Islândia – Monólogo com uma foca

A minha aventura por terras da Islândia, realizada em maio de 2019 teve um momento que nunca mais esquecerei. A dada altura, nas proximidades de Ísafjörður nos fiordes ocidentais, deparei-me com uma colónia de focas. Já andava há alguns dias a tentar descobri-las e eis que numa altura em que já estava a ficar desanimado, elas surgiram diante de mim.
Depois de ter percorrido quase uma centena de quilómetros por uma estrada de “terra batida” fui dar a uma pequena enseada, onde estavam essas focas. Logo que as descobri, iniciei o registo fotográfico e aqui ou ali aproveitei para gravar alguns planos de vídeo que serão utilizados no meu próximo documentário curto.
De entre as inúmeras fotografias que tive oportunidade de registar, saliento esta.
Trata-se de um momento vivido intensamente entre mim e a foca. Eu estava tão ansioso e surpreendido com a presença da foca que a dada altura percebi que estava a falar com ela. Encontrei-a a uns 50 metros de mim e aos poucos fui-me aproximando. Pé ante pé, fui deslizando por entre as rochas cheias de algas, escorregando aqui ou ali, mas sempre com os olhos postos na camera fotográfica. Lembro-me que cheguei muito próximo da foca e a objectiva que usava naquele momento (400 mm), favoreceu imenso o trabalho.
A dada altura, de tão próximo que estava (a uns 20 metros), parecia que a ouvia respirar.
Foi aí que o monólogo começou. Eu fazia as perguntas e respondia logo de seguida. Suavemente, para não a assustar. Lembro-me de lhe dizer para ficar quieta, caso contrário ficaria “desfocada”.
Era a primeira vez que estava diante de uma foca, em ambiente completamente natural. Não sabia como iria reagir, nem sabia como deveria agir. Acho que já todos passamos por esta situação, uma vez na vida.
Apesar de toda a incerteza, o monólogo manteve-se e acreditem que a foca também. Penso que gostou de ser fotografada, pois esta fotografia é retrato disso mesmo.
Infelizmente, 5 minutos depois, em virtude do ruído que fiz ao escorregar numa rocha, na tentativa de me aproximar ainda mais, deslizou para dentro de água e desapareceu no oceano. Lentas em terra, mas muito esquivas na água.
No entanto ficou para a história, esse momento em que sem dar conta, estabeleci um monólogo com uma foca.










Paulo Ferreira apresentou hoje o seu mas recente filme. A cerimónia de estreia do documentário de 15 minutos, sobre o Parque das Serras do Porto, teve lugar na Quinta Da Costa, em Aguiar – Paredes. No seguimento dos seus anteriores trabalhos, também este aborda de certa forma a necessidade de todos nós termos consciência. Consciência para a actual problemática ambiental. Sermos responsáveis, pois… “Não há nada que preencha mais a alma que temos, do que a magia de poder espraiar os olhos, sobre a beleza de uma paisagem.”
Aotearoa – We Are All Made Of Stars tem vindo a ser premiado na grande maioria dos festivais internacionais de cinema, aos quais é submetido. O documentário curto, que aborda a necessidade urgente de preservarmos a nossa única casa, a Terra, procura consciencializar as pessoas para esta problemática tão atual e imperativa. É urgente tomar medidas. A natureza sabe o que faz. Um dia teremos de enfrentar a sua ira, caso não tomemos medidas que revertam este caminho das alterações climáticas.
Aotearoa – We Are All Made Of Stars foi premiado recentemente no festival internacional de cinema “Tour Film Riga”. Selecionado para melhor documentário curto sobre ecologia, acabou por obter o terceiro lugar nessa categoria. Mais informação pode ser consultada em: