Descobrindo Orion

Há um trabalho silencioso e paciente por trás de cada imagem da Nebulosa de Órion. Um trabalho que começa muito antes do clique final — começa nas noites frias e límpidas, quando o ar corta a pele e o céu parece mais próximo, mais honesto. São nessas horas, longe do ruído do mundo, que a câmara aponta para aquilo que, a olho nu, insistimos em chamar de estrela.
Montar o equipamento é um ritual: tripé firme, câmara preparada, objetiva alinhada, ferramentas de tracking a compensar a rotação da Terra com uma precisão quase humilde. Não há tecnologia de outro mundo, não há telescópios espaciais nem instrumentos milionários. Há apenas fotografia, persistência e a vontade de ir mais além do que os nossos olhos permitem.
Cada imagem individual é frágil. O sinal é ténue, quase tímido, afogado no ruído eletrónico e nas imperfeições inevitáveis do equipamento simples. Mas é aqui que entra a segunda parte da viagem — invisível, silenciosa, mas absolutamente transformadora: o stacking. Centenas de exposições curtas, captadas ao longo de horas, são alinhadas e somadas com rigor matemático. O ruído dilui-se. O sinal emerge. Aquilo que parecia impossível começa, lentamente, a revelar-se.
É neste ponto que a fotografia se encontra com o conhecimento informático. Algoritmos, processamento de imagem, calibração, paciência. No meu caso, um passado profissional ligado à informática torna-se uma extensão natural do olhar. O computador deixa de ser apenas uma ferramenta; passa a ser um laboratório onde a luz é decifrada, camada após camada.
E tudo começa, curiosamente, com um engano. Olhamos para o céu e vemos uma estrela. Um ponto branco, aparentemente simples. Mas a curiosidade muda tudo. Quando nos interessamos pela descoberta, procuramos conhecimento — e com ele, ganhamos profundidade. Aquilo que era uma estrela revela-se uma nebulosa. Ou talvez uma galáxia distante. Uma cidade de gás, poeira e nascimento estelar, suspensa no vazio.
Nesse momento, algo muda. É como se os nossos olhos vissem a luz pela primeira vez. Não uma luz qualquer, mas uma luz antiga. No caso da Nebulosa de Órion, uma luz que partiu dali há cerca de 1400 anos, quando a história humana era outra, quando o mundo era outro. E, ainda assim, essa luz chega agora, silenciosa, paciente, à minha modesta câmara.
A astrofotografia é isso: um diálogo entre tecnologia simples e conhecimento profundo, entre frio e espera, entre erro e revelação. Um exercício de humildade cósmica. Porque quando por fim vemos a imagem final, já não estamos apenas a observar o céu — estamos a testemunhar o tempo.
Trailer – Naturalmente Pico
Entre Moinhos e Natureza Selvagem chegou à televisão

Cometa C/2025 A6 (Lemmon) registado no Parque Natural do Alvão

Cometa C/2025 A6 (Lemmon) registado no Parque Natural do Alvão.
No alto do céu do Parque Natural do Alvão, sob o abraço sereno das montanhas e o silêncio profundo da noite, surge o mistério cintilante do C/2025 A6 (Lemmon) — um visitante vindouro que nos relembra a vastidão do cosmos e a fragilidade do olhar humano.
PRÉ-VENDA ABERTA | “Odisseia na Terra”

