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Uma noite de Verão em Noudar

O Parque de Natureza de Noudar, tem sido para mim nos últimos anos, uma espécie de refúgio. Sempre que possível, reservo um período de tempo das minhas férias, para ir até lá. Junto o melhor do mundo: O sossego, as paisagens, a natureza e a gastronomia. Tudo isto disponível numa herdade de cerca de 1000 ha, rodeada por azinheiras, pela ribeira de Múrtega e pelo rio Ardila. É aqui, que passo longas noites a fotografar a Lua ou a Via Láctea. Existem vários locais, uns mais remotos e isolados que outros. O desafio é irresistível, pois o céu do parque é único em Portugal.

É também aqui, que se ouvem os sons naturais de uma noite de Verão. Os animais que habitam o parque, como por exemplo o Veado, o Javali, o Lince, a Raposa, o Sacarrabos, o Texugo, o Toirão, o Fuinha, ou o Morcego, fazem com que não consigamos estar indiferentes aos seus sons. Mesmo debaixo de um céu estrelado como o que é visível na fotografia, por entre as azinheiras, em perfeita escuridão, munido de uma pequena lanterna, a noite torna-se arrepiante. O silêncio é absoluto no parque e nem mesmo o “click” da fotografia, ou do registo de um plano de timelapse, fazem com que se perca a noção do local onde estamos. Á luz da nossa galáxia e inseridos no território de outros seres vivos, surge um sentimento de fragilidade aliado a um estado de alerta que nos desperta para a verdadeira essência do mundo natural. É este contacto com a natureza que nos torna mais Humanos, mais sóbrios, longe das televisões e da profecia do apocalipse.

São as noites de Verão, no Parque de Natureza de Noudar.

Los Angeles Independent Film Festival Awards

Los Angeles Independent Film Festival Awards
Los Angeles Independent Film Festival Awards

O documentário curto “This Is Our Time” foi premiado ontem em Hollywood – Los Angeles, na categoria de Best Travel/Time-Lapse Short. O festival internacional de cinema que reconheceu o filme é o LAIFFA (Los Angeles Independent Film Festival Awards), que também qualifica automaticamente para o IMDB. É sempre uma honra, ver um filme premiado naquele que é o centro do cinema mundial. Desta forma a mensagem que o filme contém, chega a um publico muito mais alargado. O mérito do filme e de quem esteve envolvido na sua realização, é assim validado por um dos festivais de cinema independente, referência mundial neste sector. Um obrigado muito especial à Laurence Alves, ao Conrad Harvey, ao João Sousa e ao Marco Ribeiro, pela dedicação a este filme.

A vida é feita de pequenos momentos

A vida é feita de pequenos momentos. Pequenas coisas. Pequenos grandes amigos. Amigos que sabem estar. Amigos que sabem receber. E foi apenas isto que me levou a registar esta fotografia. Estávamos em 2018 e tive a oportunidade de conhecer o filho de dois professores, de nome Miguel e que me convidou a passar uns dias de férias numa pequena aldeia, de nome Casalinho lá para as bandas de Proença-a-Nova. Quando lá cheguei, nomearam-me fotógrafo residente (se bem que isso quase ou nunca se tenha aplicado, muito por minha culpa).

Depois de uma longa conversa á mesa, onde todos tivemos oportunidade de expor as opiniões acerca do meu trabalho, das minhas viagens em prol da consciência ambiental, das galáxias e até mesmo de quem sabe verdadeiramente de apicultura, foi-me lançado o desafio de visitar um local ali próximo, com o objetivo de o fotografar. Um local que poucos conhecem, perdido no meio das serranias, lá para as bandas de um tal “Fernando”. Pasmado com o que vi durante o dia, rapidamente imaginei fotografá-lo de noite. E tão depressa imaginei, como depressa chegou a noite prevista. Depois de quase 30 minutos aos saltos dentro de uma Peugeot do século passado, agarrando firmemente a câmera fotográfica, lá chegamos. Essa noite foi para testar o local, no que toca ao melhor enquadramento.

