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Naturalmente Flores estreia nas Lajes das Flores

O documentário “Naturalmente Flores” estreou no passado dia 22 de abril, pelas 21H00 no auditório do Museu Municipal de Lajes das Flores. A data foi escolhida para coincidir com as comemorações do Dia da Terra. Surpreendentemente o auditório encheu-se de pessoas que mostraram curiosidade em ver o filme. Apesar de ser um filme sobre a Ilha das Flores e que os seus habitantes poderiam achar que já tinham visto tudo, não se verificou isso.

Este trabalho começou a ser realizado em 2022 e teve a colaboração de biólogos, geólogos e técnicos ambientais, bem como de algumas entidades da ilha das Flores, nomeadamente a Secretaria Regional do Ambiente e o Parque Natural das Flores. A narração ficou a cargo de Eduardo Rêgo e o trabalho tem a marca “Loving The Planet”. O evento teve cobertura da RTP Açores e o documentário será apresentado ao publico dentro de alguns dias.

Enquanto autor do trabalho, fiquei com a sensação de que os presentes no dia da estreia ficaram impressionados com a qualidade e os conteúdos do filme.

Foi com enorme emoção que ouvi da parte de um “Florentino” que o documentário o surpreendeu pela parte poética, enquanto aborda o lado científico da fauna e flora, retratados no filme. Essa é a minha imagem de marca e que gosto de incorporar nos trabalhos que realizo.




O trailer do filme pode ser visualizado aqui:

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Quando as pedras deste moinho se tornaram o pão de cada dia

Star Trail Moinho de Jancido

Algures no passado, quando as pedras deste moinho se tornaram o pão de cada dia, certamente não havia a noção de que lá bem no alto, por detrás dele, existia uma estrela de nome “Polar”. Compreende-se. Não havia tempo para um olhar mais minucioso e curioso. Vivia-se, simples e calmamente ao ritmo de uma mó, cuja água alimentava o seu movimento. E isso era muito bom. Até que, anos mais tarde, ali cheguei. As vidas calmas já tinham partido, mas nem por isso fiquei desmotivado. A vida é mesmo assim. Agora partilho convosco esta fotografia, que já andava a planear há algum tempo.

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O Guarda-rios (Alcedo atthis)

Guarda-rios (Alcedo atthis)

Paulo Ferreira (Fotografia e vídeo de natureza):
Fazer uma fotografia como esta é muito fácil.
Se não, vejamos:
Carrega-se equipamento fotográfico bastante pesado durante alguns minutos (para nos afastarmos do ruído humano), espeta-se um pau na margem de um rio, procura-se um lugar escondido para que não sejamos descobertos, enquadra-se e foca-se o hipotético poleiro, ajusta-se os parâmetros da câmara fotográfica e acredita-se intensamente que a ave pousará ali mesmo.
Uns segundos depois, não é que a ave pousou? É muito fácil… ou talvez não!

Joel Neves (Biólogo):
Uma das mais belas aves da nossa avifauna, o guarda-rios (Alcedo atthis), detentor de uma coloração laranja na zona ventral contrastante com um azul metálico nas partes superiores, pode ser frequentemente visto com o seu voo rasante sobre um corpo de água fazendo lembrar um verdadeiro relâmpago azul. É uma espécie residente que habita vários tipos de zonas húmidas como rios, ribeiros, estuários, lagos e açudes, sendo mais abundante no litoral do país. Nidificam em túneis construídos por ambos os progenitores nas margens lamacentas de rios ou em barrancos declivosos nas proximidades de um corpo de água.
Nesta foto podemos observar um comportamento muito característico desta espécie. Pousado num pequeno poste ou ramo, observa e espera pacientemente pelas suas presas, tais como peixes de água doce, pequenos crustáceos, insetos aquáticos e até mesmo girinos, até que seja o momento certo para lançar um ataque direto em forma de mergulho, usando o seu longo bico em forma de arpão. Dotados de uma excelente visão, possuem ainda mais uma adaptação que permite utilizar está técnica. Vértebras cervicais que possibilitam, não só, a rotação da cabeça em 360º, como também a total estabilização da cabeça quando pousados em locais móveis (ex.: ramos de árvores), permitindo uma maior eficiência na detetabilidade das suas presas subaquáticas.
Esta ave, embora não se encontre sobre qualquer estatuto desfavorável de conservação, tem como principais ameaças à sua ocorrência as alterações nas margens das linhas de água, poluição da água e perturbação humana sobre as suas áreas de reprodução.

