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Etiqueta: Moinhos de Jancido

Fotografia noturna em noite de Verão

Ponte_Longras_Noite

A noite caía a passos largos. Olhei para o relógio, marcava 21h15 e eu descida para a ponte de Longras. Uma centenária passagem rudimentar sobre o rio Sousa nas proximidades dos Moinhos de Jancido. Outrora palco de grandes batalhas (entre animais e as pessoas que retiravam da terra o seu sustento), na atualidade serve para os amantes da natureza se deliciarem com as vistas, quer para montante, quer para jusante do rio Sousa. Ao chegar à ponte, o Joel (biólogo), estava sentado na beira do rio (havíamos combinado encontro naquele local horas antes). O objetivo era registar alguns planos de timelapse noturnos e se a ocasião se propusesse, uma ou outra ave noturna, como o Noitibó (um sonho para quem gosta de aves noturnas).
Aproximei-me do rio e procurei um local que enquadrasse a ponte de Longras e a copa das árvores que ladeiam as margens. Apesar de estar num local encaixado no vale do Sousa, ainda assim consegui colocar parte da Via Láctea dentro da imagem. Tinha como finalidade registar o movimento das nuvens e das estrelas que salpicavam a noite de Verão. Pelo meio da escuridão, fui avançando rio dentro para posicionar o tripé e só quando senti os pés molhados é que descobri que havia chegado ao sítio certo. E por ali fiquei largos minutos, O Joel falava de aves noturnas e eu ouvia-o como se estivesse a ler um livro, sentado numa carruagem do expresso do oriente que avançava pela paisagem noturna a todo o vapor. A dada altura, pediu silêncio. Disse-lhe que eu estava calado, ele é que estava a falar. Respondeu que ouvira um Noitibó. E de facto eu também o ouvia, agora que ele o assinalou. E ali ficamos a ouvir, enquanto a câmara registava calmamente as fotografias necessárias para a produção do plano de timelapse. Misteriosos e simultaneamente fascinantes, os noitibós são aves insectívoras de hábitos crepusculares. O noitibó-da-europa faz-se notar principalmente pelo seu canto que faz lembrar um inseto. Era um encanto. Assim torna-se mais fácil concretizar ideias.

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O bútio-vespeiro (Pernis apivorus) é uma ave de rapina discreta e pouco comum

Butio-vespeiro

Paulo Ferreira (Fotografia e vídeo de natureza):

Sou um frequentador habitual da zona dos moinhos de Jancido. Desde 2019 que não há uma semana, que não passe pelo local. Tem sido o meu sítio preferido no que à fotografia e vídeo de natureza, diz respeito. E por essa razão, frequento muitos locais, onde sei que a probabilidade de encontrar uma ave, por exemplo, é muito grande. Foi o caso deste Bútio-vespeiro. Já o estava a seguir há alguns dias, dado que possuía informação relativa à sua localização e preferência de pouso junto à margem do rio Sousa. Gostava de “caçar” algumas rãs menos atentas à presença desta ave. Ou porque talvez não soubessem que ela também gosta de outras coisas, para além de abelhas ou vespas. Talvez seja bom para uma dieta mais saudável. E como tinha informação privilegiada, decidi apostar naquele local. Só posso dizer que a sorte acompanha os audazes, pois dias mais tarde (depois de muitos insucessos), acabei por fotografar esta bela ave, logo após levantar voo junto á margem do rio. Local onde se escondia inúmeras vezes, pois trata-se de uma ave que gosta do contacto com o solo. Com um olho na camera e outro na ave, lá fiz mais de uma dezena de fotografias, quase todas elas sem a qualidade que pretendia. Exceto esta, que o amigo biólogo Joel Neves aceitou escrever o seguinte texto.

Joel Neves (Biólogo):

O bútio-vespeiro (Pernis apivorus) é uma ave de rapina discreta e pouco comum, que partilha algumas semelhanças com a águia-de-asa-redonda (Buteo búteo), com a qual é facilmente confundida. Distingue-se deste última pela ausência da característica meia-lua no peito, pela cabeça cónica e projetada, cauda de maiores dimensões e com múltiplas barras. Apresenta um leque variado de plumagens que, para além das diferenças já habituais consoante o sexo e a idade, inclui uma forma clara, uma forma intermédia (como a que pode ser observada foto) e uma forma escura.

É um migrador estival tardio (maio a setembro/outubro) oriundo da África Tropical. Passa os primeiros meses exclusivamente nos locais de nidificação, preferindo zonas florestais com árvores de grande porte (maioritariamente carvalho e pinheiro no Norte), intercaladas com clareiras. Em agosto, começam a dispersar e a iniciar a sua viagem de regresso para os locais de invernada, pelo que podem ser observados com mais facilidade durante esta época do ano. Alimentam-se essencialmente de ninhos, adultos e larvas de vespas e abelhas, podendo estender a sua dieta a insetos, répteis, pequenos mamíferos, e crias e ovos de aves. De salientar que é um dos poucos predadores conhecidos, a par do abelharuco (Merops apiaster), da invasora vespa-asiática (Vespa velutina).

É uma espécie que em Portugal encontra-se com um estatuto de conservação classificado como “Vulnerável” e está protegida por lei sobre alçada da diretiva Aves e das convenções de Berna, Bona e Washington (CITES). As maiores ameaças à espécie são a perturbação humana nos locais de nidificações, colisão com linhas de alta tensão, destruição de manchas florestais autóctone e conversão em monoculturas florestais, e a instalação de parques eólicos em locais de nidificação ou em corredores de migração.

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Eduardo Rêgo em Gondomar

No passado fim de semana, o Eduardo Rêgo do projeto Loving the Planet, passou por Gondomar, a meu convite e ficou alojado na Goldnature, do casal amigo, Paula Branco e Norberto Calaia. Foi-lhe proporcionado conhecer os “Rapazes de Jancido” e o seu projeto Moinhos de Jancido, antes de participar na 3ª edição do “Cinema nos moinhos”. Plantou uma árvore e falou com todos nós. Um dia que ficará para sempre na minha memória.

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Paulo Ferreira realiza III edição do Cinema nos Moinhos

Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos

Ontem, dia 29 de julho de 2023, realizou-se a 3ª edição do “Cinema nos moinhos”. Foi uma noite memorável. Anualmente realizo o evento em parceria com os Moinhos de Jancido. A noite foi preenchida com a musica do Quarteto ERMA e Eduardo Rêgo falou sobre a consciência ambiental e o seu projeto Loving the Planet. Coube a mim a apresentação de uma sequência de fotografias que registei recentemente na zona dos moinhos de Jancido e terminei com a mostra do documentário “Naturalmente Flores”. Pelo meio ainda houve tempo para entregar os prémios do concurso de fotografia “Biodiversidade nos moinhos de Jancido”.

Antes da noite cair e sermos contemplados com imagens únicas dos Moinhos de Jancido e de outros locais ao redor do mundo, tive a possibilidade de apresentar ao Eduardo Rêgo do projeto Loving the Planet, o trabalho realizado pelos “Rapazes de Jancido”. Foi-lhe proporcionada a plantação de uma árvore, num dos vários locais dos moinhos de Jancido, onde estão a tentar salvaguardar algumas espécies autóctones.

Foi uma noite diferente, num lugar idílico, com uma moldura humana que nos surpreendeu a todos e acima de tudo, interessada.

Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos

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Paulo Ferreira, com uma enorme sensibilidade ecológica e uma alma de artista

Moinho do Alves

Padre Tony Neves, Jancidense em Roma, escreveu o seguinte a respeito do Paulo Ferreira:

Estes ‘Rapazes de Jancido’, a quem presto a minha homenagem, atraíram multidões de olhares, mas um deles é muito especial: o do Paulo Ferreira, com uma enorme sensibilidade ecológica e uma alma de artista. O seu documentário ‘No silêncio dos Moinhos’ é de encher o coração deste silêncio belo que fala alto e cala fundo. E depois surgiu um livro, que põe à disposição de um público mais amplo, fotos de rara e profunda beleza.
Agradeço aos ‘Rapazes’ a sua dedicação enorme a esta causa. Dou as maiores felicitações ao Paulo pela sua presença constante (já faz parte da equipa!), pelo magnífico trabalho realizado. E não esqueço a belíssima foto das enchentes do Rio Sousa junto à Ponte de Longras que o Paulo me ofereceu na 1ª Missa dos Moinhos, celebrada no ‘Auditório’ em 2021.
Deliciem os olhos com estas fotos, vejam o documentário e voltem quantas vezes puderem a este ambiente de paraíso que os ‘Rapazes’ ajudam a redescobrir e abrir ao mundo.

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Concurso de Fotografia “Biodiversidade nos Moinhos de Jancido”

Concurso de fotografia

O concurso de Fotografia “BIODIVERSIDADE NOS MOINHOS DE JANCIDO” é organizado por Paulo Ferreira e pelos “Rapazes de Jancido” e insere-se no evento “Cinema nos moinhos” que terá lugar no próximo dia 29 de julho de 2023. Tem como objetivos principais, refletir e consciencializar a população em geral sobre a importância da Biodiversidade na zona dos Moinhos de Jancido, assim como desenvolver a criatividade e a expressividade.

O prazo de envio dos trabalhos originais decorre até ao dia 24 de julho de 2023 (será considerada a data de carimbo dos C.T.T.). As cópias apresentadas não serão devolvidas.

Para participar devem ler o regulamento do concurso: Regulamento

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3ª Edição do “Cinema nos moinhos”

3ª EDIÇÃO CINEMA NOS MOINHOS

É já no próximo dia 29 de julho, pelas 21h00 que se realizará a 3ª edição do “Cinema nos moinhos”. É um evento cuja iniciativa partiu do Paulo Ferreira e o objetivo é dar a conhecer os seus trabalhos mais recentes, quer seja ao nível da fotografia ou vídeo. A ideia surgiu em 2021 e desde esse ano que o evento tem vindo a ganhar mais notoriedade, ganhando audiência cujas fronteiras ultrapassa o concelho de Gondomar.

Este ano, o “Cinema nos moinhos” irá proporcionar a visualização de um documentário natural e de algumas fotografias de natureza:

  • O documentário natural “Naturalmente Flores“, um filme gravado na ilha das Flores em 2022, que descreve algumas das singularidades do Património natural da ilha, nomeadamente ao nível da flora e da fauna, mostrando ainda imagens noturnas da ilha e do espaço sideral.

Será certamente uma boa oportunidade para visualizar estes dois documentários, num ambiente envolto em natureza, como é a zona dos Moinhos de Jancido.

Este evento conta com o apoio dos Moinhos de Jancido, da EletriSom e da PTLapse.

Dado que o espaço é limitado, será obrigatório apresentar bilhete. Os bilhetes estarão disponiveis em breve e serão anunciados na página do facebook de Paulo Ferreira e dos Moinhos de Jancido.








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Quando as pedras deste moinho se tornaram o pão de cada dia

Star Trail Moinho de Jancido

Algures no passado, quando as pedras deste moinho se tornaram o pão de cada dia, certamente não havia a noção de que lá bem no alto, por detrás dele, existia uma estrela de nome “Polar”. Compreende-se. Não havia tempo para um olhar mais minucioso e curioso. Vivia-se, simples e calmamente ao ritmo de uma mó, cuja água alimentava o seu movimento. E isso era muito bom. Até que, anos mais tarde, ali cheguei. As vidas calmas já tinham partido, mas nem por isso fiquei desmotivado. A vida é mesmo assim. Agora partilho convosco esta fotografia, que já andava a planear há algum tempo.

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Outono nos Moinhos de Jancido

O outono está à porta e é tempo de fotografar as pequenas coisas que abundam nos campos nas proximidades dos Moinhos de Jancido. Aqui ficam algumas fotografias que registei estes dias naquela zona. Desde a Salamandra-lusitánica aos cogumelos, todos eles são motivos mais do que suficientes para levantar bem cedo e ir em busca destas espécies.







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