PRÉ-VENDA ABERTA | “Odisseia na Terra”
Depois de anos a cruzar o mundo com uma câmara na mão e o coração na boca, chegou o momento de partilhar esta viagem contigo.
“Odisseia na Terra” é mais do que um livro de fotografia. São 260 páginas de imagens, histórias reais, encontros improváveis e momentos em que tudo podia ter corrido mal — mas em que a vontade de contar o mundo falou mais alto.
Do caos de perder equipamento na Nova Zelândia e Patagónia, aos dilemas de continuar ou voltar atrás na Islândia, passando por um encontro com Sir David Attenborough, este livro é o reflexo cru e belo do que vivi para captar cada imagem.
Está oficialmente em pré-venda! Se sentes que o mundo é maior do que aquilo que vemos todos os dias, este livro é para ti.
Garante já o teu exemplar e recebe uma surpresa exclusiva de pré-venda: Uma fotografia autografada (à tua escolha no tamanho 60 x 40), aquando da apresentação e entrega do livro em Gondomar.
Caso tenhas interesse em adquirir o livro na fase da pré-venda (mais barato), envia 30 Euros por mbway para o nº 966 454 440
Na data de lançamento do livro, o mesmo será entregue em mãos e podes levantar o brinde. Ou então solicita o envio por correio após a data de lançamento, contudo será acrescido o valor dos portes.
Para quem vive fora de Gondomar e não pode levantar o livro no dia da apresentação, deve acrescentar o valor dos portes, de forma a recebê-lo pelo correio.
Listagem das pessoas que já adquiriram o livro em pré-venda:
-
JOÃO TELES
-
PAULA ABREU
-
CREMILDE VIANA
-
JOSÉ RODRIGUES
-
TERESA MATEUS
-
MARIA MAGALHÃES
-
MARIA ANTUNES
-
JOSÉ BARBOSA
-
MARIANA TAVARES
-
ANTONIO MOTA
-
RITA CORDEIRO
-
JOSE GONÇALVES
-
LILIA FERREIRA
-
JOAQUIM SANTOS
-
ANABELA CALAFATE
-
JOÃO M. AZEVEDO
-
MARIA FONSECA
-
JOÃO CARREIRA
-
MARIA CARDOSO
-
JOSÉ GOUVEIA
Local e data para o lançamento do livro:
Casa Branca de Gramido (Gondomar), dia 25 de outubro de 2025, pelas 15h00
ODISSEIA NA TERRA
Sinopse
Entre a memória e a luz, entre o instante e a eternidade, nasce a jornada de um homem que fez da câmara o seu instrumento de redenção. “ODISSEIA NA TERRA” é o relato íntimo e poético de uma vida atravessada pela busca — a do olhar certo, o do momento irrepetível, o do sentido que o tempo teima em esconder.
Dar sentido à vida.
Da infância povoada de sonhos e desilusões, nas margens do Douro em Gondomar, às noites geladas da Noruega onde as auroras dançam como almas antigas; das estradas de Salamanca e Madrid sob o peso do terror, às vastidões da Patagónia e Nova Zelândia — o autor percorre o mundo e a si mesmo. Cada viagem é um espelho, cada fotografia, uma tentativa de compreender o invisível: a fragilidade humana diante da natureza e do tempo.
Mistura de crónica e confissão, de humor e melancolia, o livro é também um ensaio sobre o acto de criar, sobre a persistência e a solidão que acompanha quem decide olhar o mundo por detrás de uma objetiva.
Com uma escrita viva, irónica e profundamente humana, o autor transforma o registo fotográfico em narrativa de descoberta — do mundo exterior e do universo interior que o habita. “ODISSEIA NA TERRA” é um manifesto de amor à curiosidade, à memória e à arte de ver e viver
3 filmes, 5 prémios no Art & Tur







Entre Moinhos e Natureza Selvagem estreia com enorme sucesso

Estreia do documentário natural “Entre Moinhos e Natureza Selvagem”, foi um sucesso no Auditório Municipal de Gondomar.



A Lua e a Torre de Siza Vieira

A decisão de fotografar a Lua com a Torre de Siza Vieira ao fundo foi, acima de tudo, uma busca por capturar a harmonia entre a natureza e a arquitetura. A ideia surgiu há bastante tempo e o planeamento foi ajustado em função da minha visita ao Refúgio do Raposo, um local algures na Terra e que tem vista para o firmamento. Num momento de pura inspiração aquando da minha estadia em Proença-a-Nova, quando percebi que a Lua, a torre (design de Siza Vieira) poderiam formar um alinhamento perfeito, decidi meter os pés ao caminho e ir em busca do melhor local mesmo que no meio dos montes ao redor da Serra das Talhadas. A fotografia não seria apenas uma imagem, mas uma representação visual da união entre a natureza e a genialidade humana. E para isso eu tinha de me aventurar por montes e vales, ao lusco fusco, numa bela noite de Verão.
Confesso que chegar até ao local foi um verdadeiro desafio. Tive que encontrar o ponto exato onde a câmera, a Lua e a torre formassem o alinhamento perfeito, o que não foi fácil devido à inacessibilidade do local e à necessidade de ajustar a posição da câmera com precisão. Eu tinha a tecnologia do meu lado, mas isso não era suficiente. A espera pela hora exata foi um teste de paciência, já que o alinhamento era algo efémero, que dependia de variáveis como a luminosidade e a posição exata da Lua no céu. Rapidamente verifiquei que quando a mesma surgiu por detrás da Serra das Talhadas, estava uns metros à direita da torre e isso obrigou-me a deslocar rapidamente para a esquerda em busca do enquadramento perfeito. Um exercício mirabolante, quando estamos no meio do mato.
Depois de vários cliques (não muitos pois a Lua eleva-se no horizonte muito rapidamente) e quando finalmente editei a foto e vi o resultado, senti uma enorme satisfação. Um projeto cumprido. Uma sensação de realização pessoal, que seria ao mesmo tempo uma concretização lendária. A imagem, com a sua composição perfeita, transmitiu exatamente o que eu queria: a beleza da fusão entre a criação Humana e o que a natureza nos oferece todas as noites. Um momento fugaz mas eterno através da minha objetiva.
Link para o texto de Miguel Gonçalves (clique na imagem):