Cerca de um mês depois, numa noite de Verão regressei ao mesmo sitio. Agora em noite de Lua Nova, a pé e sem os solavancos da Peugeot, pois ao que parece “o motor não quis pegar”. Ok. Tudo bem. Quando se procura o que se quer, nada nos impede. E a vida deve ter destas coisas, destes condimentos para nos motivar e para nos motivarmos a nós próprios e aos que nos rodeiam. Por essa razão fui com dois amigos. A verdadeira razão porque os levei (os amigos), foi porque assim os mosquitos que habitam aquele lugar, tinham maior área de pele para picar. Bem tentei que o Miguel também fosse, pois como não tem cabelo, está mais exposto aos mosquitos e talvez isso evitasse que eu ficasse picado. Não tive sucesso. Saí de lá a contar os buracos na pele. Talvez tantos quanto o ruído existente nesta fotografia panorâmica, em virtude do elevado valor de ISO que tive de colocar nos parâmetros manuais da câmera. O sitio era escuro. Tão escuro que os morcegos aparentavam ser de cor branca.

Deixo aqui esse momento, resultante de uma composição de 14 fotografias verticais, obtidas com uma Sony α7R IV e uma objetiva 16-35mm f2.8. 10 segundos de exposição e ISO 6400. Clique na miniatura ao lado, para visualizar a fotografia em tamanho maior.

Cometa Neowise C/2020 F3

Startrail Cometa Neowise

Quando se tem a oportunidade de observar um cometa que muito provavelmente só será novamente visível daqui a cerca de 7000 anos, não queremos saber do conforto a que normalmente nos habituamos ao longo de gerações. Neste caso nem a chuva, nem o vento ou mesmo a trovoada, o frio, os incêndios que poluem o horizonte, a poluição luminosa, foram impeditivos de me deslocar para o Parque Natural do Alvão, com o objectivo de fotografar o cometa Neowise. Num dos dias em particular, houve uma mudança brusca do estado do tempo, mas ainda assim sempre acreditei que as condições meteorológicas iriam mudar. Depois de muitas horas à espera em lugares isolados, na procura do minúsculo ponto nas imediações da Ursa Maior, fui bem sucedido umas vezes e outras nem por isso.

Quando o vi pela primeira vez, não queria crer no que os meus olhos viam (nunca utilizei qualquer meio para ajudar a identificar o cometa). Lembro-me da primeira fotografia em particular, pois por volta das 4H45 da madrugada, ele surgiu na linha do horizonte já bem acima das nuvens que existiam na zona. Foi a primeira fotografia que fiz ao cometa. Seguiram-se planos de timelapse que também estão aqui na página. Alguns dias depois decidi começar a observá-lo na tentativa de o fotografar depois do pôr-do-sol (podem ver algumas fotografias na galeria em baixo). A fotografia ao lado é resultante da composição de 330 frames (provenientes de um registo de timelapse que demorou cerca de 60 minutos a obter) e que deu origem a este “Startrail” onde é possível ver a deslocação do cometa e das estrelas. Acreditem que é fantástico observar um objecto desta natureza. Um antepassado de regresso à Terra. Todas as fotografias foram obtidas em dois locais do Parque Natural do Alvão. Aqui ficam algumas fotografias do cometa, para quem não tem a possibilidade de o observar:

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O Charco

Em período de confinamento, realizei um vídeo de cerca de 8 minutos de duração, nas proximidades de minha casa. Como não tinha forma de passar o tempo, decidi fazer algumas fotografias nuns terrenos agrícolas e para meu espanto encontrei alguma fauna e flora que rapidamente percebi serem um ponto de partida para um trabalho de maior dimensão.

Foram longos dias de solidão num abrigo camuflado, sempre na ânsia de registar aquela fotografia tão especial ou aquele plano de vídeo ou timelapse surpreendente. O período de confinamento proporcionou que fosse possível registar os sons naturais daquele espaço. Todas as manhãs ou ao final da tarde, fui gravando áudio para mais tarde utilizar neste filme.

Muito mais do que um documentário curto sobre a fauna e flora do local que fica praticamente no seio de uma zona densamente urbana, este foi um trabalho que surgiu da motivação que arranjei para passar estes tempos tão difíceis.

O filme conta com a  voz do Eduardo Rêgo, um locutor Português, possível de encontrar em trabalhos de TV nacional e internacional.

Veja o filme aqui

Via Láctea – A nossa galáxia

Via Láctea
Via Láctea

A Via Láctea é uma galáxia em espiral da qual faz parte o nosso sistema Solar. Quase todos os objectos que avistamos à noite, fazem parte dela. Visível a olho nu, nem sempre é possível a observarmos. Isto porque a poluição luminosa é o maior entrave à sua observação. Por esta razão, é necessário que se façam alterações profundas em muitas áreas para que no futuro seja possível continuar a observá-la.

