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Etiqueta: Paulo Ferreira

A Lua que quase beijou a torre do Castelo de Noudar

A Lua em Noudar

Tive a oportunidade de realizar um workshop de fotografia noturna, em pareceria com o Parque de Natureza de Noudar, nos dias 18, 19 e 20 de agosto. O local possui excelentes condições noturnas para que este tipo de fotografia seja realizado. Praticamente não há luz artificial nas proximidades do parque e isso é uma mais-valia para a astrofotografia, por exemplo. Foi o caso desta imagem. Eu sabia que nesses dias, a Lua iria “passar sobre o castelo de Noudar”, se o ponto de registo desse momento, fosse as instalações da Herdade da Coitadinha (Parque de Natureza de Noudar). Dias antes havia consultado alguma informação ao nível de software que ajuda a perceber estes momentos únicos. Mas apesar dessa consulta e cruzamento de informação ao nível da tecnologia existente, não tinha a certeza disso mesmo. Corria o risco de ter de me movimentar para a lateral das instalações e isso poderia não ser possível dado que os terrenos são vedados para pasto dos animais que habitam o parque. Os nossos sentidos ainda são uma mais-valia para complementar a parte tecnológica do processo. E havia outra razão para estar um pouco sético, e que tem a ver com as condições meteorológicas. Por exemplo, as nuvens não podiam surgir ao final da tarde. Munido de uma câmara fotográfica e de uma objetiva de 600mm, montei o tripé no pátio exterior da Herdade por volta das 20h00 e aguardei pelo momento mais favorável ao registo fotográfico. O relógio marcava 20h27 quando a Lua “aparentemente descia” sobre a muralha do Castelo de Noudar. Foram registadas algumas fotografias em diferentes técnicas fotográficas e o resultado é este. Uma Lua que quase beijou a torre do Castelo de Noudar. O mundo é admirável. Só temos de o saber preservar.  Sermos sustentáveis e consciencializar os políticos mais sépticos. Este é o meu desígnio.

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Foi no mês de Agosto, o mês das Senhoras

Artigo Vivacidade da edição de agosto de 2023

Foi no mês de Agosto, o mês das Senhoras. Minha avó agarrava-me pelo braço e furava a multidão. Não dava fé, havia deixado o tino lá atrás preso à figura sem tempo que esquadrinhava o terreiro da capela: fechava um olho para ver e deixava o aberto escondido por detrás de um aparelho com que fazia mira ao magote de aldeãos, como a caçadeira do meu avô apontada aos coelhos. Que estranha maneira de olhar. Foi num dia de romaria.
Anos galgados, recordo o momento em que fechei um olho para ver melhor a criação do mundo. Artífice menor, dediquei o meu espanto à arte encantatória de domar o tempo a cristalizar miradas. Um dia, encarando o Perito Moreno, percebi que a vida se esvai num contínuo: ora breve, ora furioso. Mas contínuo, tal como o glaciar consumido por si mesmo.
Aportei cais distantes; falei sem saber, ouvi sem perceber. Palmilhei sete léguas de terra e um oceano de baleias. Apontei ao bailado nos céus e não sei se vi anjos na neve. Fui ao Norte. Fui ao Sul. Percorri o deserto. Ouvi a Terra e o gado apascentado no regresso à corte. Semeei histórias, plantei pomares. Fiz-me à noite e às estrelas, outros mundos. Busquei lagartos, trasgos e olharapos. Domei moinhos, castelos, catedrais. Dormi à chuva, temporais. Demandei o mar. Abri velas aos ventos do levante e percorri a planície. Matei o tempo contando nuvens. Procurei o pássaro de ouro e encontrei o canto do rouxinol. Ofereceram-me mariposas, pão e vinho. Bebi com eles, trocámos verdades. Venci prémios, galardões; perdi no dominó – sou santo da casa! A lua espera-me cavalgando as montanhas e o sol morrente é um convite ao torpor. Perdi-me de mim ao encontrar o Fitz Roy e os amigos aguardam o meu regresso sentados à mesa.

Ilustração de Jorge Grator Ferreira (baseada em fotografia de Custódia Sousa) | Texto de Paulo Santos (baseado nas minhas histórias ao redor do mundo).

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Perseidas 2023 no Parque Natural do Alvão

Perseidas 2023_1

Noa dia 12 de agosto de 2023, pelas 22H00, estava no Parque Natural do Alvão, com o propósito de registar as “Perseidas”. Um fenómeno que todos os anos nos proporciona noites de “chuva de estrelas”. Procurei um local que fosse o mais apropriado para estar longe da luz artificial e acrescentei algum isolamento, pois não queria ser incomodado no trabalho que pretendia realizar. Dois amigos, o Manuel Marques e o Ricardo Leal, fizeram companhia e a noite foi bem passada.

Com duas câmaras apontadas ao céu, ficou muito fácil registar alguns meteoros, até porque ambas estavam a capturar sequências de fotogarfias com o objetivo de produzir alguns planos de timelapse. A noite só terminou por  volta das 03H00 da madrugada, mas considero que valeu a pena. Deixo aqui algumas fotogafias e o vídeo que entretanto realizei.

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Eduardo Rêgo em Gondomar

No passado fim de semana, o Eduardo Rêgo do projeto Loving the Planet, passou por Gondomar, a meu convite e ficou alojado na Goldnature, do casal amigo, Paula Branco e Norberto Calaia. Foi-lhe proporcionado conhecer os “Rapazes de Jancido” e o seu projeto Moinhos de Jancido, antes de participar na 3ª edição do “Cinema nos moinhos”. Plantou uma árvore e falou com todos nós. Um dia que ficará para sempre na minha memória.

