os inspire a construir um mundo melhor!








O Cinema nos Moinhos (uma parceria com os Moinhos de Jancido) é um evento que tem vindo a suscitar de ano para ano, um forte interesse por parte dos amantes da natureza e de uma forma geral por todos aqueles que se preocupam com as problemáticas ambientais. A IV edição do “Cinema nos Moinhos” realiza-se a 20 de julho, pelas 21h00 na zona dos Moinhos de Jancido em Foz do Sousa – Gondomar e os lugares, como habitualmente, são limitados. O acesso só se fará através da apresentação de bilhete (já estão disponíveis através do contacto 966454440). Este ano, para além de uma mostra fotográfica sobre os moinhos de jancido, o documentário que irei apresentar será o da Islândia (Islândia Natureza Ígnea) e que passou recentemente na SIC. O convidado especial desta 4ª edição é José Alberto Rio Fernandes, Professor Catedrático da universidade do Porto.
Saiba mais clicando no evento do Facebook:

Hoje, a convite da Prof. Rita Cordeiro realizei duas palestras no auditório do Agrupamento de Escolas Júlio Dinis em Gondomar, para as turmas do 8.º ano, sobre biodiversidade e sustentabilidade na Terra.
Fiquei bastante emocionado com os trabalhos das turmas 8.º C e 8.º E, que sob a orientação da professora Elisabete Silva, utilizando a técnica pontilhismo, inspiraram-se nas minhas fotografias registadas nas Serras do Porto e junto aos Moinhos de Jancido.
Dado o grande entusiasmo dos alunos, dooei vários livros meus “No silêncio dos Moinhos” e “Patagónia – A ponta do mundo”, no seguimento de um desafio que lhes lancei, que tinha por objetivo, identificar as várias espécies que eu mostrava nas fotografias durante a minha apresentação.
A escola agradeceu-me a generosidade e ofereceu-me uma serigrafia, criada pelo Prof. José Pinto.
Bibliodiálogos: Sustentabilidade na Terra (bibliodialogos.blogspot.com)



O cientista japonês Hideo Nishimura descobriu no dia 11 de agosto um novo cometa, cuja passagem pela órbita do Sol foi prevista pela NASA para o início de setembro.
Agora, após uma curta, mas muito aguardada espera por parte dos amantes da astrofotografia, o cometa conhecido como Nishimura (C/2023 P1) atingiu o seu ponto mais próximo da Terra, e isso foi motivo para tentar registar este objeto celeste.
A fotografia mostra o cometa “por cima da capela do Calvário” em Gondomar e como se trata de um cometa periódico, só daqui a 400 anos é que será possível observá-lo novamente.
Depois de vários dias a estudar a posição do cometa de que toda a gente que gosta de astrofotografia, falava, no passado dia 8 de setembro, levantei-me às 4h00 da madrugada e desloquei-me para a zona do Monte Castro, local onde montei um sistema fotográfico que me ajudou na recolha de fotografias.
Depois de chegado ao local (por volta das 4h30), tive de escolher o melhor enquadramento possível com o objetivo de registar o cometa e para isso contei com o auxílio de software específico que me ajudou a orientar na direção do nascer do Sol, dado que era nessa zona que o objeto celeste iria surgir por detrás das serras do Parque das Serras do Porto.
Depois de posicionado os dois tripés que utilizei, comecei por registar algumas fotografias de teste, quando reparei que o relógio marcava 5h30 e a ténue luz do nascer do dia começava a surgir no horizonte.
Eu sabia que tinha uma janela de oportunidade muito pequena. Antes do nascer do Sol, eu tinha de fotografar o cometa, dado que a luz do dia iria impossibilitar o registo fotográfico. As dificuldades seriam muitas, desde logo a localização do cometa através da minha câmara fotográfica e esperar que as nuvens ou neblinas não surgissem na linha do horizonte. Com um pouco de sorte (que deu muito trabalho), as neblinas não surgiram e o registo fotográfico iniciou-se quando localizei o cometa a surgir por detrás das serras após uma fotografia de longa exposição (cerca de 20 segundos).
Isto só foi possível pois o sistema de “tracking” Sky Watcher que utilizei, permite que qualquer câmara que esteja acoplada a ele (neste caso foi utilizada uma objetiva de 200mm), vá acompanhando a rotação da Terra. De uma forma mais simples (pois o processo é um pouco complexo), pode-se dizer que este sistema é “apontado” à Estrela Polar e a partir daí qualquer objeto roda em torno desse eixo, o que permite por exemplo registar fotografias de longa exposição para capturar a ténue luz proveniente do espaço profundo e nunca perder definição. O que seria impossível com uma câmara estática.
Nunca seria possível registar exposições com duração superior a 12 segundos (mesmo com valores de ISO elevados), se não fosse com a ajuda deste equipamento, caso contrário as estrelas e planetas no horizonte, ficariam com um “risco” e não com um “ponto” de luz.
Depois de registar cerca de 250 fotografias (até às 6h45), poucos minutos antes do Sol surgir no horizonte, dei o registo por terminado e regressei a casa, local onde mais tarde viria a editar estas fotografias e com elas devidamente “empilhadas”, numa técnica que dá pelo nome de “stacking”, criar esta imagem. O facto de ser um profissional da fotografia e do vídeo e ao mesmo tempo possuir formação em Sistemas Informáticos, dá-me valências que possibilitam ir mais longe no mundo da fotografia. E o espaço profundo é todo um mundo novo que está a revelar-se às novas tecnologias.
Perceber que com uma simples câmara fotográfica e uma objetiva com algum “zoom”, podemos capturar imagens que os nossos olhos não veem, é deveras apaixonante e permite ter outra perceção da casa que habitamos (o planeta Terra) e todo o jardim ao seu redor (a Via Láctea).
Paulo Ferreira já registou imagens da Lua em alta resolução, da Via Láctea, da Galáxia de Andrómeda, da Nebulosa de Orion, das Perseidas, do Cometa Neowise e agora o Nishimura, entre outros objetos.
Contudo, este é um processo moroso, que dá algum trabalho, requer preparação e estudo e exige dedicação, mas que de certa forma dá prazer quando vemos a imagem surgir diante de nós. E neste caso em particular, tratando-se de um cometa, a satisfação é ainda maior.
Saibam mais sobre as minhas fotografias e vídeos em www.pauloferreira.pt