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Estreia do documentário “Naturalmente Flores”

Documentário Naturalmente Flores

O documentário “Naturalmente Flores”, tem data de estreia marcada para o próximo dia 22 de abril (dia da Terra), pelas 21H00, no auditório do Museu Municipal de Lajes das Flores. O filme foi realizado e editado por Paulo Ferreira e tem a narração a cargo de Eduardo Rêgo. Paulo Ferreira esteve a gravar na ilha das Flores durante 15 dias em 2022 e mostra-nos algumas singularidades ao nível da flora e da fauna, incluindo a marinha. As imagens do fundo do mar das Flores despertam em nós a consciência ambiental necessária para que todos possamos reverter o sentido das alterações climáticas. As imagens noturnas (da Via Láctea), gravadas ao redor da ilha das Flores são uma visão diferente do que estamos habituados a ver. Isto porque a Ilha das Flores possui pouca poluição luminosa, algo que a todos deveria preocupar. Durante o filme quase que damos por nós sentados à beira mar, a ouvir o som dos Cagarros, sob um céu estrelado salpicado pela luz da Via Láctea. São imagens belas de uma Ilha especial para Paulo Ferreira.

O filme foi patrocinado por LadoB Café, Viagens Gondomar, Opticália Gondomar, Delete Informática, Ptlapse, Ppsec Engenharia, Socidias e Goldnature e conta com o apoio do Municipio de Lajes das Flores, da Aldeia da Cuada, da ExperienceOC, e da colaboração do Serviço de Ambiente e Alterações Climáticas das Flores, do Parque Natural das Flores e Reserva da Biosfera da Ilha das Flores, do Governo dos Açores e da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas. O documentário teve ainda a colaboração extraordinária da equipa de mergulho, constituída por Gui Costa, Carel Padilha e Filipe Gomes, estes ultimos da escola de mergulho Longitude31.

Naturalmente Flores

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Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa) regressa ao Sousa Inferior

O cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

Numa manhã de março, estava eu a percorrer um pequeno troço do Sousa Inferior, quando me deparo com um cágado que aparentemente era diferente da espécie que habitualmente observava nas proximidades. Na altura fiquei tão entusiasmado, que a falta de uma teleobjetiva maior do que a que estava na câmara fotográfica, não foi problema. E eufórico, lá fiz uns cliques, acabando por recolher também algumas imagens em vídeo para mais tarde utilizar num documentário que tenciono editar brevemente.
Dias mais tarde contactei o biólogo Joel Neves (com quem colaboro há já algum tempo) e lancei o desafio de identificar aquela espécie de cágado. Surpreendentemente as minhas suspeitas confirmaram-se e aqui fica o texto referente à componente científica enviado pelo Joel Neves:

O cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa) é uma das duas espécies nativas de cágados na nossa fauna. Segundo os dados fósseis, é uma espécie que habita o nosso planeta há aproximadamente 120 mil anos e que, atualmente, distribui-se ao longo da Península Ibérica, Sudoeste de França e Noroeste de África. Já em Portugal, esta distribui-se ampla e maioritariamente no interior do país e a Sul do Tejo, sendo que no litoral, do Mondego para cima, é escasso e apresenta populações pontuais e dispersas.
No entanto, o Paulo Ferreira observou e fotografou esta espécie algures nas margens do Sousa Inferior, sendo este um registo raro e interessantíssimo. Margens essas que são geralmente locais de postura, onde a fêmea de cágado-mediterrânico, pode colocar até 12 ovos num pequeno buraco. E é interessante, pelo facto de se contarem pelos dedos de uma mão, o número de registos oficiais desta espécie no Litoral Norte e por ser uma redescoberta no local, depois de 4 anos de ausência. E de extrema importância porque esta observação realça a necessidade e urgência da conservação deste réptil e dos corpos de água onde habitam, os quais se encontram altamente perturbados e ameaçados.
A necessidade de proteger esta espécie não advém do facto desta se encontrar em estatuto de conservação desfavorável, que não é o caso (possui o estatuto de “Pouco preocupante”), mas pela sua escassez no Sousa Inferior e pelas várias ameaças que aí enfrenta. Por si só, o isolamento desta possível população é um entrave à sua continuidade e ao seu futuro, uma vez que estão mais vulneráveis à extinção local já que indivíduos isolados têm maior dificuldade em se reproduzir e deixar descendência. Também a presença de espécies invasoras é um dos fatores limitantes à sua sobrevivência.
A presença assídua do cágado-da-Florida (Trachemys scripta) ameaça a continuidade deste cágado autóctone, uma vez que competem diretamente por espaço e recursos. Características morfológicas e fisiológicas como o facto de atingirem a maturação sexual muito mais cedo, uma maior taxa de fecundidade, a sua dieta mais generalista e de serem maiores e mais agressivos, facilitam a sua propagação e rápida predominância, sobrepondo-se às espécies autóctones e, consequentemente, levando ao seu declínio e até mesmo desaparecimento. Também o lagostim-vermelho-do-Louisiana é uma ameaça, já que estes se alimentam dos seus juvenis. Outros fatores de ameaça são a artificialização das margens, obras de engenharia que afetam a hidromorfologia das linhas de água, sobre-exploração de recursos hídricos, poluição e descargas de poluentes, bem como a pressão turística sobre zonas húmidas.
É por isso, necessário informar a população geral sobre a presença desta pequena tartaruga de água doce, que bem pode passar desprevenida, pois só dando a conhecer é possível chegar aos próximos passos: a sensibilização e a proteção. Mais uma vez, o Paulo Ferreira, a partir da sua lente dá-nos a conhecer mais uma espécie do nosso rico património natural e fazendo mais uma vez um papel importante naquilo que é a didática ambiental.