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Paulo Ferreira realiza III edição do Cinema nos Moinhos

Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos

Ontem, dia 29 de julho de 2023, realizou-se a 3ª edição do “Cinema nos moinhos”. Foi uma noite memorável. Anualmente realizo o evento em parceria com os Moinhos de Jancido. A noite foi preenchida com a musica do Quarteto ERMA e Eduardo Rêgo falou sobre a consciência ambiental e o seu projeto Loving the Planet. Coube a mim a apresentação de uma sequência de fotografias que registei recentemente na zona dos moinhos de Jancido e terminei com a mostra do documentário “Naturalmente Flores”. Pelo meio ainda houve tempo para entregar os prémios do concurso de fotografia “Biodiversidade nos moinhos de Jancido”.

Antes da noite cair e sermos contemplados com imagens únicas dos Moinhos de Jancido e de outros locais ao redor do mundo, tive a possibilidade de apresentar ao Eduardo Rêgo do projeto Loving the Planet, o trabalho realizado pelos “Rapazes de Jancido”. Foi-lhe proporcionada a plantação de uma árvore, num dos vários locais dos moinhos de Jancido, onde estão a tentar salvaguardar algumas espécies autóctones.

Foi uma noite diferente, num lugar idílico, com uma moldura humana que nos surpreendeu a todos e acima de tudo, interessada.

Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos
Paulo Ferreira - Cinema nos moinhos

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Paulo Ferreira realiza novo documentário natural na ilha Graciosa

Documentário natural na ilha Graciosa

Paulo Ferreira divulgou hoje o seu próximo projeto de documentário natural. Desta vez será na ilha Graciosa, no arquipélago dos Açores e terá o apoio das seguintes entidades e empresas:
Governo dos Açores – Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, Lado B – A Melhor Francesinha do Mundo, Opticalia Gondomar, Divingraciosa, Município Santa Cruz da Graciosa, Rent-a-car Graciosa, Claranet Portugal, Moinho de Pedra – Turismo Rural. Se achas que deves apoiar este ou os próximos trabalhos, entra em contacto.

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Notícia Vivacidade sobre o recente documentário do Parque das Serras do Porto

O documentário “Parque das Serras do Porto – um olhar independente” cuja estreia aconteceu no passado dia 7 de junho de 2023, tem sido um enorme sucesso no que á divulgação do estado atual do parque diz respeito. Após a sua visualização seguiu-se uma mesa redonda com vários convidados de entre os quais se salienta: Eduardo Rêgo (Loving the Planet), Arquitecta paisagística, Filipa Almeida (Apijardins), Serafim Riem (Iris – Associação Nacional de Ambiente), Prof. José Alberto Loureiro Pereira, Vitor Parati, Joel Neves – biólogo e António Gonçalves (dos rapazes de Jancido).

Esta semana foi notícia no jornal Vivacidade.

noticia-vivacidade

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Em busca dos pirilampos perdidos

Pirilampos

Era um dia, como todos os dias de verão. Ou se calhar, não.
O relógio marcava 21h30, o sol de cor quente desaparecia na linha do horizonte. Tinha comido qualquer coisa a correr e sem dar por isso, percorria um caminho que escurecia a cada passo, junto às margens do rio Sousa. Os meus olhos começavam a habituar-se à ausência de luz natural. E apesar de tropeçar aqui ou ali numa pedra ou numa raiz do caminho, não desviei o olhar de uma ou de outra luz que piscava ao meu redor. Eu seguia-as a cada passo. O caminho parecia um túnel feito de árvores e arbustos e os seus ramos faziam questão de me despentear. Parecia que estava a entrar num filme fantástico, numa outra realidade. Aos poucos, aquela pequena luz amarela que piscava ao meu redor, foi-se juntando a outras que piscavam ainda mais. O entusiasmo cresceu e o mundo fantástico dos pirilampos revelou-se. E por ali fiquei a observar aquele mundo. Quando dei por mim, estava a seguir aquelas pequenas luzes para todo o lado. Para a esquerda, para a direita, para cima e para baixo. Quase a perder o equilíbrio, pisquei os olhos mais uma vez e disse para mim que era chegada a hora de registar aquele momento. De acordar e de começar a trabalhar. A noite seria longa. As rãs fizeram questão de me acompanhar no processo de montagem do tripé e das definições da câmara fotográfica. Foi ao som delas que a noite se tornou ainda mais animada. Por lá passaram umas quantas pessoas que vinham ver o fenómeno e alguém me dizia: “Parece um filme do avatar”.

Citando Alberto Caeiro, eu atrevo-me a dizer:

O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Pirilampos
Pirilampos

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Documentário “Parque das Serras do Porto – um olhar independente” estreia na Escola Dramática e Musical Valboense

Ontem, dia 07 de junho de 2023, realizou-se a estreia do documentário “Parque das Serras do Porto – um olhar independente”. A apresentação teve lugar na Escola Dramática e Musical Valboense, pelas 21h30. Após a mostra do documentário, seguiu-se uma conversa entre todos os presentes. O relógio marcava as 24h00 e o público não arredava pé. Na minha opinião foi um sucesso. Uma iniciativa pessoal em parceria com outras entidades, num processo de cidadania. Obrigado a todos os presentes.

Paulo Ferreira - Documentário Parque das Serras do Porto
Paulo Ferreira - documentário parque das serras do porto
Paulo Ferreira - documentário parque das serras do porto
Paulo Ferreira - documentário parque das serras do porto
Paulo Ferreira - documentário parque das serras do porto
Paulo Ferreira - documentário parque das serras do porto

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