Esta panorâmica é resultante da composição de 14 fotografias verticais e foi obtida na zona do Parque Natural do Douro Internacional, nas proximidades de Miranda do Douro. Nem sempre é fácil obter uma fotografia como se quer e quando se quer. No entanto, este fim de semana a Lua estava “ausente” e as condições climatéricas previam bom tempo (pese embora o facto de durante a noite terem surgido algumas nuvens altas), razões mais do que suficientes para me colocar a caminho e passar algumas horas longe da cidade e longe da luz, mas perto das estrelas. Foi um privilégio observar as searas do planalto de Miranda, iluminadas pela luz das estrelas e de alguns planetas como por exemplo o alinhamento de Saturno e Marte, visíveis no canto inferior direito da fotografia.

Como é possível ver nesta fotografia panorâmica, existem pontos de grande luminosidade, provenientes das aldeias dispersas pelo planalto Mirandês. E a luz dessas aldeias é projectada para a atmosfera, iluminando neste caso em particular, as nuvens de altitude que se faziam sentir nessa noite.

Apesar da luz artificial incutir alguma beleza à fotografia, não é nada agradável para quem gosta de fotografar a Via Láctea, seja ele um fotografo profissional ou amador.

Clique aqui para visualizar a fotografia com maior definição.

Lockdown Porto

Fotografar o Porto tem sido para mim, nos últimos anos, uma paixão que vem crescendo, alimentada pela luz que a cidade imana, contrariamente ao que se pensava no passado. As recentes alterações arquitectónicas, aliadas à recuperação urbana, tornam a cidade um motivo fotográfico. Por isso gosto tanto de a fotografar, filmar ou “timelapsar”. Nos tempos que vivemos, senti que a pandemia veio esfriar a cidade e que a vida se tornou cinzenta. Como tive a possibilidade de sair durante este período de confinamento, por motivos ligados à minha actividade profissional, acabei por registar algumas imagens da cidade, total ou parcialmente deserta. Assim, e motivado pela esperança de que melhores dias virão, decidi realizar este vídeo durante este período. Quero que seja uma janela de luz e esperança para todos aqueles que adoram esta cidade. Nele estão retratados dois períodos bem distintos: o antes e o pós-confinamento, com uma passagem pelas terras Durienses, onde as searas continuaram a crescer, representando um sinónimo de vida.

Estreia online – This Is Our Time

This Is Our TimeO documentário curto “This Is Our Time” realizado na Islândia em 2019, tem data de estreia online marcada para o dia 22 de Abril (Dia da Terra). Trata-se de um filme de cerca de 15 minutos e que mostrando as extraordinárias paisagens da Islândia, passa a mensagem de que é necessário preservar a nossa casa. Este é pois o tempo de cuidarmos dela, de a respeitarmos, pois o momento que atravessamos é sinónimo de que a Terra está a reagir à forma como continuamos a usá-la. Nunca como hoje, foi necessário mudar os nossos hábitos. Temos de saber viver em harmonia com os recursos que estão disponíveis. Temos de cuidar dos animais, das plantas, do ar que respiramos, da água que bebemos, das imagens que os nossos olhos querem ver. Urge sermos mais Humanos e menos números. Ter a possibilidade de percorrer montes e vales, saltar ribeiros, respirar fundo, viver livremente, pois não chega só a liberdade. Nunca houve tempo para parar. Aproveitemos este tempo para mudar de paradigma. Tenhamos consciência e vontade de mudar.

Um filme com a participação especial de:
Narrativa: Laurence Alves | Locução: Conrad Harvey | Consultor: Paulo F. Silva | Som: João Sousa | Entrevistado: Thórður Halldórsson | Making Of: Marco Ribeiro | Realização: Paulo Ferreira

Um filme patrocinado por:
Claranet Portugal | Clínica de Gondomar Medicina Dentária | Delete – Soluções Informáticas | Dental Doctors | Goldnature | LadoB Café | Opticália de Gondomar | Ppsec Engenharia | Ptlapse | Rosalar Electrodomésticos


Nota enviada por Laurence Alves, autora da narrativa do filme:


Nota enviada pela Goldnature patrocinadora oficial do filme:


Nota enviada pelo LadoB patrocinador oficial do filme:


Nota enviada pela Clínica de Gondomar Medicina Dentária patrocinadora oficial do filme:


Nota enviada por Conrad Harvey, locutor do filme:


Nota enviada pela Claranet Portugal patrocinadora oficial do filme:


Nota enviada pela PPSEC – Engenharia patrocinadora do filme:


Nota enviada pela Delete – Informática patrocinadora oficial do filme:


Seja patrono do Paulo Ferreira

Ser patrono do Paulo Ferreira

A partir de hoje é possível tornar-se patrono dos filmes do Paulo Ferreira. Desta forma, qualquer pessoa ou empresa pode ajudar o Paulo a realizar mais filmes, quer em Portugal, quer ao redor do mundo. Junte-se à causa do Paulo Ferreira e contribua para que o nosso mundo, a nossa única casa, seja um local como todos ansiamos.  Um local que possamos viver em perfeita harmonia com a natureza. O Paulo, através dos seus filmes, tenta suscitar consciência nas pessoas para problemas tão fáceis de resolver, mas que muitas das vezes não estamos disponíveis para o fazer. Urge apelar à consciência global. O momento que atravessamos é sinónimo dos problemas que criamos. Seja patrono.

 

 

 

Paulo Ferreira na Noruega

Seja patrono do Paulo Ferreira

Patagónia – El Charpitero Gigante

El Charpitero Gigante
El Charpitero Gigante
A viagem de Puerto Natales até ao Parque Nacional decorreu numa ambiência de filme de autor, daqueles filmes tão herméticos na sua essência que apenas o próprio autor o compreende: a viatura avançava velozmente pela estrada e eu tinha a sensação de estar a ver sempre a mesma cena. A escala e dimensão do cenário alargam o horizonte a uma perspetiva difícil de apreender para quem não é habitual destas paragens. De início o trilho mostrava-se intratável, muito difícil e lento, por entre pedras soltas que a cada passo para a frente me faziam deslizar dois atrás. Com meia-hora de caminho necessária para alcançar a meia-encosta, o trilho seguia as curvas do vale que me levaria à base das torres num passo, agora, mais firme e seguro pois o desnível era pouco acentuado. Aqui ou ali salpicado por Lengas acompanhava a margem direita do rio Ascencio, visível no seu correr por entre as pedras e as Lengas de cores douradas que polvilhavam as margens. Apesar de algum vento forte, o dia estava bom para caminhar. Neste mister de calcorrear os caminhos por onde já ninguém anda, sobra-nos tempo para arrumar ideias dentro da cabeça, planear projetos ou, simplesmente, sentir o pulsar da vida na sua plenitude tornando-nos em recetáculo geral de todas as sensações. Do milhão de memórias que carregava comigo, o cérebro insistia em relembrar-me constantemente que eu estava a caminho de Las Torres Del Paine, do que iria ver diante de mim quando lá chegasse. Essa dúvida, incerteza, desconfiança, crença… alimentava-me de coragem e força para vencer a etapa. Ver com os meus olhos, primeiro; primeiro, o olhar. Sempre.
Por uma antiga e rudimentar ponte de madeira saltei o rio Ascencio que há alguns quilómetros me vinha a acompanhar para entrar num bosque fechado de Lengas, a árvore mais característica da Patagónia. Em sintonia, tudo se complementava, forma e conteúdo no seu esplendor. Sentado para descansar alguns minutos e hidratar-me, ergui-me de sopetão ao surpreender-me com o inesperado: a cerca de 20 metros de distância, por entre os ramos das árvores, duas aves de médio porte a saltar de tronco em tronco. Não cria nos meus olhos, mentiam seguramente.
Trocada a grande angular até aí usada, por uma outra de “400 mm”, lancei-me em perseguição desabrida daqueles “pica-paus” até perder a noção do local em que havia deixado a mochila. Sei agora que era um pica-pau preto de nome El Charpitero Gigante, cuja principal característica distintiva entre géneros é a cabeça vermelha do macho, fácil de observar sempre que este percorre o tronco de uma árvore em busca de alimento. De novo a caminho, estava maravilhado com o constante deslumbramento provocado por todos estes encontros, casuais ou não. O avistamento dos pica-paus não me saía da cabeça, tão surpreendente quanto mágico havia sido.