Artigo Vivacidade da edição de agosto de 2023
Foi no mês de Agosto, o mês das Senhoras. Minha avó agarrava-me pelo braço e furava a multidão. Não dava fé, havia deixado o tino lá atrás preso à figura sem tempo que esquadrinhava o terreiro da capela: fechava um olho para ver e deixava o aberto escondido por detrás de um aparelho com que fazia mira ao magote de aldeãos, como a caçadeira do meu avô apontada aos coelhos. Que estranha maneira de olhar. Foi num dia de romaria.
Anos galgados, recordo o momento em que fechei um olho para ver melhor a criação do mundo. Artífice menor, dediquei o meu espanto à arte encantatória de domar o tempo a cristalizar miradas. Um dia, encarando o Perito Moreno, percebi que a vida se esvai num contínuo: ora breve, ora furioso. Mas contínuo, tal como o glaciar consumido por si mesmo.
Aportei cais distantes; falei sem saber, ouvi sem perceber. Palmilhei sete léguas de terra e um oceano de baleias. Apontei ao bailado nos céus e não sei se vi anjos na neve. Fui ao Norte. Fui ao Sul. Percorri o deserto. Ouvi a Terra e o gado apascentado no regresso à corte. Semeei histórias, plantei pomares. Fiz-me à noite e às estrelas, outros mundos. Busquei lagartos, trasgos e olharapos. Domei moinhos, castelos, catedrais. Dormi à chuva, temporais. Demandei o mar. Abri velas aos ventos do levante e percorri a planície. Matei o tempo contando nuvens. Procurei o pássaro de ouro e encontrei o canto do rouxinol. Ofereceram-me mariposas, pão e vinho. Bebi com eles, trocámos verdades. Venci prémios, galardões; perdi no dominó – sou santo da casa! A lua espera-me cavalgando as montanhas e o sol morrente é um convite ao torpor. Perdi-me de mim ao encontrar o Fitz Roy e os amigos aguardam o meu regresso sentados à mesa.
Ilustração de Jorge Grator Ferreira (baseada em fotografia de Custódia Sousa) | Texto de Paulo Santos (baseado nas minhas histórias ao redor do mundo).