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Workshop de fotografia noturna no Parque de Natureza de Noudar

Workshop de fotografia noturna no Parque de Natureza de Noudar

Workshop de fotografia noturna no Parque de Natureza de Noudar. De 17 a 20 de agosto de 2023. Evento limitado a 8 participantes. 

Este evento será orientado pelo Paulo Ferreira. Na eventualidade das condições climatéricas não serem as mais favoráveis, as atividades exteriores durante as noites dos dias 18 e 19, poderão ser canceladas.

Programação:

Dia 17 de agosto – chegada ao Parque de Natureza de Noudar
Dia 18 de agosto – Workshop de fotografia noturna
Dia 19 de agosto – Workshop de fotografia noturna
Dia 20 de agosto – saída do Parque de Natureza de Noudar

Consulte os preços do alojamento e das refeições no Parque de Natureza de Noudar:

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Uma viagem pela biodiversidade no espaço PAN Porto

Evento PAN

A convite do Pan Gondomar e Pan Porto, irei apresentar o meu trabalho no “Espaço PAN Porto”.  Desta forma convido todos os amantes da Natureza,e não só, para este evento, onde poderemos apreciar o trabalho desenvolvido, na divulgação, preservação e valorização da biodiversidade em Gondomar e não só. O evento terá também a passagem do documentário premiado “No Silêncio dos Moinhos “, documentário esse que dá a conhecer a fauna e a flora da bacia do Vale do Sousa na zona de Jancido em Foz do Sousa. O evento contará também com a presença dos “Rapazes de Jancido” que têm sido os principais responsáveis pela reflorestação e preservação desta área natural, realizando um trabalho fantástico de sensibilização para estas temáticas.
Contamos com vocês no dia 11/03, às 21H no Espaço PAN Porto, na Rua do Barão de Forrester 783, Porto!

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Os amigos e a nebulosa de Orion

Orion Nebula

Dedico esta imagem a dois amigos. Paula Branco e Norberto Calaia. Conheci este casal há para aí uns 6 anos. Proprietários de um espaço lindíssimo, a Goldnature, convidaram-me a apresentar uma proposta para fotografias de grandes dimensões, nos vários espaços do seu alojamento, sito em S. Miguel – Gondomar. Na altura aceitei, mesmo em dia de muita chuva e depois de uma longa conversa telefónica num domingo à tarde. Desde essa data que frequento aquele espaço. Umas vezes convidam eles, outras faço-me de convidado… é gente boa e não leva a mal… Gente de outra coragem e força de vontade. Gente criada no milénio passado e que sabe valorizar a vida e enfrenta as dificuldades, mesmo que as pedras surjam no caminho, ou desconheçam esse mesmo caminho.
No passado mês de janeiro, surgiu a ideia de realizar umas fotografias à nebulosa de Oríon e como o espaço era propicio (pouca luz artificial ao redor), questionei-os se poderia ir lá fazer umas “sequências para um stacking”. Não sabiam bem o que era, logo percebi. Fui dizendo que aquilo era montar um sistema e que depois as fotografias sairiam sozinhas da câmara. Acreditaram e logo se prontificaram a convidar-me para um jantar. Comes aqui qualquer coisa, diziam eles… E lá aceitei. Não pela comida, mas pelo facto de estar num local seguro e escuro. Esta última parte, não é bem verdade… confesso. Na realidade foi pelo facto de poder conviver um pouco com eles. Conversar. Acho que começo a gostar de regressar às tertúlias de outros tempos. Essa coisa que foi substituída pelas atuais redes sociais.
E lá montei o sistema que iria fazer o trabalho fotográfico, debaixo de um frio extremo. O que é certo é que nem me deram 5 minutos para testar o mesmo. Sim, porque não confio nos sistemas. Gosto de controlar os sistemas. Anda para dentro, diziam eles. Está muito frio! E fiz-lhes a vontade. Confesso que a noite foi longa. Não por causa da comida ou da conversa, mas por causa do tempo que o sistema demorava a recolher 250 fotografias à nebulosa de Oríon. Talvez esta última razão não seja verdade… Talvez.
O que é certo é que debaixo de um frio extremo, rodeado de amigos que ajudam a aquecer a noite, o trabalho fica mais fácil. E o resultado está aqui. Obrigado, Paula Branco e Norberto Calaia.
A vida resume-se a estes momentos. O que mais queremos? A nebulosa de Oríon? É muito fácil, quando estamos com as pessoas certas, no local certo.
Venham outras nebulosas.

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